o infantário (continuação)

vintage ribbon

[Em resposta aos comentários] A E., pelo menos para já, vai para uma escola normal que fica a poucos minutos de casa e de onde não quis vir embora de todas as vezes que fomos lá habituar-nos ao espaço, às pessoas e à ideia. O prédio desta escola é grande, cheio de luz e bem-cheiroso e a educadora-mor inspirou-me confiança desde o primeiro encontro. Tem um pátio ao ar livre à escala e o dia-a-dia dos meninos dos três anos para cima parece ser bastante recheado de actividades diferentes. Sobre o que fazem os mais pequeninos (com quem a E. ficará nos primeiros tempos) não me sinto tão optimista. Ando à luta com as minhas ideias feitas acerca das educadoras de infância (o que vi até hoje não me tem animado muito) e sobre os repertórios musicais e visuais dos infantários em geral.


Poucas pessoas me influenciaram tanto como os (poucos) professores excepcionais que tive (entre os quais se contam a professora que me deu aulas na terceira e quarta classes e o meu muito querido e recentemente falecido mestre Luís Krus) e acredito que uma educadora de infância excepcional tem a mesma importância na formação de uma pessoa do que um professor universitário brilhante. Claro que há maus professores em boas escolas e que o inverso também acontece de certeza, que numa escola há muitas coisas que contam para além do educador propriamente dito e que toda a gente acaba por sobreviver, melhor ou pior. A quem já passou pela maternidade há mais tempo tanta picuinhice até parece exagerada, mas para mim esta questão da escola (quando, onde e como) tem sido central (e mais geradora de angústias do que qualquer outra) na sucessão de escolhas que é o dia-a-dia de criar um filho.

Se não fosse tão longe e fora do orçamento, não tinha grandes dúvidas em increver a E. nesta escola, para a qual trabalhei como bus-lady durante parte da gravidez e que me impressionou pela positiva em quase tudo (Inglês como língua principal a par do Portugês, multiplicidade cultural, formação e informação dos professores e auxiliares, espaço e mais espaço, equipamento, qualidade e variedade dos trabalhos realizados pelos alunos, etc. etc.) mas, para já, ficamos pelo bom dentro do normal, de olhos bem abertos para ver como correm as coisas e com a certeza de que é também dos pais a responsabilidade de fazer da escola um sítio melhor.

14 comments » Write a comment

  1. não sei se isto submeteu o meu comentário… se submeteu apaga a 2ª tentativa e desculpa… Dizia eu que tenho acompanhado este assunto e os comentários, mas que penso nisso sem ser mãe e longe de o ser por enquanto. Mas que penso que o melhor é a decisão ser agradável para pais e filha. As opiniões hão-de ser sempre distintas porque ainda que se baseiem no facto de os pais quererem o melhor para os filhos, o melhor ao olhos de uns não o é aos olhos de outros…

  2. a escolha deve ser complicadíssima!

    há que arriscar, pois nunca se sabe!

  3. Eu pessoalmente se tivesse na tua situação escolheria uma escola com uma metodologia de ensino da escola moderna. E que recorresse à educação pela arte. Não digo isto por estar a trabalhar num colegio com estas metodologias mas por ser o que acredito realmente onde existe negociação e mt criatividade pelo ar.

    Mas acho que o importante é não ter medo e escolher pelo que transmitir mais confiança e mais liberdade em relação às escolhas de cada criança.

  4. Partilho dos mesmos dilemas…

    É pena o St D. e St julians só terem apartir dos 3 anos. Conheçes o St Julians em Carcavelos…aqui fica o link : http://www.stjulians.com/ aqui há currículo bilingue apartir do 1.º ciclo…

    *

  5. Já sou mãe à 5 anos, não é grande experiência, temos muito que aprender e as maiores lições são as crianças que nos dão e acho que a preocupação que está a ter é perfeitamente legítima, doi-nos o coração só de pensarmos que não vamos estar sempre a aparar cada queda, a beijar cada dói-dói e que temos de deixá-los crescer, tenho vindo a aprender cada vez mais que a felicidade deles parte por aí, deixá-los crescer e quando há dói-dói saberem que a mãe está sempre cá para dar beijinho.

  6. Olá, Rosa.

    A minha filha é mais novinha que a E. Aos 7 meses, em Fevereiro, tive que tomar a mesma decisão e… lá foi ela para a “escolinha”.

