duizendpoot*

tricot

Depois da enchente do encontro de ontem, das várias inscrições no grupo desde então e de ter chegado a casa sem ter tricotado uma única malha resolvi:


– não ter pena de dizer às pessoas que estes encontros foram pensados para quem já sabe tricotar e não para quem quer aprender (de outra forma o resultado é que quem foi a pensar que ia descontrair um bocadinho de agulhas na mão acabou por passar uma hora a dar aulas).

– Dizer não a quaisquer novos meios de comunicação interessados em explorar o assunto. Por muito simpáticas e correctas que tenham sido todas as pessoas que até agora divulgaram os encontros (e foram-no, sem dúvida) já chega de notícias sobre o tricot. Até eu começo a enjoar.

– Encorajar a criação de outros grupos dentro da cidade de Lisboa (já lá está um à espera de quem tome conta dele). Organizar encontros com mais de vinte pessoas dá demasiado trabalho (encontrar um espaço adequado, obter autorização, etc.) e é muito mais divertido e sossegado quando somos menos.

– Não me sentir obrigada a ser educada e paciente com pessoas cuja prima da nora da vizinha viu uma notícia sobre os encontros e que por isso foram à procura do meu número de telefone(!) e me telefonam para casa(!) para eu lhes explicar pessoalmente tudo sobre o assunto (note to self: tirar o número da lista telefónica).

A verdade, simples e egoísta, é que eu queria fazer um bocadinho de tricot nos encontros de tricot…

*mil pernas em holandês (hi Karin!)

28 comments » Write a comment

  1. já tinha pensado muitas vezes na trabalheira que andarias a ter para o encontros e perguntava-me se o gozo que deles tiravas compensaria…

    agora já percebi.

  2. Dou-lhe toda a razão! Não é egoísmo! Penso que o divertido é mesmo estar a fazer tricot, tomar um cházinho (ou qualquer outra coisa), conversar e partilhar novidades com gente de que se goste!

    Vá em frente com os nãos.

  3. linda…… concordo, tem que haver uma ética dos encontros, sem dúvida. mas tu sabes dizer as coisas tão bem que nem digo mais nada! beijos

  4. olá

    O problema destes encontros é que deixam de ser algo entre amigos para ser algo mais complexo, onde toda a gente aparece.

    Quando o grupo começa a ser divulgado é normal que as pessoas queiram participar e fazer parte..

    tive pena de não poder ir, mas se calhar era mais uma a pedir ajuda e conselhos a quem está disposto a dar.

    beijos e continua o bom trabalho, nao te esqueças que haverá sempre alguem que se sentira inspirada por tudo isto…

    carina

  5. Ao ler “duizendpoot” logo pensei que fosse uma frase em “elvirês” e me pus a tentar descobrir o que seria… :oD

    Rosa, parabéns por sua sinceridade quanto aos megaeventos de tricô. Tricô é aconchego e parece que isto se perde quando o grupo é muito grande.

    Por aqui ainda não tivemos este problema (e acho que não o teremos), pois o grupo cresce lentamente. Por enquanto nossos encontros foram bem tranquilos.

    De qualquer maneira, vou registrar estas suas observações e tê-las como um lembrete para que os encontros continuem agradáveis.

  6. Não concordo contigo…

    Embora não tenhas obrigação de ensinar ninguém,

    há que ter paciencia…ninguém nasce ensinado e para além disso através de ti e do gozo pelo trico, já muita gente começou a tricotar.

    Se o grupo está a crescer, também se deve a essas pessoas.

    Quero acreditar que está num mau dia…dai essas palavras.

    Espero que seja só um desabafo…

  7. Imagino o trabalho que deve dar organizar isso tudo.

    Se me é permitido opiniar e visto que tens tido muita gente a procurar-te para aprender a fazer tricot, já pensaste em organizar um workshop só para iniciantes? Tipo, um fim de semana, ou mesmo só um sábado ou coisa do género, especialmente dedicado a quem quer aprender?

    De certeza que muita gente iria aderir e dentro do grupo das (já) tricotadeiras deve haver alguém com disposição e disponibilidade para se meter num projecto desses contigo.

    Realmente acho que o mais complicado seria encontrar um espaço, mas tenho a certeza que conseguirias.

