nuvens

Ainda sobre o mesmo assunto: o post de hoje da Jane (e a pressão toda que imagino ter-lhe dado origem) deu-me vontade de ir comprar o livro dela outra vez. Sobre o que escrevi ontem, queria acrescentar (entre muitas outras coisas que se poderia dizer): 1. que se agora somos pós-feministas ou lá o que é que se nos pode chamar, é porque houve feministas propriamente ditas que nos abriram o caminho. Daqui as saúdo. 2. que, ideologias à parte e para ambos os sexos, aprender a coser e a fazer tricot é ou pode ser tão útil e interessante como aprender geografia e a prova dos nove. 3. que da minha história familiar aprendi que ser escolarizada, culta e politicamente activa é compatível com fazer os bordados mais bonitos. 4. que (em resposta à Susana) também acho perversa a competição surda entre as mães (nos jardins e nos blogs), a ver quem faz mais bonito e mais biológico. 5. que a mãe ou o pai que estão em casa com os filhos, a fazer com eles o que os educadores nos infantários fazem com os dos outros, estão (como eles) a trabalhar. E muito.

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  1. Tenho acompanhado esta saga, como observadora mas hoje não resisto a um comentário. Também li o post da Jane e corta o coração verificar que uma mulher inteligente e sensível é pressionada de tal forma a fazer praticamente um auto de fé. Tendo as minhas opções (ou possibilidades) de vida sido completamente distintas das dela e de muitas mães que ficam em casa a criar os filhos, isso não obsta a que eu entenda essa opção e a valorize. Não é uma questão de quem trabalha mais ou menos. Afinal há quem desempenhe mal as suas funções em qualquer área da sua vida e há quem se esforce para fazer o melhor. Acho que é tempo de todos sermos tolerantes e respeitarmos as escolhas de cada um. Outro aspecto que tem estado associado a este é a não dignificação dos trabalhos ditos femininos. Para não tornar este comentário muito extenso posso dizer que numa exposição que fiz há pouco sobre a etnomatemática e as actividades matemáticas do quotidiano dei, como um dos exemplos de actividade matemática com significativo grau de exigência a aplicação da trignometria na execução do quilt tradicional americano. Parabens Rosa por nos “proporcionar” este debate.

  2. Assino por baixo e remato que para todas as acções humanas há uma forma inteligente de as fazer e uma forma estúpida. Assim, pode-se ser estupido a ser gestor e ser inteligente a por roupa na máquina de lavar. Já agora e para reforçar a ideia, isto é válido para ambos os géneros.

    Acho que o grande desafio é mesmo o de tornar a sociedade mais tolerante às opções de cada um e de considerar que o que conta é a forma como se faz aquilo que se faz.

    Parabéns e obrigada Rosa, por balizares este debate.

  3. Não li o livro em questão mas vi o blog da autora que é, tal como o seu, belíssimo.Li, no entanto a crítica ao livro e penso que ela peca desde logo por não ser uma crítica-ao-livro mas às pretensas intenções da sua autora. A crítica não incide sobre o conteúdo nem sobre a forma – não se diz que as fotos estão mal tiradas ou que a combinação das cores nos quilts estão erradas ou que as receitas são más ou que não é assim que se cultiva feijão verde. A crítica, que alías acusa a autora do livro de proselitismo, encontrou um bode expiatório para a sua irritação perante as novas ditauras de comportamento em que a “domesticy” aparece como mais uma moda a seguir e a respeitar. Esquece a crítica que ao fazê-lo está, ela própria,a ser inflexível e,pela via do politicamente incorrecto, recupera o politicamente correcto. Ou seja, cada um vive como quer e como pode e pobres dos que se flagelam com a opinião dos outros ou com aquilo que parecem.

  4. Acho que, como em tudo, é uma questão de liberdade de actuar em função daquilo que realmente nos motiva e dá prazer. Não sou contra nada desde que isso seja feito por motivação própria, sem pressões exteriores e sem incomodar os outros. Concordo também que existe uma subapreciação dos trabalhos “femininos”, espero que mude.

  5. é que este assunto é tão,tão sensível para mim, que não consigo deixar de comentar.

    Antes de mais, quero dizer que concordo completamente contigo, quando falas do trabalho de uma mãe ou pai em casa. Queria apenas que esse trabalho fosse mais valorizado pela nossa sociedade – coisa que não é.

    Quanto ao sermos pós-feministas, “nós” não existimos enquanto grupo, é essa a nossa fraqueza. Portanto, concerteza não consegues englobar todas as mulheres à face da terra dentro de uma mesmo ideologia.

    Ainda há pressão social para que no topo das prioridades esteja apenas a carreira, deixando pouca liberdade para outras escolhas, mesmo quando aparentemente uma mulher pode fazer o que quiser.

