o meu primeiro dia

na escolinha, a doer, foi hoje. Chegámos cinco minutos depois da hora, o suficiente para encontrar os meninos mais pequeninos no momento crítico depois da partida dos pais. Ela já ia pouco confiante e eu cometi o erro (sei lá se foi erro) de pensar que era melhor ficar mais um bocadinho até as coisas acalmarem.


Começou a chorar. Todos os esforços diplomáticos meus e das educadoras para a convencer a deixar-me ir de boa vontade foram em vão e de soluço em soluço desatou no pranto mais angustiado dos seus dois anos e meio de existência (aquele que só conhece de facto quem já passou pelo mesmo). Trepou por mim acima e alapou-se de braços, pernas e pescoço. Nem a ida para o pátio cheio de meninos contentes a demoveu. Guinchou tantos Agora não posso! como os convites que lhe dirigiram, tantas vezes que decidi que hoje não podia mesmo. Quando consegui acalmá-la expliquei-lhe que se ela hoje estava mesmo muito triste podíamos ir embora. Já conversámos sobre a ida de amanhã e sei bem o que diz a literatura da especialidade. Amanhã leva-a o pai.

25 comments » Write a comment

  1. até respirei fundo ao ler isto

    deve ser uma luta difícil essa mas tenho a certeza que vai correr tudo bem.

    e toda a sorte do mundo para a loja, a rosa merece

    um abraço

  2. Cara Rosa, benvinda ao mundo dos “little tantrums from hell” e aos “terrible twos” como lhes chamava a pediatra do meu filho que tem agora tres anos e meio, se a isso juntarmos “escolinha” mais “ansiedade da separacao”…ainda esta manha passei pelo mesmo; depois das ferias tambem se torna muito complicado. Enfim, nada que umas boas doses de miminho e muita paciencia nao resolvam…

    Gostaria de aproveitar para lhe desejar a si e as suas amigas muitas felicidades para a loja.

  3. Amiga

    Eu sei, eu já ouvi o choro, já senti os apertos, nos braços e no coração. A Mariana já não chora tão estridente, parece que vai passando. Ah, e quase não chora quando é o pai. Abraços.

  4. Espero que amanhã corra melhor. Suponho que fiques também um pouco abalada com isto tudo! Certamante que a E. estava habituada a um ambiente mais calmo sem miúdos aos berros, e portanto é normal que fique perturbada.

    Acho que fizeste bem trazê-la para casa. Espero que ela não se aperceba do poder do choro e repita a cena amanhã!

  5. Rosa, seguramente que fue peor para tí que para ella. Y seguramente tú aún le estás dando vueltas, mientras ella está encantada jugando y no se acuerda de nada.

    Ánimo.

  6. vai passar. uma semana, 15 dias, mas vai passar. toda a gente que passou pelo mesmo, disse “acaba por passar”.

    Mas algum dia ela vai ter que ficar lá a chorar (e nós a achar que os abandonamos).

    Acabam afinal por achar que a escola não é tão interessante como elas a tinham pintado nas suas cabeças.

    Mas vai passar.

  7. Quando acabou o período de adaptação da minha filha, ela, que andava muito bem, começou a chorar muito na hora da despedida, se agarrava a mim, berrava,… E meu marido me disse que não a levaria mais à escola, pois não agüentava vê-la chorar assim. Meu coração se despedaçava a cada vez, mas eu percebi:

    1) que o choro dela não durava nem 30 segundos depois que eu saía (é claro que eu ficava escondida escutando ela se acalmar…);

    2) Quando ia buscá-la , ela estava toda satisfeita, brincando, vinha correndo pro meu colo e começava a contar as novidades;

    3) No dia seguinte queria voltar à escolinha e ia toda contente pelo caminho.

    Então, percebi que ela realmente gostava da escola e que o que lhe doía era somente a despedida, muito natural, quer ficar com os pais.

    Passei a adotar os seguintes hábitos:

    Quando começo a arrumá-la para a escola, começo a falar: “Hoje quem vai a escolinha sou eu. Eu quero ficar lá, pintando. Eu que vou fazer natação. Vou usar o seu maiô, a sua touca… Eu que vou ficar no colo da Flávia (professora), etc.” E ela sempre me responde: “Não, não pode!” E eu respondo: “Por quê? Porque lá é o seu lugar? Porque lá não tem gente-grande? Porque lá só pode ficar criança?” Como se estivesse perguntando, vou explicando e reforçando estes conceitos para ela. Porque a dor da despedida ela vai sentir, mas acho que o mais importante é ela saber o que se passa, entender a situação.

    Outra medida que tomo é que a despedida seja o mais breve possível, pois aprendi, que quanto mais se alonga, pior fica e mais registrado em sua memória também. Então, chego lá brincando com ela, rindo, quando chega na porta da sua sala , ela já me agarra, eu passo ela à força para o colo da professora, olho em seus olhos e digo: “A mamãe já vai. Eu VOLTO mais tarde. Tchau!” E não importa o quanto ela chore eu não vacilo, vou mesmo. Me escondo e fico escutando…

    Os choros tem diminuído cada vez mais, ontem foi o primeiro dia que não chorou.