    Fica aqui a ideia do workshop que no meu ver deverá ser a cobrar, claro, porque estas coisas não podem ser feitas só por fazer e porque é giro, também tens que ganhar alguma coisa com isso, nem que seja para comparticipar a utilização do espaço. Tipo, cobrar uma quantia quase simbólica.

    Enfim, é só uma ideia ;)

  8. este sábado é o 1º encontro do grupo de sintra. sinceramente, espero não assistir a coisas como o que se passou ontem. já me cansa estar a querer tricotar um bocadinho e sermos expulsas porque o local vai fechar. e ontem foi mesmo A enchente. aquilo acaba por não render. reparei que as pessoas não estão muito abertas a conhecer outras e isto surpreendeu-me. chegámos eu, a sofia e a morgy, dissémos boa noite e só uma ou duas pessoas nos responderam. ainda assim, consegui meter-me com uma rapariga que tinha um cachecol feito num ponto lindo. ela acabou por mo ensinar e só por isso já valeu a pena. mas espero que nos encontros de sintra dê para as pessoas se conhecerem e, enquanto tricotam, falarem um bocadinho!

  9. tens toda a razão… os encontros começam a ser mais confusão e menos tricot. Entre as amigas já organizamos os nossos encontros em casa umas das outras, mas ainda assim eu gosto muito de ir aos encontros para te ver a ti, à hilda e a outras pessoas que já me habituei a ver todos os meses.

    Pessoalmente eu não me importo de ensinar o que sei, aconteceu ontem com uma menina que veio ter connosco (eu, lenia e sofia) e tinham-na literalmente mandado para ao pé de nós ;)

    Talvez se possam organizar uns encontros especiais para quem queira aprender os básicos? Eu e a minha casa estamos disponíveis para um grupito pequeno, acho que vou pôr lá qq coisa sobre isso no site.

    … e já agora aquelas fotos ontem e as meninas a fazer perguntas era para o quê?

    ps. e o teu nº devia ser confidencial (ele há com cada maluco prai)

  10. Acho que tens razão. Ontem foi a primeira vez que fui ao encontro das tricotadeiras, e achei que seria bom ter um tempo para tricotar sossegada, conversar um pouco, e trocar algumas ideias. Estava um pouco confuso, com as jornalistas sempre no meio, e para mim que sou um pouco envergonhada, ainda me inibiu mais de conversar. Acredito que para ti isto seja um stress!

  11. Pois…compreendo o desabafo…aliás, comecei a ficar inibida de aparecer nos encontros quando percebi que se estavam a tornar numa enchente!

    Na próxima 4º espero estar presente no encontro da margem sul…vamos a ver no que dá :o)

    Um beijinho grande!

    Inês

  12. Ontem foi a primeira vez que fui a um destes encontros. Cheguei atrasada e como o café entretanto ia fechar, acabei por quase não “aquecer o lugar”. Ainda troquei uns deditos de conversa com a Filipa, Ana e Débora (que não conhecia) e fiz umas quantas carreiras de um cachecol.

    O que a lenia refere como “a enchente” penso ser normal de qualquer coisa que une as pessoas e que começa a ter divulgação.

    Eu tenho um pequeno grupo de amigos que conheci devido a um interesse comum: os gatos e o combate ao abandono. Conhecemo-nos através do antigo site Felinus que entretanto cresceu, tanto em termos de site como em número de membros. De tempos a tempos também há um encontro. E isto só para referir que no primeiro encontro eramos menos de 10 pessoas e no último mais de 80! O que acontece nestes mega-encontros é que inevitavelmente se formam pequenos grupos pois é impossível estar com todos ao mesmo tempo, mas continuam a ser muito divertidos e bem-dispostos e claro que também estafantes para as pessoas que o organizam.

    Raquel

  13. Não sei como não tiveste este desabafo há mais tempo, deves mesmo ser uma pessoa fantástica! Desde que vi o número de pessoas inscritas no meetup a aumentar muito, que ando para dar uma sugestão à imagem do que se passa aqui no sítio onde vivo. Embora o clube SNB local tenha muitas pessoas inscritas só aparecem nos encontros entre 3 e 15 pessoas. Acho que umas das razões pelas quais isto acontece é que temos 2 a 3 encontros semanais. Dois deles sempre no mesmo sítio, de forma que não é necessário muito esforço de organização por parte de uma só pessoa. E o terceiro só acontece raramente e, é normalmente, em casa de uma das pessoas do grupo. Claro que este grupo como já tem alguns anos, não conta com o factor novidade…

    Para ti Rosa, uma outra sugestão: põe o número de telefone em nome de outra pessoa ou tira-o mesmo da lista…infelizmente, há pessoas que desconhecem o sentido da palavra liberdade.

