o mundo mudou

publico

Não me consigo habituar ao novo Público. Não gosto do espalhafato fruta-cores do novo design, aquele P de cor indefinida na capa não me diz nada, abomino a nova Pública, tomada de assalto pela Xis (suplemento cujo anunciado fim tinha entendido como um bom prenúncio). Desagrada-me o encher de páginas com imagens desfocadas, feias e inúteis, vou ter ainda mais saudades dos tempos em que o jornal dava trabalho aos melhores ilustradores e mesmo de algumas boas fotos de arquivo que às vezes repetia. O que eu quero de um jornal não é um suplemento gordo de variedades que tanto podiam ser publicadas hoje como daqui a quinze dias, sao mesmo as notícias. De preferência a preto e branco, preto no branco, com um grafismo menos à jornal gratuito e uma paleta menos TVI. De preferência com menos erros de concordância e menos escrita light.

Desde que me lembro que tomo o café com leite a ler o Público. Lia-o em casa dos meus pais e li-o na minha primeira casa, li-o de cigarro na mão à mesa do café, li-o quase todos os dias até esta mudança. Foi nas suas páginas que os meus bonecos apareceram impressos pela primeira vez, foi nele que (graças ao Ar.Co e ao Salão Lisboa) cheguei a publicar algumas ilustrações, foi o cabeçalho do Henrique Cayatte que a E. aprendeu a reconhecer e soletrar quando ainda usava fraldas. Nenhum dos jornais alternativos me convence. O meu café com leite está órfão.

30 comments » Write a comment

  1. Tens toda a razão… Infelizmente de dia para dia este pirosismo que veste tudo de igual, que mostra e ilude sem deixar ver, inunda jornais, revistas… e até canais de televisão que costumavam ser um pouco mais sóbrios se vão rendendo ao “tviismo”. Já para não falar nas capas de livros que perigosamente caminham para uma estética de hipermercado, as embalagens de comida… Design Gráfico por onde andas? Onde fica a serenidade e equilíbrio visual que nos permite observar o mundo à nossa velocidade, com a atenção que queremos ou não prestar-lhe? Quero serenidade para os meus olhos. Quero olhar e procurar além de, ou sentir essa vontade, sem invasões.

  2. Depois de despediram cerca de 50 jornalistas, entre as redacções de Lisboa e do Porto, a única ideia que lhes ocorreu foi encomendar ao gabinete de design que fez o The Guardian um novo grafismo para o Público. O resultado foi uma cópia quase fiel do diário inglês que, segundo os entendidos, é dos que mais se aproxima às necessidades estéticas, noticiosas e intelectuais do público alvo daqueles dois jornais. O Público deixou de cheirar a jornal, de parecer um jornal, de saber a jornal. Tenho pena…

  3. Triste. Está o jornal convertido em “xis” (argg), carregado de getty images e banana stocks :-(

    *

    MJ

  4. Não é que me sirva de consolação, mas pelo menos já não me sinto sozinha neste arrepio. Não consigo achar que é apenas o conservadorismo de quem lê o mesmo jornal desde que se lembra desse hábito.

  5. e café com leite e livros a acompanhar??

    claro que uma coisa não substitui a outra.. mas sempre temos os livros

  6. Não posso deixar de concordar. Tenho saudades do antigo e serve-me de conforto o facto de não ser a única.

  7. Olá Rosa. Nem imagina onde essa caneca me levou. Já ando a ler o seu blog desde finais de 2005 e só hoje é que vi o primeiro blog de todos (ainda em NY 2001). Vê-se mesmo que sou novata nestas coisas. Gostei de ver o início da E….linda! Parabéns mais uma vez por todo este desenvolvimento e bom gosto. Bjs.

  8. Conordo plenamente. Quando vi um cartaz na rua com o novo Público, tive que parar e fiquei especada a olhar para ele. Estou de luto pelo jornal. Acompanhou-me durante tanto tempo, como tu, comecei muitos dos meus dias a ler o público ao pequeno almoço. Já não vai ser o mesmo. Para mim, era um jornal de referência sem se tornar maçudo. Com o logotipo, perdeu tudo.

  9. Também não gostei da mudança.

    Cheguei a pensar que era conservadorismo e resistência a aceitar algo novo, mas depois de ler todos estes testemunhos, vejo que a mudança foi mesmo mal conseguida.

  10. Não tendo bem a ver com o assunto «Público» de que falas, mas porque se trata, também, de um corte (nos meus posts), como admiradora confessa do teu trabalho convido-te a saltares ao meu «Dácámisso», especialmente ao post “(Interlúdio Dácámissensse)”.

    Nele lancei-te um desafio e tu ainda não sabes…

    Se te sobrar tempo entre as tuas duas bonecas e os teus bonecos, saltarica até lá e, se te apetecer, aceita o desafio.

    Beijinho

  11. Antes de mais muitos parabéns pelo teu trabalho que sigo atentamente à 2 anos, desde uma pesquisa googliana aquando da minha gravidez. É um prazer poder seguir o teu trabalho.

    Foi realmente uma profunda desilusão, a mudança no Público. Quero o Y de volta!!

    É como se o jornal tivesse deixado de existir e deixa saudade…

  12. Estou longe. Estou em Barcelona mas é longe de tudo o que deixei em Portugal e uma das coisas que tenho mais saudades é do Y pois aqui nada é igual. Fico triste pelo Público apesar de não conseguir ter a noçao de tao grande mudança pois o site nao a deixa transparecer.

    Consegui encontrar a Visao que tem a reportagem dos slings. Gostei muito, depois de ter acompanhado toda a evoluçao no blog.

  13. Desde já quero felicitar a rosa pelo seu trabalho sou uma grande admiradora!

    em relação ao público concordo. Eu que sou uma jovem na flor da idade lembro-me de o meu pai ir todos os domingos comprar o jornal, na altura ainda não era a pública mas sim a magazine que vinha como suplemento agora fico muito triste cada vez que olho para o público e especialmente para a pública! pergunto-me sempre se não se teram enganado no nome ou tenham trocado a revista de jornal…o “design gráfico” não me convence , está tudo confuso, temos que andar a procura das coisas, não nos deixar iludir por frases que anunciam noticias enfim Fernando Pessoa disse que primeiro estranha-se depois entranha-se mas a mim não me parece…contudo fico triste pois todos os jornais que conheço estão mais ou menos “afectados por esta vaga de modernismo”

    espero que esta vaga passe rápido e o nosso jornal volte

  14. e não é que eu sinto o mesmo? o preto no branco é tão bonito, tão sério, para que arco-iris… o pequeno almoço de domingo na varanda já não é a mesma coisa, a pública está demasiado garrida e falsa… se queriam ganhar leitores, acho que perderam a aposta!

  15. Que blog maravilhoso você tem aqui.

    Tais coisas bonitas. Os povos como você trazem a mágica à vida e ao mundo. Eu desejo-lhe todo o muito mais melhor. Agora você deve visitar meu blog. Assim diferente de seu! Venha ver o que você pensa dele! Meu blog secreto do diário completamente das verdades!

    Todo o mais melhor a você de

    Gledwood.

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