    Desculpe o ENORME comentário, mas achei que podia ajudar de alguma forma.

  8. Força, Rosa! (Que agradavelmente estranho dirigir-me a alguém com o mesmo nome que eu…)

    Os conselhos da Isabel são excelentes! :)

  9. :(

    não posso deixar um testemunho de mãe!

    mas posso deixar um abracinho, com um Tap! Tap!

    Compreendo a E. às vezes tb me apetecia ficar com os meus pais, em vez de ir para a escola.

  10. Estou encantada com o teu blog.

    E encantada com a tua filha. É linda. Mesmo linda.

    Somos vizinhas. Tenho um bar na Rua da Rosa (165).

    Quando o G. foi para o infantário chorei mais eu do que ele. A adaptação foi rápida. A mim ainda hoje me custa.

    Amor de mãe é assim.

    A eles torna-os mais fortes.

    Os adultos felizes são os que aprenderam a lidar com as frustações.

    Quero um avental estojo!!!!

  11. Só para dar uma nota, hoje o meu filho de quase 4 anos, depois do jantar, quando corria para ir brincar, ao abraçá-lo, disse-me expontaneamente… “Mamã, hoje a escola foi muito boa…!”

    E depois ao ler o mensageiro, soube que tinham estado a fazer experiências com objectos na água da piscina insuflável, para ver como se comportavam e que tinham tido ouvido uma história (a floresta da gota d’água) acompanhada com música e gestos.

    Na verdade nunca tinha ouvido este comentário…

  12. i can’t make out this entry entirely but i think i get it …

    all things take time! all things go in nice easy stages. {of course they are not always easy but you know what i mean}. i am thinking of you … xox, mav

  13. Olá Rosa

    Não tenho respondido mas tenho acompanhado estes 1ºs dias de escolinha da E. O meu filhote foi para a escolinha aos 2 anos e enquanto os primeiros 3 dias foram de festa os seguintes foram de um enorme choro, foi quando se deve ter apercebido que afinal era para ir todos os dias para a escola…Eu não tinha mesmo alternativa e contra o meu coração de mãe o deixava sempre lá ficar, duas semaninhas depois já ía feliz para a escolinha.

    Beijinhos e espero que esta fase passe bem depressa

  14. hehe, cuantos comentários, a que mais ou menos passou pelo mesmo, eu também levei ontem o menino ao colégio, pero como já vinha da guarderia não desconheceu tanto a situaçao, estava só um pouco tímido

  15. Não foi há muito tempo que descobri este “mundo” onde se trocam ideias, desabafos, se divulgam trabalhos… realmente interessante e viciante!

    Pelo que pude constatar, fui mãe pela 1º vez, apenas 20 dias antes de ti. A mim calhou-me o Pedro (chamamos-lhe pê) e é um rapazinho irrequieto, bem disposto e terrivelmente meigo.

    Mudei a minha vida toda depois do nascimento dele, mudando à força de emprego e voluntariamente de casa, de carro, de cidade, de hábitos…

    Hoje, acho que tem valido sempre a pena. O Pê deixou a creche, ficou com a minha mãe e nunca mais adoeceu, cresceu saudável no último ano e meio e agora, à semelhança do que te aconteceu a ti (e a tantas outras mães de certeza), cheia de dúvidas e tentando pesar todos os panoramas possíveis, decidimos colocá-lo no jardim de infância.

    No 1º dia de escola, escrevi:

    “Desabafo de uma mãe com um nó na alma”

    Não consigo mentir. Depois de ostentar com grande orgulho o seu novo bibe e posar para a fotografia, o primeiro impacto foi devastador.

    Agora que tento recordar a sensação que tive quando aos 4 meses o deixei na creche, sinto que esta segunda incursão no mundo da padronização do jardim de infância é muito mais horrível, especialmente pela consciência e inocência que alguém com dois anos e meio tem.

    Chorou o Pê lá dentro, chorou a mãe do Pê cá fora.

    Depois da saída apressada em jeito de fuga dos pais (única possível), o Pedro resolveu desertar da sala (inconvenientes de ser o mais alto da turminha e por isso chegar à maçaneta) e refugiar-se na casa de banho que fica mesmo em frente (talvez por ter sido o último sítio em que tinha estado connosco) e que tem janelas para o exterior, do lado onde estacionamos os carros. Resultado: os gritos de “paiiii, mãeeee” acompanhados de choro desesperado ecoavam num som que me pareceu impossível de aguentar.

    Pedindo desculpa àquelas que ainda não foram mães, hoje reservo-me o direito ao egoísmo de vos afirmar que não conseguem imaginar o nó que asfixia a garganta e a alma quando vos passa pela cabeça que o vosso filho, que saíu de dentro de vós, pode pensar que o deixaram ali sozinho, não conhecendo ninguém, nem tendo referência absolutamente nenhuma com aquele local, aquelas pessoas e se sente, nem que seja um bocadinho desamparado, sozinho.