    A grande prova disso foi a polémica que o livro da Jane provocou. Se fossemos assim tão liberais, ninguém se importaria que uma mulher tivesse optado por ficar em casa a tomar conta dos filhos.

  6. Acho que, como tudo na História, levará ainda algum tempo até que seja realmente aceite que alguns pais e mães preferem de facto poder estar em casa, trabalhar aí, e ter disponibilidade para dar tempo aos filhos. Para mim, poder fazer isso, é uma grande felicidade, independentemente dos comentários que também oiço com frequência sobre como devo ter tanto tempo livre, e grande disponibilidade financeira!! :) Na verdade, encontram-se as justificações mais absurdas para explicar o que não se entende. Para mim, as chamadas artes domésticas, ou femininas, são apenas arte. E como tal dignas de grande respeito e atenção.

  7. Tive a possibilidade de ler o post da Jane hoje de manhã antes de ser apagado.

    Se já gostava dela, mais ainda fiquei a gostar…

  8. cada mulher e’ muito diferente.cada mulher deve sentir o seu valor e a sua forca. cada mulher deve saber escolher e decidir e depois ir consequenciemente atras das suas decissoes.amar as suas decissoes. e- repito- sentir o grande valor das coisas que faz. tanto ficando em casa com os filhos (encontro cada vez mais artigos e livros a falar na grande vantagem da educacao dada pelos pais- nenhuma educadora o faz melhor! – as criancas que receberam muito dos seus pais, sao muitas vezes mais inteligentes,corajosas e sentem-se mais seguras na sociedade; nos Estados Unidos esta cada vez mais popular o homeschooling)como aquelas que decidem trabalhar.

    mas ja repararam? diz-se ‘ficar em casa’ (na Polonia, onde vivo, diz-se sobre as maes que tem filhos e estao em casa, ‘estao sentadas em casa”) e raramente “trabalhar em casa”, mesmo quando ha mulheres mesmo super profissionais nos seus trabalhos domesticos (tenho uma amiga que esta agora com a sua filha em casa, e quando encontra colegas do trabalho, que com um ar mto triste, perguntam-lhe”entao, coitada, tas sentada em casa com a filha?- Ela responde- senatr-se e’ o que eu pouco faco em casa!).

    sinto-me mto feliz e mto. livre por ser mulher.

    e por poder fazer tantas escolhas na vida…

  9. Nr. 5!!! Dizem-me (ou deixam por entre as linhas) tantas vezes que não faço nada…

    Foi uma escolha minha, não me arrependo. :)

    (mas fiquei com, ainda mais, vontade de aprender a bordar)

  10. Muito bem colocado Rosa. Às vezes me parece que estamos mesmo a passar por uma segunda revolução feminista (ou a necessitar de uma). Optar por ficar com os filhos quase sempre é visto como suicídio profissional (e intelectual!) e resignação ao “papel de mãe”. Acho também que é algo tão novo que ainda estamos aprendendo a lidar com estas novas possibilidades de convivência, trabalho e arranjos familiares-profissionais.

    Em relação as artes manuais – que sim, sim! deveriam ser ensinadas a ambos os sexos! – é uma pena que sejam vistas como artes menores. Algumas escolas valorizam este aprendizado (nas waldorf, por exemplo), mas são a exceção. Estas atividades não só são interessantes (e fascinantes para os pequenos, que adoram fazer com as próprias mãos), como trazem riquíssimas possibilidaes de aprendizado matemático, espacial, artístico, cultural etc.

  11. Eu li a crítica publicada respeito ao livro, ou melhor dito, rspeito ao modelo de mulher que a Jane espelha, (!),

    Efectivamente, ele é cruel, porque decapita, não só a Jane, mas também todas aquelas mulheres, que por terem condições para o fazer, (um bom marido, uma boa herança..etc..),

    em deterimento de uma progressão na carreira profissional, optam pelo LAR.

    Alerta-se as leitoras, para uma possivel epidemia, que poderá ser contagiosa, a dedicação ao Lar, aos bolos, e ao croche, o que é efectivamente considerada como uma praga, da qual a mulher profissionalizada deverá se percatar…

    Definitivamente estamos perante um feminismo fundamentalista, e desconhecedor da verdadeira natureza da mulher. Realmente, nós mulheres, temos uma natureza particular, e reflete-se no Lar essa nossa natureza. Que ela perdure, e que não se acabe “quando morrerem os velhos”, pois seria uma grande perda para a sociedade.

  12. Acompanho o blog da Jane há tempos, assim como o seu e tive a oportunidade de ler o post antes de ser apagado. Vc foi muito feliz em suas palavras, assino embaixo.

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