  14. Para mim trocar ideias e ensinar faz parte do interesse destes encontros. Mas isto enquanto se tricota e se conversa, não em vez de.

    Como em tantas coisas, o problema é encontrar um equilíbrio, o que tb é muuuuito mais complicado quando os grupos começam a ser muito grandes. No Porto ainda não tivemos esse problema…

    A maior complicação deve ser mesmo organizar o evento, especialmente se fica todo o trabalho à tua conta.

    Hang in there.

    jinhos

    Filomena

  15. Rosa, tenho muita pena que as coisas não estejam a correr como as pensaste. Em relação aos jornalistas também acho que já é altura de os deixarem lá fora. Em relação ao número de pessoas que vai aos encontros, tem de haver um controlo, mas de modo a que ninguém fique perjudicado. No que diz respeito ao ensinar/aprender, eu penso que estes encontros são também isso, troca de ideias, experiências, novidades, mas lá está com peso e medida. A ideia do workshop é excelente. Eu não sei muito de tricot, mas se quiseres que te ajude na organização diz, tá?

    Beijinhos para ti e para a tua linda E.

    Sílvia (lipgloss)

  16. no porto/braga ainda não tivemos desses problemas, mas suponho que seja natural em grupos maiores. de resto, adivinho já que, à semelhança de tantas cadeiras da faculdade, os entusiastas de ocasião se fiquem pelas primeiras aulas e depois tudo estabiliza… :)

    força aí e beijocas.

  17. Antes da Rosa ter afixado este post eu já tinha desabafado com ela. Ontem também me senti um bocado cansada e invadida. Por máquinas fotográficas de que desconheço a origem, por fumo de tabaco, por expectativas alheias. Não tive oportunidade de usufruir como gostava da companhia da meia dúzia de pessoas que conheço apenas dali, mas com quem sinto que me identifico. Não consegui tricotar uma única carreira. Por isso compreendo a Rosa, que tem aqui a vida a descoberto. “Nem mesmo as bonecas estão sempre a sorrir”(30 Abril 2004).

  18. A mim, que estou de fora mas adoro tricotar também me parece que a coisa banalizou um bocado… Não sei qual era a ideia a princípio, mas, depois da televisão e dos jornais parece que foi um pequeno espaço mais alternativo que virou uma moda de massas!

    Quando começaram com os encontros tinha imensa vontade de aparecer num, mas entretanto confesso que desanimei…

    Até pensei formar um grupo aqui em coimbra mas, vendo no fenómeno que se está a tornar o caso, desisto!

    Prefiro fazer aconchegada à lareira com o Otsy aos pés… :)

    Beijinhos e boa sorte para domar esse pequeno “polvo”…

  19. Acho que a febre é capaz de durar algum tempo e depois parar. (Foi assim com o Bookcrossing, com os blogues em geral…) De qualquer forma, ninguém é obrigado a desempenhar um papel em que não está interessado, não é?

  20. Ontem esqueci-me de dizer uma coisa, acho muito boa ideia um workshop para iniciantes. Desde que estejas (ou esteja alguém, uma equipa por exemplo) com pachorra para isso.

    A pagantes, claro.

    Se há assim tantas pessoas nos encontros a querer aprender, decerto estariam dispostas a pagar uma pequena quantia para ter 2 ou 3 três horas de aprendizagem mais dedicada.

    Seja como for, força. Concerteza este boom vais acalmar dentro de pouco tempo.

    jinhos

    Filomena

  21. chamo-me ana pereira e era uma das ‘meninas’ que esteve no encontro a fotografar. a outra ‘menina’chama-se adriana bolito e e jornalista.

    sou fotografa freelance e o meu trabalho è encontrar historias que me parecem interessantes e conta-las.

    quando descobri o blog da rosa e este novo movimento de knitting, pareceu-me uma historia interessante para contar.

    fui ao encontro depois de pedir autorizaçao à Rosa e explicar-lhe o que gostaria de fazer.

    expçicaÇões dadas, atè breve, com ou sem knitting e maquinas…

    ana pereira

  22. claro que concordo contigo.

