alguém sabe alguma coisa sobre o 25 de abril?

25 de abril

25 de abril

– foi quando os escravos…

– foi quando… acabou… a diplomacia!

(os pequeninos usaram unanimente as palavras guerra e rosas).

o único salazar que conheciam era a personagem do harry potter.

depois conversei com eles e desenhámos. vão passar uma semana a olhar para aquelas imagens e a comentá-las, como fazem sempre. do que se lembrarão na próxima quarta-feira?

nevoeiro

que estava com a minha irmã em ny, perto do rio, junto a um prédio branco no meio do nada (estava nevoeiro). em volta do prédio havia canteiros cheios de plantas e entre as plantas havia uns tufos brancos que ela queria ir ver de perto, porque não tinha percebido que eram as orelhas de cães (muitos muitos cães) que esperavam, sentados e contentes entre as plantas, prontos para nos desfazerem em pedacinhos. os cães eram lindos e macios, do tamanho e feitio de pastores alemães mas brancos e com olhos azuis. arfavam em silêncio. quando lhe expliquei, uma onda de medo passou-lhe pelo corpo. tão forte que eu também a senti. e os cães também. pedi-lhe que pensasse depressa em coisas boas enquanto eu própria ficava cheia de medo. uma onda de pensamento em coisas boas percorreu-nos a ambas e sossegou os cães. depois fomos embora, pelo nevoeiro.

levanta-se,

agarrada a nós, põe-se de pé e solta-se, com um ar triunfante. balança uns segundos e deixa-se cair, a rir, certa de que a seguramos a tempo.

(um homem muito barbeado, esfoliado, hidratado e desodorizado é uma coisa horrível. estranhamente ou não, antes de ser mãe não tinha assim tanta certeza)

do porto (ii)

fitas

rendas

disse-me que era um favor que lhe fazia. que há uns dez anos que ninguém pede para comprar viés nem grega nem rendinhas de algodão. que agora é só fitas de cetim, elásticos e umas linhas para ponto de cruz. que levasse senão ia tudo parar ao lixo um dia destes.

e eu trouxe, agradecida.

do porto (i)

nursery toys by mary vellan

nursery toys by mary vellan

mary vellan, nursery toys. london and new york, 1956.

a mulher dele era professora de lavores femininos. não sei se era tão má pessoa como ele. espero que não. dos livros que lhe pertenceram, que vi a correr, trouxe este.