diferentes como duas gotas de água (ii)

diferentes como duas gotas de água

Quase com a mesma idade, a E., sentada, olha para mim e para a máquina fotográfica e a A., sondando instantaneamente os arredores, fica tremida em todas as fotografias. Não sou muito de esmiuçar as diferenças entre elas. A E. adora ouvir dizer como a irmã se lhe assemelha (quem não quer ser parecido com um bebé elogiado a cada passo?) e é verdade que continuam a crescer ao mesmo ritmo (no tamanho, nas datas do primeiro dente, das primeiras gracinhas, do gatinhar, etc.). Parece-me que quanto mais os familiares verbalizam as diferenças entre irmãos (ou as características de um filho) mais eles crescem convencidos de que são essas coisas que ouvem dizer sobre si, mais ou menos isto ou aquilo do que o outro, e que esse hábito pode ser pouco saudável para a relação entre eles. Antes de ser mãe duas vezes pensei com frequência na tarefa impossível que seria criar um segundo filho com a virgindade que temos perante o primeiro. Por muito útil que seja a experiência, pensava ser melhor poder encarar tudo outra vez como da primeira vez, não aplicar a esta pessoa novinha em folha as soluções que aprendera a lidar com a irmã mais velha, porque não seriam as soluções dela. Na prática isto não faz grande sentido, claro, e quantas mães não acham que a experiência de um primeiro filho lhes permitiu fazer tudo muito melhor da segunda vez. No meu caso, funciona comparar (sobretudo quando nos ouvem) o mínimo possível e acentuar acima de tudo aquilo em que são e serão sempre iguais: no nosso amor por elas.

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  1. Olá,

    Meu nome é Carla e há algum tempo visito seu blog. Sou brasileira e já nem lembro como cheguei aqui.

    Estou comentando só para dizer que admiro seu trabalho e sua forma de levar a vida, principalmente com suas filhas :)

    Tenho duas pequenas também, uma com 3 anos e meio e outra com 1 ano e 2 meses. Sou mãe 24 horas e adoro! Estou começando a fabricar slings por aqui também.

    Muito prazer!!!

  2. Mesmo o amor pelos filhos é diferente com cada um deles, só a intensidade desse amor é que é inquestionavelmente a mesma.

    E não é essa a riqueza do ser humano?!

  3. As fotos com a mesma saia foi propositado ou pura coincidência? :D

    Estou a brincar!Adorei o seu post e na verdade faz-me pensar muito pois reflicto várias vezes na possibilidade de ter um 2º filho.`As vezes sinto que se trata de uma missão quase impossível. O meu pequeno de quase três anos absorve-me ao máximo, agora então, está numa fase terrível de birras e constantes disparates.Como será se tiver outro? :)

    Beijinhos às duas princesas.

  4. Adorei suas palavras, Rosa, principalmente quando diz sobre a força que rotular as crianças exerce sobre sua auto-imagem:…”mais eles crescem convencidos de que são essas coisas que ouvem dizer sobre si”

  5. Como irmã mais velha, cedo tive noção que as comparações incomodavam a minha irmã e tento não o fazer com dois filhos.

    Nem sequer nas competições de “vamos ver quem acaba de comer mais depressa”.

    Tento evitar as comparações, mas também é verdade que o mais velho gosta de ouvir contar as coisas que fazia quando tinha a idade da irmã.

    É dificil gerir :)

  6. Não posso estar mais de acordo! :)

    No meu caso concreto, a história das comparações sempre me deu bastantes dores de cabeça com os gémeos: como são muito idênticos fisicamente, toda a gente teima em inventar diferenças entre eles e verbalisá-las…

  7. valente mae!

    nao comparar exige muita determinacao.

    mas vale a pena!

  8. Gostei muito da tua última frase, mas queria só acrescentar que amando pessoas diferentes, amamos também de forma diferente. Em termos de forma, porque o conteúdo, ou a força, é exactamente a mesma.

    Quanto às comparações, confesso que por aqui sou mais eu que as faço (mesmo que interiormente) do que o resto da família. É uma espécie de “deve” e “a haver”, porque se um teve o primeiro dente aos 3 meses, gatinhou aos 8;e o outro teve o primeiro dente aos 5 mas gatinhou aos 6, e por aí adiante. É apenas engraçado, e eles, ao crescer, vão-se apercebendo, por si sós, como são diferentes uns dos outros em tantas coisas… Só diferentes, nem melhores nem piores.

    Como é que se pode dizer que um filho é melhor que outro, anyway?

  9. olé!

    (eu cada vez me comparo a mim própria – como fui com a I, como sou com a T… e vou descobrindo ter pena de não existir bem isso do “como sou com a T” porque só sou com a T tendo já a I e passei a ser com a I existindo a T…

    é uma pena esquisita, não é tristeza ou desalento. fica é sempre no ar, como seria se…? e existiria esse outro SE se a T nunca tivesse chegado…

    bom, isto foi muito confuso. as comparações não servem para nada. e estas que faço sobre mim, então, são só para mim mesmo…)