exigir ou deixar passar

1. A E. vê com alguma frequência os desenhos animados do fim da tarde no segundo canal. É a única altura em que a televisão está ligada antes de ela se deitar e, depois de conhecer a programação, já aproveitei várias vezes esse bocadinho para fazer o jantar. Há cerca de duas semanas liguei a televisão à hora certa e apanhei a publicidade antes de os desenhos animados começarem (imagino que muitas outras crianças já estejam à espera àquela hora e nem todas com o pai ou a mãe ao lado): entre os anúncios, dois a séries impróprias para pequeninos (uma delas de terror). Cheguei mais ou menos a tempo ao comando e nesse dia aproveitei para verificar que no intervalo imediatamente a seguir ao espaço infantil a cena se repetia (tiros, sangue, gritos e gente com ar apavorado). Enviei à 2: um email, perguntando se não seria possível evitar este tipo de conteúdos nos dois espaços publicitários colados ao Zig-zag. Ainda não tive resposta nem pude conferir eventuais resultados do meu pedido.


2. Levados pelo bom tempo e pela esplanada, resolvemos há dias almoçar num restaurante indiano-italiano (estranha mistura) em pleno Largo do Carmo. Sentámo-nos na única mesa vaga e durante todo o tempo em que lá estivemos todas as outras estiveram cheias (só) de turistas (mau sinal). Não sou especialista em restaurantes indianos mas já fiz um curso de cozinha indiana, sei nomear umas três variedades de dahl e conheço os condimentos mais frequentes pelo menos de asafoetida a tamarindo, para além de ao longo dos anos ter experimentado inúmeros destes restaurantes, incluindo a saudosa (e menos insalubre do que se poderia supor) esplanada da cave do Centro Comercial da Mouraria, que frequentei durante anos. O Indian Palace (assim se chama o restaurante do Largo do Carmo, que tem website – restauranteindianpalace ponto com – e sucursais noutras cidades) é, tanto quanto eu e o F. pudemos provar, o pior indiano do meu currículo, e não foi pela fraca qualidade da comida que ganhou este estatuto: no meu mango lassi vinha de brinde uma asa de mosca, a flutuar no meio do copo. Ao pedir ao empregado que o substituisse, desapareceu com ele sem uma palavra (quanto mais um merecido pedido de desculpas) para regressar quinze minutos depois com outro lassi (mais uma vez sem uma palavra). Só que o outro tinha a mesma asa de mosca puxada para a beira do copo. Para cúmulo quiseram cobrá-lo no fim, quando evidentemente foi devolvido com uma cara feia. E o pior foi nós não termos pedido o livro de reclamações. Prometi a mim mesma que foi a última vez. A ideia de fazer parte da estatística que diz que os portugueses são os consumidores menos exigentes desagrada-me sobremaneira.

PS: Depois de escrever este post e de ficar com a consciência ainda mais pesada por não ter feito nada na altura fui ao site do IGAE e apresentei uma reclamação por escrito.

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