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É o primeiro irmão do Anacleto (nome que usei um dia para rimar com alfabeto numa das cantilenas que improvisamos diariamente à hora do banho e que lhe ocorreu para baptizar o macaco) e vê-se maior aqui.

Reorganizar a despensa implica revisitar dezenas de caixotes poeirentos. Até o digital como suporte e a internet terem entrado no meu dia-a-dia era uma obsessiva caçadora-recolectora de imagens. Coleccionei selos e recortei revistas durante anos, passatempos a que a minha chamada cultura geral deve bastante e que não sei a que actividade infanto-juvenil contemporânea correspondem. Para além disso guardei revistas até muito tarde. O resultado de tudo isto são quilos de reproduções de quadros, reportagens, biografias, programas de espectáculos, guias de museus e informação em geral organizados alfabeticamente tornados absolutamente inúteis desde que deixei de forrar dossiers e a julgar pelo número de vezes (zero) que lhes peguei nos últimos dez anos. Os selos ficam e o resto (recortes e revistas) vai ter de ir embora, o que me fez lembrar a diferente relação que os novaiorquinos têm com o lixo. Em Nova Iorque apanhei imenso lixo da rua, porque lá todo o lixo que não é lixo propriamente dito é tratado como potencialmente interessante para outrem. De caixotes limpos e arrumados, sozinhos no passeio, trouxe discos de vinil, revistas (lá está) e uma régua de madeira que uso regularmente. Aqui sei que o que não for muito bem fechado em sacos de plástico e colocado no contentor aparece espalhado no passeio passados dez minutos. Por isso lá vão as minhas The Face de 1991, Wired de 1995 e Wallpaper de 1998 directamente para a reciclagem, sem hipótese de encontrarem novos donos. Deve ser por isso que não temos por cá scrap stores e thrift stores propriamente ditas.

19 comments » Write a comment

  1. Ainda tenho uma caixa de madeira cheia de bilhetes de cinema, teatro, exposições, visitas, panfletos, desenhos, fotos e outros tantos tesouros típicos de adolescente…os selos, moedas e notas também lá andam:) E estes macacos são lindíssimos!

  2. adoro arrumações, redescobrir tesouros, mas sobretudo adooooro o lixo de luxo que tantas vezes se encontra pelas ruas… em nova iorque deve ser fantástico!

  3. há semanas estive a arrumar coisas minhas em casa dos meus pais. também desisti de resmas de fotocópias e rcortes… baahh.

    confesso que não tive peninha nenhuma!

    :)

  4. Eu ainda não perdi a mania dos recortes de revistas e jornais. Passados uns anos acabam no lixo por falta de espaço (a casa não é elástica).

    Uma coisa que me faz mesmo muita falta em Portugal são as lojas de artigos em 2ª mão e vendas de garagem. Adoro procurar coisas antigas e diferentes.

    PS o Anacleto e irmão são muito bonitos.

  5. :( tenho pena das revistas!

    também guardo tudo compulsivamente… tenho a quem sair :)))) os meus pais têm montanhas de revistas de quando ainda eram solteiros guardadas no sótão.

    ainda me deram jeito para alguns trabalhos no liceu!…

  6. hehe deve ter custado muito deitar fora! Eu guardo tantas coisas… Depois de tempos a tempos vou revistando-as.

    Aqui não há definitivamente o hábito de reaproveitar o lixo que não é lixo, mas mesmo assim eu já consegui umas boas coisas! Fico sempre a olhar para os contentores ou para a reciclagem que as pessoas insistem em colocar à volta do ecoponto – muitas vezes sem razão aparente, tenho a certeza que não é a pensar nos que gostam de reaproveitar.

    Anacleto é um nome genial, tem qualquer coisa de cómico mas ao mesmo tempo de muito sério também!

    a.m.

  7. Também guardo muita coisa, mas existem alturas da vida em que é preciso esvaziar para dar espaço ao ar… entrar e respirar fundo.

    O irmão tb é lindo!

  8. podes sempre entregar as revistas na mediateca… imagino que eles recebam… e assim mais algumas pessoas poderão vê-las… uma outra forma de partilha…

    o lixo nas outras cidades é sempre muito diferente daqui de facto… em Paris era o mesmo, encontra-se de tudo, e mesmo em Amsterdão, até móveis podes recolher… eu gosto disso :))

  9. Deve ser um hábito feminino, este de guardar revista e outras coisas mais que na altura nos parecem de importância vital.Sempre a pensar, não importa o que seja, que um dia mais tarde nos pode dar jeito ou mesmo até fazer falta. No entanto há coisas que quando deito fora fico à espera, do fundo do coração, que alguém as aproveite.É pena, realmente, não existirem espaços onde pudessemos deixar lixo que não é lixo.

  10. olá

    vou sou dar uma opinião em relação aos cursos de costura, no centro de emprego à cursos desse tipo,que não são remunerados,agora não sei é se são só para uma determinada faixa etária.

    tenho conheçimento de uma senhora que ficou desempregada e já tinha 61 anos, foi tirar um curso desses e de rendas de bilrrus (penso que a palavra está mal escrita :D só para ocupar o tempo.

    jinhos e continuação de boms trabalhos ;)

  11. Guardar coisas, recortes, selos antigos, adoro! Mas de vez em quando jogo umas coisas fora porque tenho agonia de pensar que um dia posso me perder nelas!

    O Anacleto é muito simpático, ele filosofa?

  12. oh!!! não deites essas revistas fora… eu por exemplo adorava poder ve-las e tirar de lá alguns recortes também, em especial a WallPaper…

    Se eu pagasse os custos de envio não te importavas de mas enviar aqui para o Porto?? ou então talvez eu possa pedir a algum amigo meu aí de Lisboa para ficar com elas por mim durante algum tempo!!

    Será que ainda vou a tempo de salvar essas revistas e dar-lhes mais umas utilizaçõezinhas?! :P :P

  13. ah, eu faço muito disso,

    recortar revistas… passatempo gostoso!

    o de nova york, deve ser um must,

    o que é lixo pra uns… é luxo para outros!, não?

    beijo!

  14. olha… lembrei-me de outra utilização para as tuas revistas… já imaginas-te a quantidade de imagens que podes tirar para crachás?

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