    foi a primeira vez que fui a um encontro, por ser talvez a única tricotadeira futebolista com treinos à segunda que por lá pára, e não correspondeu de todo à imagem que tinha. vi-te tarefada com mil e uma coisas enquanto a lã repousava à minha frente durante todo o tempo (e que bem que está a ficar!). como levei uma meada passei grande parte do tempo a enrolar um novelo que, para cumulo, alguém me pediu emprestado para aparecer nas fotografias!(quem é que vai para um encontro de tricot sem lã e agulhas!?!)

    certamente que não vos aflige ensinar uma coisa ou outra sobre tricot mas o que eu vi foram explicaçõe intensivas,quando vocês estavam ali apenas para se divertirem. sei que longe de objectivas, de televisão ou fotográficas, as pessoas a aderir serão menos.a criação de novos grupos e o aumento do número de encontros também ajudará. sem me querer alongar mais…espero que as coisas sejam mais tranquilas da próxima vez.

    três grandes beijinhos para a casa-polar*

    prometo que não farei mais comentários sobre altitude vs. temperatura :)

  23. I hope that you can work out a way to have fun in your meetings, we are four but we have great fun!!!

  24. Rosa, querida, não desanimes com isto dos encontros. De tudo isto que li, resulta para mim que se calhar está na altura de se pensar o que se pretende, de facto, com a organização deste grupo…:

    – divulgar o encanto do tricot e as suas enormes possibilidades? parece-me já muito bem conseguido e estás sem dúvida de parabéns!

    – proporcionar encontros? Mas com que objectivo??? Parece-me que será inevitável um crescente de gente, mas que creio ser mais inicial, não? Talvez depois a coisa reduza e establize, tornando-os logisticamente mais fáceis. Acho que já aqui foram dadas algumas dicas que poderão ser soluções para este “problema”: aumentar a regularidade dos encontros, de forma a que as pessoas não se concentrem tanto num único encontro mensal, que ninguém quer perder; por exemplo, arranjar um local público e hora onde se poderão encontrar informalmente pessoas a tricotar uma vez por semana ou de 15 em 15 dias; desdobrar encontros (encontros à semana e encontros ao fim de semana), que se poderão a adequar mais a pessoas com mais ou menos compromissos (familiares p. ex); organizar “encontros/workshops/ateliers/seilá” mais temáticos (e aqui entraria claramente um mais dirigido à iniciação básica…).

    Eu por mim gosto dos encontros sobretudo porque potenciam encontrar pessoas com algo em comum que será esta paixão pelo saber fazer e ver nascer obra, que nos mostram que há mil coisas giras a fazer ao nosso alcance. E não espero que seja neles que vou fazer imenso tricot, o que entendo ser um equívoco…Sinto claro, que por serem sobretudo encontros curtos e um pouco “atropelados” por tanta gente, o contacto acaba por ser apenas aflorado. Fiquei por exemplo um bocado irritada comigo propria por ter visto com agrado uns “punhos” com muito charme que a Ana trazia e ter acabado por não lhe transmitir isso…Mas talvez com o tempo se consigam encontros mais tranquilos e se desenvolvam “empatias” e afinidades que dêm os seus frutos.

    Não queres lançar algumas perguntas no site sobre o que as pessoas “gostariam” destes encontros e se há interesses mais “temáticos” para juntamente com o balanço sobre o que as pessoas acharam deles (que já está no questionário) ajudar a orientar em que se sentido se poderá evoluir??

    Desculpa ter me alongado tanto… mas sobretudo quero transmitir-te que acho que está a valer muito a pena, o teu empenhamento neste grupo. Força!

  25. Olá, não fui aos encontros, logo não sei como correu. No entanto, quando vi a exposição que os encontros começaram a ter assustei-me porque comecei logo a pensar naquelas pessoas que apenas procuram essa mesma exposição e não um encontro relaxado onde possam aprender qualquer coisa mais e conversar um bocado. Daí o meu afastamento, continuo a aprender com uma “velha” amiga que me ensinou tanto em tão pouco tempo, para eu poder dar asas ao que já sabia. Vou continuar a tricotar, mas no café quando os meus amigos me convidarem para tomar um cafézinho… como sempre tenho feito. Beijinhos e relaxem, não há o que criticar. Ninguém se pode sentir ofendido por ouvir o que não gosta. E há que manter o espírito de quem deu “lume” e vida a esta ideia tão boa.