o infantário

Desde que ela nasceu, aliás, desde que engravidei que cada decisão passou a ter uma importância nova. Mas sinto que esta é a primeira grande escolha.


Temos de decidir o mais rápido possível e as hipóteses são 3, todas com prós e contras que prefiro pôr por escrito para quando olhar para trás:

Hipótese 1: Adiar um ano a entrada no infantário.

Prós: Tê-la comigo mais um ano e a certeza do que se passa com ela a cada segundo. Poupar o dinheiro do infantário.

Contras: Privá-la de um contacto regular com bebés/crianças da mesma idade (até agora convive às vezes com bebés “amigos” e mais ou menos regularmente com os que frequentam o mesmo parque infantil). Adiar o meu investimento em projectos novos e o aprofundamento dos projectos correntes. Continuar sem poder partilhar com o F. muitas das tarefas que passaram a ser só dele desde que somos pais. Adiar o meu regresso à condição de mulher-que-não-só-mãe (que inclui, por exemplo, as actividades ler no café e fazer ginástica).

Hipótese 2: Infantário “normal”

Prós: É (tanto quanto sei e pude ver em várias visitas surpresa) um bom infantário. O espaço é muito bonito e limpo, o pátio é grande e arejado. As educadoras parecem gostar genuinamente do que fazem e as auxiliares têm um ar normalíssimo (para o bem e para o mal). É a 5 minutos de casa. A “normalidade” nos seus aspectos positivos.

Contras: O ranho por limpar nos narizes dos meninos no pátio. A qualidade da comida (no estilo frango com esparguete). O pão com tulicreme ao lanche. A “normalidade” nos seus aspectos negativos.

Hipótese 3: Infantário “especial”

Prós: As pessoas envolvidas. A filosofia (waldorf) por detrás do projecto. A escala (muito menos meninos com muito mais atenção para cada um). A relação das educadoras com as crianças (do tom de voz ao respeito no que se diz e como se diz). Não há auxiliares. Não andam com sapatos dentro de casa. Vão todos os dias ao Jardim Botânico. A qualidade da comida (vegetariana biológica e apetitosa só pelo cheiro). A qualidade de cada um dos objectos e brinquedos. A depuração nas cores e nas formas. É a pouco mais de cinco minutos de casa. O ser um sítio especial, no que isso tem de bom.

Contras: O preço. A ausência de um espaço ao ar livre dentro da escola. O receio face a todo e qualquer fundamentalismo. O ser um sítio especial, no que isso afasta da realidade.

7 comments » Write a comment

  1. Eu e r. sabiamos que a Matilde teria que ir para um berçário a partir dos 6 meses, na altura nem se pôs a possibilidade de ficar em casa porque não havia ninguém em que confiassemos e nós tinhamos que trabalhar. A opção foi investigar, ver e escolher o que nos parecia melhor, sempre tivémos o cuidado de não a deixar lá “depositada”.

    Hoje a Matilde tem 3 anos e acho que foi a melhor opção, ela tem um prazer imenso em ir para a “escola” e é super comunicativa com toda a gente.

  2. Eu cá escolhi a hipótese 1. Tanto com ele (4 anos agora, desde os 3 anos e 4 meses num jardim de infância) e com ela (2 anos e 3 meses agora, só vai entrar com 3 anos e 6 meses no jardim de infância). Sei perfeitamente o que significa adiar todos e quaisquer projectos de mulher-que-não-é-só-mãe. Só consigo trabalhar (faço traduções) durante as sestas e depois das 9 da noite. Mas fui eu que vi tudo, mesmo tudo, pela primeira vez. Sei o que e quanto comem, sei do que gostam (ou não) e de quem (e porquê).

    E outra coisa. É falso que eles precisem, até aos 3 ou 4 anos, de estar sempre com menininhos da idade deles. Até essa idade, ou mesmo até aos 6 ou 7, precisam de um tempo com amiguinhos, sim, e se forem mais velhos ainda melhor. Mas precisam é de mãe, de pai, de avós, de adultos para copiar, para conversar, para dar colo, para mostrar coisas novas… Duas ou três horas durante o dia para estar com outras crianças é suficiente. Há algum infantário que ofereça só isso? (Ou há mães e pais que possam tomar essa opção?; acho que vai havendo, e não é por não precisarem de trabalhar… acho que é por irem percebendo que apesar de tudo o trabalho se pode adiar… mas a vida dos miúdos é agora mesmo.)

    Mas se tiveres e quiseres mesmo pôr no infantário, opta pela hipótese 2. Pode ser que só possas pôr umas horas. Pode ser que possas falar com elas sobre a comida. Pode ser que pelo menos o lanche possas levá-lo tu de casa…

    O Waldorf, pelo que me contam (nunca visitei, mas sei desse e de um outro em Alfragide) parece-me não só fundamentalista como errado na sua filosofia (que as crianças são seres mágicos e que ensiná-las a ler antes dos 7 ou 8 anos é um crime, entre outras coisas). As crianças são seres muito racionais, que gostam muito do concreto, do real, e a partir daí desenvolvem a sua delirante imaginação. As fadas e os duendes e os monstros são invenções de adultos enfiadas nas cabeças das crianças.

    Desculpa o tom preaching… Mas li um livro há uns tempos de um tal John Holt e vem lá tudo isto e muito mais, e foi engraçado ver como havia alguém que punha tão bem no papel coisas em que nós pensamos vagamente e não temos a certeza de sermos bons da cabeça por as pensarmos…

    Seja como for, a decisão é só vossa.

    beijinhos

  3. Penso que o melhor para a e., pensando só nela, seria ficar contigo, ou com uma pessoa de confiança, como uma avó ou assim. Mas, o que é bom para ti também conta.

    O meu filho anda num infantário que deve ser do tipo da hipótese 2, embora não tenha muitos meninos. As hipóteses 1 e 3 nem se colocaram, só tive que escolher entre os de tipo 2.

    Desde que foi para o infantário, desenvolveu-se imenso em termos motores, mas apanhou muitas doenças (prepara-te porque não é fácil…)

    Para a idade que eles têm, o facto de um infantário ter menos meninos pode ser bom, por causa da atenção que lhes é prestada e da menor probabilidade de contrairem doenças. É muito importante terem empatia com a pessoa que trata deles (tive essa sorte, apesar de se tratar de uma auxiliar).

    As questões pedagógicas parecem-me ser importantes para quando a e. for para o pré-escolar, para já não me parece que te devas preocupar muito com elas.

  4. Olá!

    Vim aqui parar por acaso.

    E acho o seu live journal um amor.

    Sou psicóloga Clínica e quero-me especializar na Pedagogia de Waldorf.

    Infelizmente não conheço nenhuma escola que esteja aberta cá em Portugal. Esse infantário em Alfragide não segue a metodologia Waldorf, mas Maria Montessori que também é parecida. Tb existe outro infantário da MM em S. Pedro do Estoril com um jardinzinho amoroso com moinhos às cores. Onde ficam essas escolas de Waldorf?

    Pode-me dar o contacto?

    Ficar-lhe-ia muito agradecida se me pudesse responder via e-mail.

    Constança

  5. Gostaria de saber se existe alguma forma de formação em pedagogia Waldorf, aqui em Portugal.

    Obrigada

    Lucília nascimento

  6. o infantário (parte 2)

    Há meio ano pesava aqui os prós e os contras de pôr a E. no infantário e tentava decidir-me entre os dois que tínhamos elegido como possíveis. Acabámos por decidir tê-la em casa mais um ano e não estou…