    No dia em que a deixei, custou horrores e pensei: “que mãe é esta que opta por ficar em casa (a trabalhar, é certo) mas obriga a sua menina a ficar fora de casa?” Os avós, bem como restante família, estão longe e eu e o meu marido, por cá, só podemos contar connosco. A quantidade de tempo que passava com a C. nem sempre era sinónimo de qualidade (muito repartido entre correrias para o computador, telefonemas com clientes interrompidos por choros e pedidos de atenção CONSTANTE) e muitas vezes pensei: “eu não nasci para isto…”

    Ok, ok, já estou a imaginar os comentários das mães fervorosas (que invejo)… mas que posso dizer?… vim com defeito…

    Não estarei a ser politicamente correcta mas, pelo menos, estou a ser verdadeira comigo e fiel a um dos meus princípios: a C. estará tanto melhor, quanto melhor estivermos nós (pais) também. Não, não é egoísmo, é a mais pura verdade.

    Invejo-te, pareces-me bem mais paciente, dedicada e descontraída que eu e, no entanto, tenho a certeza absoluta que AMO a minha filha tanto quanto tu amas a tua e que lhe quero o mesmo Bem.

    No final de tudo isto, o infantário revelou-se uma boa surpresa! A auxiliar é um amor, os amiguinhos também – claro, puxam chupetas, puxam cabelos, roubam bonecos – mas é o máximo ver as suas caras de alegria quando a C. chega (e vice-versa). A C. COME lá como nunca a vi comer em casa e até já pedi (em tom de brincadeira) que guardassem os “restos” para trazer para o jantar.

    Nunca a acordo para sair por isso, antes das 10h ás vezes 11h, não chega e, sempre que posso, vou buscá-la mais cedo (não sei se na idade da E. poderás fazer o mesmo).

    Quanto ao repertório musical, resolvi o problema oferecendo uns CD’s (elas adoraram!); quanto ao repertório visual, estou a pensar levar uma ilustração/quadro para a salinha dela e tenho a certeza que, dependendo do modo como as coisas são feitas, elas vão adorar também. Geralmente, são abertas a todos e quaisquer projectos que envolvam os pais e, por isso, ando a congeminar novas ideias para o ano que vem…

    Nem tudo são rosas mas, afinal não é isso a nossa vida?

  7. Penso que sei qual é esse infantário e tenho a certeza de que ela vai adorar, é muito agradável e tratam bem as crianças.

    Quanto aos reportórios e afins, a vida de uma criança não é o infantário e se as musicas são boas ou más ou se o livro é X ou Y, e a maior parte de nós o que tem de mais rico ganhou com os pais e não com a escola.

    Se bem que é imprescindivel que a criança seja motivada/estimulada e obviamente bem tratada quando lá está. E em casa é que isso não acontece quer se queira quer não, das coisas mais importantes é estar rodeada de outras crianças e aprender a sociabilizar e partilhar, coisa que dificilmente conseguirá atingir em casa.

    As escolas particulares, ao contrário do que muita gente pensa, são cheias de vicíos e de problemas, muitas vezes ainda piores do que as outras.

    E já agora aproveito para acrescentar que são as que mais mal pagam aos professores, e sendo o seu intuito fazer dinheiro, penso que muito boas coisas não podem advir daí.

    Boa sorte :)

  8. A Mariana também vai para a escola em Setembro, uma escola normal. Pareceu-me a melhor das que vi por aqui, mas estou cheia de medo. Durante Setembro vai ser aos poucos, mas depois vai ter que ficar o dia inteiro. Isto já estava planeado, mas agora eu vou ter um emprego novo e vai ser mesmo necessário. Eu sou muito solidária com a mamã que diz que quanto melhor estivermos nós, melhor estarão eles. Também me angustio horrores a achar que há quem tenha muito mais paciência, quem deixe de trabalhar, quem possa deixar só algumas horas por dia. Eu não sou assim e não posso. Quanto às escolinhas, esta é normal e a piolha está pré-inscrita na Torre que é escola moderna, mas parece que é muito difícil de entrar. Já agora Cláudia qual é a tua? Só conheço mais a Fernão Mendes Pinto.

