a sina dos portuguesinhos

Não é porque o vejo da janela. É mais porque a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais diz que se trata de um monumento cuja protecção se encontra em estudo e ao mesmo tempo a Amorim Imobiliária já diz que tem Apartamentos T1 a T5 em pré-comercialização.

Não estou por aí além interessada na conservação do típico e no popular do Bairro Alto (sobretudo no que toca aos ex-libris que são as esquinas mal-cheirosas, os chefes de família alcoólicos, os velhos sem água canalizada, o lixo no chão e as casas a cair de podres, todos tão tradicionais, para não falar na heroína que agarrou pelo menos uma geração de nados e criados entre a Rua do Século e a da Misericórdia). Fico contente quando vejo as tias às compras na Rua do Norte, os casais novos sem medo da falta de elevadores e os adolescentes de outras paragens que cá vêm cortar o cabelo ou à procura de roupa e acessórios diferentes. É claro que o Bairro só sobrevive mudando, integrando gente diferente e maneiras diferentes de viver. Mas não é assim.

Por isso é que não hesitei em assinar a petição contra esta transformação do Convento dos Inglesinhos num condomínio fechado feita assim à sorrelfa.


Mais bibliografia:

Um e outro post no Hardblog e outro no Afixe.

Começaram as Demolições no Convento dos Inglesinhos, Público (23 de Setembro)

Convento dos Inglesinhos começou a ser demolido, JN (23 de Setembro)

IPPAR aprova obras nos Inglesinhos, JN (26 de Setembro)

Fotografias:

uma, outra e mais outra.

3 comments » Write a comment

  1. Obg pelas palavras amigas no “todas as cores” :o)

    Quanto à petição, obg por divulgares, já está assinada.

    beijinhos e abraços

    lia

  2. Olá Rosa Pomar, hoje vi isto:

    “Maria Keil – Ilustradora

    Da imensa obra de Maria Keil! Celebrizada pelos trabalhos de azulejaria de algumas das estações de Metropolitano de Lisboa -, a Biblioteca Nacional expõe ilustrações da Artista. ….Até 20 Novembro, tel: 217982426, entrada livre” in Revista Lux Woman de Outubro

    Já há algum tempo que sou observadora diária do seu blog, desde já Parabéns, está fantástico…Recomendo…Observo e até já fiz as areias, ficaram muito boas, só achei que tinham pouco açúcar…

    Hoje, não sei porquê, depois de ver essa sugestão pensei, é hoje que vou enviar um comentário à Rosa Pomar, e aqui está!

    Venho aqui quase todos os dias, até porque também eu adoro fazer coisas manuais, adoro tudo o que é caseiro, também faço bonecas, entre outras… porta chaves, etc, etc

    Gostei de saber da formação do grupo das tricotadeiras, embora não consiga fazer assim tantas coisas, também gosto, o meu próximo projecto, são as bolas para a árvore de Natal, enfim…

    Outra coisa que gostei muito, foi daquele seu projecto, para criar um local de divulgação de trabalhos com cariz manual, também gostava de colaborar de alguma maneira, se quiser…

    Aliás e como curiosidade, o Convento dos Inglesinhos tb é a vista de uma janela…

    Até Breve e Parabéns!!!

  3. CONVENTO DOS INGLESINHOS VERSUS CONDOMÍNIO DE LUXO

    No passado dia 27, teve lugar, na Junta de Freguesia de Santa Catarina, uma sessão de esclarecimento com a finalidade de ser apresentado aos moradores, tardiamente, o projecto do Condomínio de Luxo do Grupo Amorim no Colégio dos Inglesinhos, “vulgo” Convento dos Inglesinhos, no Bairro Alto. A sessão de esclarecimento, da qual os moradores foram informados com um dia de antecedência, foi dirigida pela senhora Presidente da Junta, Dra. Irene Lopes, que se mostrou claramente a favor do condomínio de luxo.

    Estiveram ainda presentes, além do arquitecto autor do projecto e do engenheiro responsável, representantes da Câmara Municipal de Lisboa, do Gabinete Técnico do Bairro Alto e “convidados” que não conheço como moradores e que aplaudiram entusiasticamente as intervenções oficiais (a fazer lembrar outros tempos), ou seja, pró-condomínio de luxo. Finalmente, os moradores que não reprimiram “ohs!” de espanto e consternação, ao serem confrontados com as transformações de que vai ser alvo o emblemático Convento e, consequentemente, as belíssimas ruas que o envolvem, nomeadamente a Rua Nova do Loureiro, hoje, das mais singularmente caracterizadas da cidade de Lisboa e orgulhosa do seu muro de Carlos Mardel e dos seus jardins suspensos.

    O IPPAR fez-se notar pela sua ausência (porque terá sido?!).

    Mais me pareceu uma apresentação para venda dos apartamentos de luxo, que até vão possuir património histórico muito bem “preservado” e muito bem “privado”! Mas, saibam meus senhores que não convenceram os moradores. Quanto aos “outros”… esses já estavam convencidos antes da sessão.

    Por mais que tentem, não conseguem impingir aos cidadãos que a única alternativa à incúria, à irresponsabilidade ou tão somente ao desapego das entidades oficiais pelos valores culturais e pela nossa história, seja a construção de condomínios de luxo fechados em BAIRROS HISTÓRICOS, nos espaços usurpados aos monumentos.

    Fomos acusados de ser ridículos, como se de um assunto insignificante ou mesquinho se tratasse, quando afinal estamos a desempenhar uma função que compete ao Estado: a defesa da nossa história; mas – o que é mais estranho – contra os que, supostamente, seriam os seus melhores defensores, o próprio Estado. É, no mínimo, paradoxal.

    Foi ainda com muita tristeza e revolta que ouvi, os que têm o dever de zelar pelo património histórico e arquitectónico da cidade de Lisboa, tecerem rasgados elogios aos privados que se dispõem a comprar (em forma de pechincha, recorde-se!) e a recuperar esse mesmo património, quando o Estado se demite das suas obrigações. Desculpem-me a franqueza, mas isto soa a provocação e é uma ofensa à nossa capacidade de pensar e de compreender as coisas. Afinal, eu própria não seria parca em elogios, se esses particulares endinheirados agissem em prol da cultura e do respeito pela nossa história e, no caso concreto do Convento dos Inglesinhos, procedessem efectivamente á sua reabilitação e abrissem esse espaço à população. Mas, todos nós sabemos que não são propriamente os princípios filantrópicos que os movem.

    Mas – justiça seja feita! Nem tudo está perdido! – Fiquei a saber que vai ser permitida à população uma certa “intrusão visual” através de um gradeamento, devidamente vigiado, como convém, não vá um qualquer pobre mais curioso atrever-se a introduzir um olhar mais prolongado e vir a causar danos (morais, quem sabe?!) nas finas sensibilidades dos conventuais condóminos.

    Maria Helena Marta

    Rua Nova do Loureiro – Bairro Alto