eu emigro

foi preciso viver quase 26 anos em lisboa (tirando quase dois por outras também lusas mas mais sossegadas paragens) e foi preciso viver dois meses no primeiro mundo (sim, em ny, onde milhares de pessoas acabam de morrer num atentado, mas onde o passaporte que perdi algures na east village me veio parar novamente às mãos e onde andei sozinha nos transportes suburbanos às duas da madrugada sem me sentir minimamente insegura), foi preciso voltar e ir calmamente ao cinema numa noite de domigo para ser assaltada pela primeira vez na vida. e não, o pior não foi o assalto nem ficar sem telemóvel. o pior não foi sequer a sub-chefe santana, da esquadra do bairro alto, a dactilografar a uma palavra por minuto a queixa que não consegui ainda apresentar (por causa de um cadáver entretanto aparecido dois quarteirões adiante). é possível acreditar que não há formulários, que não há ‘procedures’, que cada queixa é redigida num documento em branco, em texto corrido, de uma forma totalmente medieval (and believe me, i know what i’m talking about)? é possível acreditar que morreu uma pessoa dentro de um carro enquanto eu e o pedro éramos assaltados, e que uma hora depois a polícia, entre telemóveis e walkie-talkies sem bateria, ainda não sabia o que fazer? e mais: não, a psp não tem site oficial, e a única coisa semelhante que descobri é provavelmente o pior exemplo de lixo electrónico que vi nos últimos tempos e que não, parece que o ministério da admnistração interna (será que existe) também não tem site nenhum?

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