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O meu velho maple mudou de canto na sala e finalmente (mais uma vez graças à ajuda do Miguel) as pinturas acabaram. Amanhã montamos o último móvel e podemos arrumar as coisas que tivemos de ir empurrando de divisão para divisão (manobras que acabaram com a nossa cama a invadir o quarto da E., único em que ainda havia espaço).

Depois de um jantar, ontem, em que fiquei a saber ainda mais pormenores sobre a vida de uma das pessoas da minha família que mais pena tenho de não ter conhecido e por quem sinto maior admiração (o meu bisavô materno, que dedicou toda a sua vida a lutar contra o regime fascista em Portugal), hoje tive a sorte de conhecer uma mulher fora de série. É a Maria João Freitas, que conhecia já de nome pelos textos que assina na revista do Público e por ser directora da minha revista portuguesa preferida, a Alice do Clube de Criativos. Entre muitas outras coisas que partilhámos sobre a vida e o trabalho de cada uma soube que foi ela quem concebeu o guia de compras de Campo de Ourique (chama-se Campo de Ourique Shopping), que é de tal maneira útil e bem conseguido que foi entretanto descaradamente copiado para outros bairros da capital (para proveito dos lisboetas, é verdade, mas com uma enorme falta de escrúpulos e de imaginação). Em dias como o de hoje não tenho pena nenhuma de não ter voltado para Nova Iorque.

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