    Eu andei sempre em escolas públicas e correu tudo bem, mas só entrei com 6 anos. Confesso que tenho da minha infância uma ideia geral de tédio. De estar sempre sozinha, com crescidos, de inventar amiguinhos. Acho que umas quantas tosses são preferíveis. A St.Dom é para aqui, mas pelo que sei, caríssima. Ai, ai.

  9. Ou o St. Dominics mudou muito de há 15 anos para cá, ou ainda bem que está fora do vosso orçamento… Andei na parte portuguesa desse colégio e fui colega, dos 10 aos 15 anos, de 2 ex-alunas da parte inglesa e posso dizer que foi das coisinhas piores que me aconteceram! A componente educacional deixava muito a desejar, a qualidade de ensino não satisfazia e a “fauna” era indescritível. Quanto à lavagem cerebral religiosa quotidiana (que nos obrigava a rezar Avé Marias em inglês – antes de as sabermos em português – antes de cada aula, ou seja de 50 em 50 minutos), entrei agnóstica e saí ateia ou vice-versa. A alimentação era tão variada e boa que todas as semanas dava direito a intoxicações alimentares (para não falar da minha alergia à pescada que era tida como capricho de criança que não queria comer peixe à sexta-feira e que as freiras irlandesas teimavam em contrariar forçando-me ao internamento hospitalar durante o fim-de-semana, não obstante a declaração médica…).

    Mais: a ideia peregrina de que o uso de farda esbate as diferenças económicas é ridícula. Há sempre maneira de desvirtuar a farda com uma camisa, uma camisola ou uns sapatos de marca, para além de todo o material escolar “avec”.

    Ainda: duvido que contribua para algo mais do que a repelência o ser-se castigado no primeiro dia de aulas por se correr! Simplesmente. Sem mais nem menos. É que correr “não fica bem” num colégio religioso porque significa apressar o tempo do Senhor! É autêntico! Aconteceu comigo e a resposta foi esta (em inglês, claro).

    Garanto que não punha filho meu num contexto destes. Ainda bem que a safa da E. é a falta de verba…

  10. Fiquei surpreendidada com o comentário do St D.

    Posso dizer por experiência própria, porque conheço muitos professores e eu própria acompanho alunos no horário pós aulas bem como relizo oficinas, no St Julian´s não é assim…até porque não é explicitamente religioso…tem educação moral quem quiser…é um colégio normal onde as crianças correm imenso nos relvados…a comida é normal e boa…a directora da parte portuguesa é excelente em termos humanos e profissionais…é um colégio familiar com uma turma por cada ano até ao 9 .º na parte portuguesa e depois há a parte Inglesa que já existe há cerca de 60 anos…é realmente bom…a parte má são as mensalidades…um pouco elevadas mas existem pais que fazem alguma ginástica para terem lá os pequenos, são opcções!

    Eu sempre frequentei o ensino oficial e tudo correu normalmente!

    *

  11. sei que esta irá ficar mais longe ainda, mas se servir de inspiração do que, na minha opinião e na minha prática, é uma escola extra-ordinária, visite http://www.sapereira.com.br

    não tem relvados nem grandes espaços disponíveis, a não ser os interiores, dos profissionais e dos alunos.

    era numa escola assim que eu queria ter estudado.

    :)

    boa sorte para vocês!

  12. Se a E. se sente feliz quando vai ao infantário e o ambiente geral te agrada, todas as outras falhas podem ser coltamadas de outra forma.

    Pelo que vejo a E. és estimulada muito acima da média.

    Bem, mas como disse não sou mãe. Só espero que ela se sinta feliz etu e o teu marido também com a vossa escolha.

    Sandra

  13. Eu de novo, adorei a foto, com as barrinhas bordadas, que parecem com as dos bibes das crianças.

    Sandra

  14. Chamou-me a atenção este texto por várias razões: porque sou professora e sei bem a importância de “marcar” as vidas dos alunos que vão passando por nós; porque também acho que apenas os professores excepcionais, a nível humano, pedagógico, científico permanecem em nós, para sempre, em palavras, opiniões, saberes partilhados; porque partilho com a autora a opinião sobre o professor Luís Krus, com o qual tive o privilégio de frequentar uma acção de formação. Considero-o um dos melhores seres humanos que conheci e fiquei profundamente tocada com a notícia da sua morte.