dia internacional dos museus

museu nacional do traje

museu nacional do traje

Calhou ser durante as comemorações do Dia Internacional dos Museus que regressei ao Museu do Traje, provavelmente mais de dez anos(!) depois da última visita (que deve ter acontecido quando, em 1994, Lisboa foi capital europeia da cultura e eu consumi a maior concentração de exposições, espectáculos e filmes da minha vida). Há quanto tempo estará o museu assim, descuidado, mal iluminado e desinteressante? Em criança era um dos meus preferidos, até porque tinha (e tem) o extra do magnífico jardim. Agora não entusiasma nem uma menina de quatro anos que passa o dia a sonhar com vestidos até aos pés. Fecharam as salas dedicadas aos trajes populares e nas outras os manequins à média-luz fazem mais medo que outra coisa. Os teares estão tomados pelas tapeçarias de mau gosto em que durante a semana uns formandos trabalham e marcados por papelinhos escritos por eles a marcador: não mexer. Aos imprestáveis lavabos chega-se por entre placards abandonados há décadas e cobertos pelo pó. Mesmo a bilheteira/loja – por onde passa a maior parte dos visitantes (que vai ao jardim, não ao museu) – é escura, atravancada e nada apetecível. Aí pelos finais da adolescência, quando lia romances góticos, desfrutava dos museus decadentes de outra maneira. Agora tenho só pena.

23 comments » Write a comment

  1. “conheço” alguém que teria o perfil para revolucinar o Museu do traje… história, artes plásticas, quilts, tecidos,… dinamismo, determinação… e que tal um ante-projecto ou uma vontade, na hora certa, nas mãos ou ouvidos certos? Se quisermos MESMO uma coisa, muitas vezes consegimos.

  2. Oh,que pena, também era um dos meus preferidos e também não vou lá há muito muito tempo… também desde a adolescência, penso.

    Os M&M estiveram no jardim no fim-de-semana passado, numa festa de anos, e disseram maravilhas… mas não viram o museu.

    A propósito (ou mais precisamente para pegar na ideia da sof!a), viste na Pública de hoje a entrevista à historiadora de arte Catarina Vilaça? Era só uma ideia;P

    beijos grandes

  3. Adoro as fotos e espero que as obras sejam para breve mesmo! Eu lembro-me de visitar o Museu de Etnologia (ou etnografia ??) em 1997 em Belém e fico com tanta pena quando passo lá e vej que está fechado. Parece que a etnografia está ser negligênciada em Portugal :(

    Mary Pereira

  4. Ah, pois tens razão Rosa. Foi o Museu de Arte Popular,sim. And now that I think of it I think it may have been 1995 when I visited. They could merge these two together…how wonderful that would be :)

    Mary Pereira

  5. Espero que sejam só obras e que volte a ficar bonito.

    Cresci a brincar no Museu de Arqueologia onde a minha mãe começou a trabalhar e depois continuei a brincar no Museu de Arte Popular para onde ela foi nos anos 80. Agora vai fechar o “museu da minha mãe” como eu lhe chamava e o André nunca brincou lá, porque já estava em obras quando ele nasceu.

    E tenho muita pena!

  6. Infelizmente não são só os museus que andam esquecidos no nosso país.

    Penso que a nossa própria individualidade sócio-cultural se vai desbatendo de um modo galopante. Vão-se perdendo os hábitos e costumes,as tradições e os valores tão próprios de um país tão belo e rico como é o nosso.

    Sinceramente, por vezes, sinto-me num emaranhado que nem sei ao certo definir.

  7. Percebo o que sentiu, mas não posso deixar de relembrar que o Ministério da Cultura dá verbas limitadas aos museus e estes têm de se auto-gerir com muitas carências… Além disso, e não sabendo se é frequentadora assídua de museus, terá reparado as exposiçõe têm de ser temporárias e, como tal, rotativas (daí o traje popular estar ausente). Da mesma forma, as exposições têm mesmo de estar em “média-luz” uma vez que o efeito da luz é cumulativo e a longo prazo danifica as peças (e os têxteis em especial que somente podem estar a 50 luxes)daí a tal obscuridade (basta ir à secção de tapeçarias do V&A)…

  8. Cara Catarina N.,

    Tentei enviar esta resposta por email mas o remetente é inválido.

