selos

se tivesse menos que fazer e se não tivesse um bocadinho de vergonha voltava a coleccionar selos. nas recordações de quando era pequena os selos aparecem com a mesma força que os legos e os livros do petzi. lembro-me de o meu pai (que não colecciona coisa nenhuma para além de livros) me dar o canto rasgado de um envelope com alguns selos colados e lembro-me de me ter ensinado a mergulhá-los em água para dissolver a goma e de os pôr a secar sobre um pano da louça. isto quando eu tinha 6 anos. ordenava-os por temas: animais e plantas, casas e paisagens, reis, rainhas e presidentes, artes, profissões, etc. aprendi imensas coisas com os selos. coisas importantes para uma pessoa pequena: que magyar posta significa correios da hungria, que o mocho é o símbolo da deusa atena, os nomes científicos de inúmeros animais, etc.

quando comecei a escrever cartas e tinha de comprar selos lembro-me de espreitar gulosa (como ainda espreito) para os livros de selos das tabacarias, a pensar que em vez de um selo de 27$00 podia pedir dois de 10, um de 5 e um de 2, que ficava o envelope mais bonito e eu mais satisfeita.

depois, como é do andar natural das coisas, os selos foram ficando esquecidos. até porque coleccionar selos é uma coisa assim um bocadinho nerdy e há uma idade em que as raparigas não querem que se pense que elas coleccionam selos.

mas a verdade é que continuo a detestar aquelas etiquetas cor de rosa que os substituem nos correios e que às vezes dou por mim a rasgar os cantos aos envelopes. um dia se calhar deixo de ter este bocadinho de vergonha.

4 comments » Write a comment

  1. os livros do petzi!!!!

    como eu desejava aqueles crepes que a mãe dele fazia…. :-)

    gostei tanto deste post.

    **

  2. tambem gosto de selos. abomino aquele adesivo sem carater que os correios usam nas cartas de hoje. eu continuo usando os selos. os do momento tem a audrey hepburn estampada. tao linda…. beijos!

  3. Eh, eh!, pois eu continuo a fazer colecção… bom, pelo menos a amontoá-los! Como entretanto os álbums ficaram sobrepovoados fui arranjando caixas e latinhas sempre com o pensamento de «um dia compro um álbum novo, nem que seja só para os animais». O desejo mantém-se mas as prioridades não o permitem. Mesmo assim, quando a Clarinha nasceu comprei-lhe um selo de jazz lindíssimo e quando me perguntaram o que é que a menina mais precisava para o enxoval respondia… UM ÁLBUM PARA SELOS!

    Não sei porquê nunca lho ofereceram… se calhar pensaram que eu estava a gozar. Ainda assim a ideia mantém-se e hei-de fazer um, mesmo que pequenino.