
(não tem boca porque nem as bonecas estão sempre a sorrir)

(não tem boca porque nem as bonecas estão sempre a sorrir)
o meu professor de latim do liceu (o único padre que admirei na vida) escreveu uma vez carpe diem no quadro, em resposta a um aluno que dizia não ter preparado a lição por falta de tempo (na verdade só eu e a sofia é que as preparávamos quase sempre). depois desenhou um segmento de recta que representava o nosso dia e começou agitadamente a riscá-lo com traços em forma de relâmpago. perdeu-se a falar do tempo e de tudo o que podíamos fazer com ele de uma maneira que nunca lhe tinha visto nem voltei a ver.
quando a e. adormece a seguir ao almoço começa a minha roda-viva. naquela hora e meia de mil trabalhos mais ou menos insignificantes lembro-me muito dele.

fico horas a olhar para ela. nada me parece mais perfeito que as proporções do seu corpo pequenino e a graça dos seus movimentos.
o andré carrilho é o melhor ilustrador português. provavelmente até mais que isso.
há já uns meses que não libertava um, mas hoje é um dia especial.
(e continuo ufana do meu livrinho voador)