    Sim, claro que sei que é normal, claro que sei que acontece a todos, claro que sei que ele se habituará (a educadora ligou-me ainda vinha eu a caminho do emprego a dizer que, depois do desespero, o Pedro se tinha acalmado, tomou o pequeno almoço com os outros meninos como se fosse a coisa mais normal do mundo e estava a brincar normalmente).

    Sim também sei que os primeiros dias, ou talvez primeiras semanas poderão ser difíceis, ou menos fáceis, como prefiro pensar.

    Sim, conscientemente sei as teorias todas (ou as necessárias, julgo) e também sei que ao longo do tempo, ainda que habituado, poderá ter dias em que não lhe apetece tanto, à semelhança aliás do que também nos acontece a nós e chorará novamente. É normal.

    Mas hoje, só hoje, apetecia-me estar lá na saída, cheirá-lo, confortá-lo com o meu abraço e poder dizer-lhe baixinho: a mamã vem buscar o Pê todos os dias, sempre!

    Depois do tremendo impacto inicial (confesso que nem me apetecia falar com ninguém, por achar que ninguém conseguia compreender a angústia que eu estava a passar), inacreditavelmente o Pê não voltou a chorar (não quer dizer que não o possa vir a fazer ainda, embora eu espere que não), hoje até já consegui sair sem fugir, despedindo-me dele. A educadora diz-me que é dos mais voluntariosos a dar as mãos aos novos amiguinhos para as deslocações de um sítio para outro, adora ir à casa de banho fazer “ií” nas “nitas ninis” e lavar as mãos nos “tóis ninis”, com sabonete e tudo, ouve atentamente as histórias, brinca descontraído, come razoavelmente e primando pelo “despacho” em detrimento da educação, levanta-se e vai buscar a sobremesa.

    A seguir ao almoço senta-se na caminha, descalça os sapatos e meias, deita-se e adormece sozinho.

    Confesso que nunca esperei que corresse tão bem, até porque há imensas alturas em que, por menos que queira, sinto alguma angústia ao ouvir os relatos de inteligência, destreza e super-acontecimentos dos filhos de algumas pessoas, porque acho que o meu filho é absolutamente normal, inteligente, trapalhão e traquina qb para a idade que tem, sem proezas heróicas de sobredotado.

    Mas, dentro desta “normalidade” parece que, na primeira semana, superámos a prova!

    Agora é esperar que chegue a tarde, para o reencontro, os beijinhos, os abracinhos, os mimos.

    Há-de chegar o dia em que me dirá adeus sem olhar para trás. É tão bom ser pequenino!

    Assim, quem escreve este post é uma mãe cheia de orgulho e muito serena. Espero que a maravilhosa e linda E. também comece a adaptar-se à sua escolinha, para ambas, mamã e filha, ficarem mais tranquilas e felizes.

    Por agora, não há dicas infalíveis, o mais importante é tentarem encontrar o vosso equilíbrio, que espero aconteça o mais rapidamente possível.

    Que corra muito bem a inauguração da loja da atarefada mãe. Espero que tenham grande sucesso!

    Logo que vá a Lisboa faço-vos uma visita.

    Felicidades!

  16. Não te preocupes, a minha mãe (que é professora há muitos muitos anos, só para dar uma credibilidade maior à opiniao) diz que as crianças que choram muito ao princípio são as que mais gostam depois da escola! Por isso não te preocupes! Há sempre uma altura em que vão chorar, se não for logo no principio é após uns meses… Isto é o que dizem 20 e muitos anos de experiência! Por isso vais ver que daqui a uns anos quando a E. andar meses antes já a querer preparar os cadernos para a escola e a querer ver os livros, o sentir o gosto bom de escrever num caderno em branco com um sorriso, vais ver que toda essa angústia afinal valeu a pena!

    Beijinhos

    PS – Já agora, a parte da mãe ser professora é verdade e não foi só para a credibilidade!

  17. Engraçado… comgio foi completamente diferente. Eu pedia para minha mãe para me levar para a escola, mesmo antes de ter a idade apropriada.

    Eu queria aprender a ler depressa porque os adultos liam apenas um livrinho de nada e se diziam cansados.

    A escola sempre me foi um prazer. Apesar de muitos dos professores…

  18. e depois há aqueles que mal se despedem da mãe e vão logo brincar e dizem montes de adeus como a perguntar “ainda estás ai?”. :) A tristeza passa e ela vai se aperceber que a escola também tem coisas giras para descobrir.

  19. ainda me lembro do meu primeiro dia de aulas…tinha eu 5 anos… e a “birra” que fiz porque não queria deixar o meu pai ir embora… Lembro-me de ter chegado a casa e ter implorado para não regressar à escola no dia seguinte… uma choramingas! :)

    Penso que quando tiver filhos o mesmo vai acontecer com eles… (por enquanto não, que inda só tenho 21 anos)