    Obrigada pelo comentário. Sou frequentadora assídua de museus e já vi têxteis bem expostos, no V&A, no MET e noutros museus estrangeiros, daí que saiba distinguir (enquanto visitante) pouca luz de má iluminação e que saiba que é possível exibir roupas sem que elas pareçam integrar uma procissão de fantasmas. Quanto à rotatividade necessária à conservação das peças, porque não retirar à vez algumas peças de exposição em vez de fechar secções inteiras? O resultado é o mesmo, e com óbvios benefícios para os visitantes. Pelo tom do comentário fiquei com a sensação de que estaria ligada ao museu. Se assim for, por favor encaminhe esta minha sugestão. Tal como todas as outras pessoas que comentaram o post, o meu desejo é ter motivo para regressar em breve ao Museu do Traje. Mas a verdade é que, neste momento podem faltar-lhe meios mas o que lhe falta obviamente é um projecto e objectivos definidos. Ou, dito de outro modo, “alma”.

  9. Conheço tão bem esse sítio. Há anos ia lá todos os dias com os amigos, e passávamos horas no café do jardim. Será que ainda existe esse café?

    Concordo com edien e fico muito contente por saber que vai entrar em obras.

  10. Obrigada Rosa pela sugestão, mas não a posso encaminhar pois não trabalho nem estou ligada ao Museu do Traje, mas sim a outro com colecções têxteis, mas de cariz regional. Desculpe se criei algum tipo de “discussão saudável”, mas faz-me pena ver a nossa cultura e pessoas que para ela trabalham serem assim tratadas(e às vezes com alguma razão)! O problema eterno é a falta de verba para se poderem concretizar projectos atractivos. Obrigada mais uma vez e continue sempre a visitar museus!

  11. Cá na minha opinião, para além da crónica falta de verbas há também uma indefinição institucional, ou seja: a partir do momento em que a CML vai gerir a colecção de traje do Francisco Capelo e se comprometeu a disponibilizá-la em local próprio (não o Museu do Traje), um dos dois museus vai estar “a mais”. Não é difícil adivinhar qual será.

  12. Obrigada eu, Catarina (e a todos os outros). E vivam as discussões saudáveis!

  13. Se toda a gente sabe que as verbas atribuídas aos museus são irrisórias, então que outras formas existem de impedir que museus e colecções entrem em decadência?

    Eu cá sou apologista da iniciativa própria, principalmente depois de ter colaborado com a directora de um Museu, que considero bem mantido e exemplar, que se desdobra em iniciativas e campanhas para angariar fundos e quase fazer marketing do “produto” que gere – o património cultural. É certo que o Estado é que devia assegurar a manutenção do seu património, mas o que é que fazemos quando isso não acontece?

  14. Só para “alimentar” um bocadinho a polémica e decorrente do comentário da Alice, é claro que é importante e salutar encontrar outras formas para se levar por diante determinados projectos. Mas se assumirmos que esse é o caminho estamos a isentar o Estado de uma das suas funções primordiais: o apoio à cultura, o reconhecimento de que as raízes culturais de um povo são património e de que esse património deve ser preservado. A cultura tem que ser vista como um investimento (nas futuras gerações, em todos e cada um de nós, na projecção de um país e da sua tradição) e não como um bem supérfluo, onde se corta quando é preciso “apertar o cinto”. A produção cultural é feita com o objectivo máximo da fruição cultural – que até é um direito constitucionalmente reconhecido aos cidadãos portugueses – e não pode ser encarada como mais uma actividade económica em que quem quer trabalhar tem que se “desengomar”. E com isto não estou a defender a subsidío-dependência mas parece-me FUNDAMENTAL o reconhecimento da importância da cultura para um povo. E esse reconhecimento passa também por opções orçamentais. Se não for assim, então torna-se mais uma daquelas frases feitas sem qualquer reflexo na acção prática governativa de um país (ex: sim, a cultura é importante mas não podemos pagar horas extraordinárias aos seguranças dos museus porque a prioridade é a OTA).

