da arte de bem separar o lixo

Não sei ao certo quando foi que me tornei uma aficionada da reciclagem, mas julgo que a revista do El País (que o meu pai trazia todas as semanas e onde aprendi a ler castelhano), recheada de bons artigos, fotografias e ilustrações (porque é que cá nenhum jornal tem uma revista assim?) , teve alguma responsabilidade (neste assunto como em tantos outros). Ainda no liceu, serviu-me de várias vezes de tema e de motivo para uma situação ridícula – ao devolver um trabalho que eu e a Sofia tínhamos cuidadosamente impresso em papel manteiga (para mim o mais bonito dos papeis reciclados), diz-nos a professora (de Inglês, e uma das mais burras que tive): está bom, mas porque é que o fizeram neste papel tão feio de mercearia?.


Não sei se já fez um ano que nos deixaram na caixa do correio um desdobrável e dois maços de fitas de plastico a explicar que íamos passar a ter recolha selectiva de lixo. Depois de anos a enfrentar ecopontos atafulhados e mal-cheirosos fiquei felicíssima com a novidade. Acho que não pensei logo que um papel uma vez na caixa do correio não serviria de muito num bairro cuja população é maioritariamente muito pouco escolarizada (e a que o é mais não vive por aqui senão de forma passageira). O dito desdobrável ainda por cima era mal feito: tinha frases como A sua colaboração é fundamental para um Bairro ainda mais típico e histórico (!!!) e não dizia o mais importante. Para saber que os sacos de papel e embalagens deviam ser postos à porta de casa entre as 20h e as 22h tive de ligar para a linha informativa (e quando informei a pessoa que me atendeu de que essa informação devia ser dada às pessoas em geral, a resposta foi o isso já não é comigo da praxe). O resultado, passados não sei quantos meses, é que por exemplo no nosso prédio apenas uma em oito famílias separa o lixo e que muitas vezes subimos a rua aos dias de recolha sem ver um único saco com a fitinha azul ou amarela. Mais estranho ainda é nunca termos visto a recolha a ser efectivamente feita e ficarmos sempre com a impressão de que o fruto do nosso empenho solitário seguiu para o lixo.

Será que não há um único sociólogo a trabalhar na CML que possa dar uma ajudinha?

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  1. aqui em bristol temos umas caixas pretas de plastico gratuitas onde pomos papel, metal, vidro, pilhas, roupa, sapatos, oculos etc etc, e que sao recolhidas sem falta terca feira de manha, no mesmo dia em que o lixo normal e’ recolhido. na minha rua vivem principalmente familias jamaicanas e paquistanesas e “jovens europeus”, e todas as segundas ‘a noite ha’ uma black box ‘a porta de cada casa.

  2. Aqui em casa reciclar smp foi essencial… ja nem sei contar os anos ha q o faço… temos caixotes do lixo proprios… caixotes… pq comçamos c um e dps tivemos q comprar mais outro… só as pilhas é q sao guardadas num saquinho de plastico ate encher… mas sabes q tenho noçao de q quase ninguem segue o nosso exemplo… temos ecopontos na rua… alias o seixal e almada tem mt… mas ha quem se pergunte se a recolha n é dps levada p o mm sitio q o restante lixo… o improtante e n desistir!

  3. Sempre fiz reciclagem e fiz questão de ensinar os meus pais a fazê-la também. Na zona onde eles moram já todos os prédios têm os vários caixotes e foram distribuídos às pessoas dos vários andares 3 caixotes diferentes para fazer a separação. Penso que foi uma iniciativa da câmara de loures, mas parece que apenas naquela freguesia (portela). Agora que sai de casa dos papás e vim para o montijo, foi com agrado que vi a proliferação de ecopontos pelos menos nos bairros novos desta cidade. Mesmo assim a maior parte das pessoas ainda nao faz a separação (como é o caso de uma série de amigos meus… dá muito trabalho… ocupa muito espaço… as desculpas são muitas). Cá em casa eu construi um caixote dividido em três partes verde, azul e amarelo, com umas rodinhas por baixo e tudo. :)

  4. eu tenho um prazer mórbido em misturar tudo.ele é cascas de melão com jornais, vidro com asas de frango, rolos de papel higiénico com latas de conserva bem gordurentas. bem pior do que aquele macaco que aparecia no anúncio da . e nem por sombras parecida com uma dondoquinha bem snob da linha armada em grande defensora do ambiente em geral e do planeta em particular. é que uma pessoa não pode ser perfeita.