lá em baixo

Escrevi isto há quase dois anos, convencida de que estava a falar de uma questão praticamente resolvida. Passei a manhã de hoje ao telefone a tentar mais uma vez resolver o problema que naturalmente se agrava de dia para dia e já atingiu proporções para nós insuportáveis. A solícita assistente social da SCML ficou logo na altura de mãos atadas: por um lado a delegada de saúde determinou não haver razões suficientes para ser necessária qualquer acção da sua parte (outra coisa não seria de esperar, visto qualquer esforço lhe dar mais trabalho do que esforço nenum) e por outro a filha da dona F. (de quem seria necessário obter uma autorização verbal), jamais vista dentro do prédio, afirmou dar à mãe todo o apoio necessário.


Os meus contactos de hoje foram com uma linha de atendimento ao munícipe da CML e com a Linha Nacional de Emergência Social do MTSS. Com o primeiro telefonema soube que não sendo a D. F. inquilina de uma habitação pertencente à CML esta nada pode fazer. No segundo aconselharam-me a contactar novamente a SCML, única instituição que poderá efectivamente insistir no assunto e eventualmente resolvê-lo. Sendo ateia* praticante e fervorosamente laica, custa-me ter de delegar responsabilidades que atribuo ao Estado numa instituição que se intitula santa. Mas a luta continua e, segunda-feira, quando houver alguém que não o segurança do outro lado da linha, é para lá que ligo logo de manhã.

*ateia apesar de, como a Eva, preferir a forma masculina da palavra.

6 comments » Write a comment

  1. r. há dois anos lutou, r. agora começa nova senda.

    r. gasta tempo e dinheiro seu em telefonemas.

    r. desgasta-se emocionalnalmente.

    E r. se calhar só consegue resolver a situação se Dona f. morrer, ou então (como se vão resolvendo esporádicos e similares casos) a televisão invadir a casa de Dona f. expondo-a ao olhar público nacional.

    O triste é que há muitas F’s, e poucas R’s.

    Infelizmente, eu não sou uma r. sou uma s..

    Sandra Pereira

  2. É vergonhosa a forma como os idosos são tratados neste país… Muitas das vezes é mesmo necessário expor este tipo de problemas nos media para que alguma coisa seja feita. Ninguém gosta de ser ‘deitado a baixo’ em praça pública. Quando já não houver alternativas fica a sugestão.

  3. E a filha da D.F.?… se ela disse q ia tratar do caso, n seria de insistir por ai?… é q eu julgo q haja alguma hipotese… até novembro, qd a minha avo que sofria de alzheimer morreu, todos os dias iam la a casa duas vezes por dia umas senhoras tratar da higiene dela, visto q o meu avo sozinho n era capaz de o fazer. Penso q pertenciam a misericordia, mas n consigo ter a certeza… de qq modo, continuam a ir la buscar roupa suja e entregar lavada ao meu avo… e julgo q farao mais, mas no nosso caso, como o meu pai lhe consegue prestar mt apoio, n é necessario. Vou arriscar dizer q tratam da roupa, limpeza(q o meu avo n precisa pq tem uma senhora q la vai a casa), e ate alimentaçao… de facto e incrivel como as pessoas n se preocupam c o estado das pessoas q ja n sao capazes… sera q n entendem q um dia chegaremos tds ao mesmo? De qq modo, parabens senhorita rosa… exemplos como o teu ha poucos! beijo grande!

  4. estas questões são muito complicadas…como técnica de serviço social, penso que só mesmo uma técnica da misericórdia (que tem nas mãos os processos de acção social que noutros locais estão a cargo da seg. social) poderá tomar o caso nas suas mãos e fazer pressão sobre a filha de f…

    beijinhos,

    inês

  5. Aconteceu-me há pouco um caso “idêntico” com uma obra, que soube pela câmara ser ilegal (como eu propria já calculava).

    Disseram-me que teria que ser eu a telefonar para a policía municipal- estes nada fizeram. Depois disseram para eu telefonar para o inspector da zona…

    Como se já não bastasse eu ter alertado a câmara para a obra, eles afirmarem que era ilegal e depois estarem nas tintas.

    Este apenas estava procupado com o nome da pessoa que me forneceu a informação de que a obra estava ilegal (sabia lá o nome, foi uma pessoa do gabinete de urbanismo).

    Resumindo:

    Gastei dinheiro a telefonar, latim a falar, para no fim mesmo todos sabendo que era algo ilegal, alguem se ficar a rir…provavelmente o inspector de mãos “besuntadas”…e ninguém fazer nada!

  6. Rosa,

    temos que insistir, chatear e voltar a insistir.

    Se não formos nós a tentar resolver estes casos gritantes, ninguém faz nada. A indiferença é que reina. Força e não desistas.

    Beijinhos