mrs. hyde

pintar


A Ana veio ontem ter comigo, numa altura em que, vítima aguda de TPM, já tinha dado ao F. argumentos suficientes para me fechar na dispensa. O ponto alto foi ao fim da manhã. Eles tinham ido à rua e eu liguei a televisão enquanto trabalhava, na esperança de encontrar este senhor. Enganei-me no canal e acabei por ver talvez três minutos de um programa comemorativo do dia de Camões que me deixou envergonhada até agora. Como é possível que um canal do Estado faça um programa naqueles moldes? Que interesse tem cortar e montar n entrevistas de rua com o objectivo de mostrar que os Portugueses se sentem muito orgulhosos de o serem, que Portugal é muita giro por causa da praia? Como é que se põe no ar um constitucionalista a falar da necessidade de defender a raça portuguesa e se explora ao exagero quem (mesmo) sendo português conseguiu alguma notoriedade noutro país (a lógica é sempre esta)? Confronte-se o tom do programa com as notícias do fim-de-semana e a reportagem sobre Marco de Canaveses da Pública e releia-se Orlando Ribeiro para ter mesmo a certeza que que as fronteiras portuguesas são mesmo só uma construção política. Nem é preciso TPM para ficar mal-disposto.

Mas a verdade é que graças à Ana passei o resto do dia a pensar em coisas melhores. Passei-lhe alguns bocadinhos da minha enorme colecção de papéis e agora fico à espera de ver nascer mais papelsonagens.

E, para (me) animar, uma deliciosa inutilidade tricotada, via Chuculeta con Ratón.

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