    A pergunta final era “o que fazemos”? Exigimos, pressionamos quem de direito, fazemos ver os nossos pontos de vista com o intuito de conseguirmos novas abordagens e novas políticas para a cultura em Portugal. Não consigo ver outro caminho.

  15. este comentário da catarina m. é o melhor que vi até hoje, e é pena que não seja interiorizado por quem tem responsabilidades na gestão deste tipo de espaços (museus)… como já li em muitos blogs, e também é a minha opinião, em Lisboa contam-se pelos dedos das mãos os espaços interessantes e decentes onde podemos passear com as nossas crianças, e os museus deveriam ser um espaço privilegiado para isso… mas depois de uma ou duas tentativas falhadas (eu sei que é falta de preserverança…), seja por descoincidência de horários e dias de abertura, dificuldades nos transportes e falta de manutenção, continuo à espera de soluções imaginativas, como as que já vi noutros sítios, e sempre fora de Lisboa (onde de certeza o dinheiro não abunda)

  16. Nos Teares do Museu do Traje estão a ser executadas pequenas amostras de tecido em Tecelagem Manual, fruto de um primeiro ou segundo contacto com um esta Arte. (São execpção os dois Tecidos dos Teares de pedais)

    As (únicas) três Tapeçarias que se encontram em execução naquele Espaço, nas estruturas de madeira próprias para desenvolver esta Técnica, são de diversos Autores. Uma delas, que está devidamente identificada, foi iniciada pela GRANDE Gisella Santi que infelizmente faleceu sem a concluir (o Museu faz questão de a manter, intocável e inacabada…)

    As outras peças em execução nas referidas estruturas, são pequenas bandas que funcionam como mostruários de padrões e de técnicas de ligamento entre cores.

    Todos estes trabalhos são também uma primeira e ainda breve abordagem às Técnicas de Tecelagem de Alto-Liço.

    Os seus Autores não são definitivamente “uns formandos” que lá trabalham, mas sim um Grupo de Pessoas que tem as mais diversas expectativas e uma paixão comum – O Têxtil Manual.

    Reunem-se ali unicamente às quartas – feiras das 14 às 17 horas e contam com o meu apoio e com a minha orientação.

    Também ali se encontram diáriamente Estagiários da Fundação Sain, que são acompanhados por Técnicos daquela Instituição.

    Nos “papelinhos” está: Por Favor, não mexer no tear. Obrigada.

    Apenas UM tem a legenda “não mexer”, decerto um reforço desesperado de alguém que viu o seu trabalho danificado por mais que uma vez. (Fica no entanto a promessa de que as nossas anotações/pedidos serão substituidos por etiquetas impressas em papel adequado, com letra bem legível e de tamanho equilibrado)

    Para concluir, deixo aqui expressa a minha indignação. Não me parece que a critica destrutiva seja salutar e que possa funcionar de uma maneira positiva. A deste post em particular,sendo desse tipo, revela um profundo desconhecimento em relação à Tecelagem Manual de Alto e Baixo-Liço, indelicadeza quando nos apelida “uns formandos” e é extraordináriamente desagradável quando comenta que os teares “foram tomados por tapeçarias de mau gosto”.

    Para que se saiba, ninguém tomou a Sala dos Teares de assalto e muito menos o Equipamento ali existente.

    Agrada-me a critica e o confronto, pois deles nasce a Ideia, mas sou pelas criticas construtivas e fundamentadas.

    Isabel Bordaleiro – Artesã

  17. Sou uma “dos formandos” que, na sala dos teares do Museu do Traje, nas tardes de 4ª feira tenta aprender algo da antiquissima e apaixonante arte do têxtil manual, sob a orientação da mestra Isabel Bordaleiro. Creio ser uma das únicas – senão mesmo a única – oficina em Portugal onde alguém, com os seus próprios teares, presta este serviço, não só de transmitir os seus valiosos conhecimentos, como fazê-lo num espaço público de forma a contribuir para a recuperação desta arte.

    Gostava de saber em que é que a Sra Rosa Pomar se fundamenta para falar em “tapeçarias de mau gosto”, quando nem sequer distingue as várias formas da tecelagem manual e, muito menos, tapeçarias de facto, de simples exercícios de aprendizagem.

    Maria Fernanda Carvalho Dias

    Aprendiza de Tecelagem Manual

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