quando as aulas acabavam começava a ler

não que não lesse no resto do ano, mas era diferente. junho julho agosto setembro, livros juvenis e livros que tirava quase à sorte das prateleiras dos meus pais e que lia também, às vezes com pouco proveito mas com a mesma fome. lia noite fora e se o livro pedia ao acordar lia manhã dentro. e quando fazíamos as malas para seguir rumo ao algarve (mas era o nosso algarve) escolhiam-se os livros a levar: cinco, seis, sete por cabeça e depois acabavam e íamos a lagos buscar mais e liamo-los ao sol e à hora da sesta.

bicho

pegar na e., pô-la ao peito, ajeitá-la, beijá-la e olhar para ela. às vezes sinto-me personagem de um documentário sobre a vida animal. sinto-me bicho no pegar e no mexer e na forma como soube fazer as coisas sem antes as ter feito, na importância do toque e do cheiro e no entendimento sem palavras. tem razão a isabel: também eu sou antes de mais mãe. e bicho.

são os últimos dias da minha licença de parto

felizmente nos tempos mais próximos eu e a e. vamos continuar juntas. como estamos convalescentes mantemo-nos por casa (e o céu azul a chamar lá fora), ela a treinar os seus novos truques (segura larga puxa tosse tosse ri) e eu a estudar xhtml.

não tenho notícias dos livros e quase que aposto que ainda lá estão, ou no mesmo sítio ou atrás do balcão, à espera de quem pergunte por eles.

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