o forward do óleo

Na semana passada recebi pela enésima vez o forward do óleo (e eu que detesto forwards). Desta vez vinha de um remetente brasileiro mas o conteúdo era o mesmo: um texto que, com a melhor das intenções, apela a que os óleos alimentares que usamos em casa sejam postos no lixo dentro de uma garrafa de plástico, garantindo que assim, as nossas garrafinhas serão abertas e vazadas no local adequado, em vez de irem juntamente com os esgotos para uma ETA (Estação de Tratamento de Águas). A verdade é que, tendo percorrido os sites do Ponto Verde, da empresa que processa os resíduos sólidos de Lisboa e do Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da CML, não encontrei nem um parágrafo dedicado ao tratamento dos óleos alimentares. Através do Google aparecem apenas notícias de iniciativas isoladas de recolha de óleos usados pela indústria e restaurantes e páginas como esta. Não acredito que haja funcionários a abrir as garrafas de plástico que vão misturadas no lixo para ver se o que lá está dentro é óleo para reciclar (blherrque!). Se todo o lixo que produzimos fosse triado manualmente não havia grande necessidade de ecopontos… Resta-me aguardar uma resposta ao email que enviei para a DHURS.

Entretanto, mal ou bem, lá entreguei a candidatura aos Jovens Criadores. Escrever sobre o que faço com o intuito de impressionar um júri invisível é uma tarefa penosa. Não estou nada confiante. Na fila para tirar as cinco fotocópias de que precisava, outra rapariga armada de ficha de inscrição. De casaco vermelho e quase tão despenteada como eu, segurava os CDs e papeis de forma ainda mais insegura e olhava para os lados como se esperasse a todo o momento que alguém lhe fosse dizer qualquer coisa desagradável, o pouco que faltava para a demover e fazer com que fosse para casa lavada em lágrimas. Devia ter-lhe oferecido um chocolate.

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