desarmada

f., que já não dá conta do recado, que já não lava nem limpa, que não tem apoio domiciliário da misericórdia porque a filha sabotou todos os meus esforços. f., que diz mal dos vizinhos pelas costas, que deita perdigotos, que me mete medo, que bate no gato.

f. toca-me à porta e diz que lhe sobrou lã de uma camisola que fez para a bisneta. puxa de um saco de plástico e mostra o acrílico cor de rosa bebé tricotado em ponto de arroz: ó m’na rosa, está a ver? assim faço uma para as amêndoas da e. o que é que lhe dá mais jeito, uma camisolinha ou um casaquinho?

d ol ls

rug

é uma loja de nada. lá dentro, uma secretária velha e um homem a ler o jornal. na soleira da porta, hoje, um caixote de laranjas. pendurado cá fora um capacho.

à porta desta loja vazia há sempre capachos pendurados. um ou dois, com palavras sem sentido impressas. vão mudando. eu cá não sou dada a superstições.

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