Monthly Archives: October 2007

shop update

#716

Uma leva de slings em tecidos portugueses e o regresso de alguns que tinham esgotado, mais dois bonecos um boneco. Tirei as fotografias sem os modelos do costume porque uma estava a dormir a sesta e o outro ainda não tinha voltado, mas talvez as faça noutro dia.

E ainda, uma mãe e um bebé slingado anónimos, apanhados em flagrante pela paparazza Margarida.

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nuvens

Ainda sobre o mesmo assunto: o post de hoje da Jane (e a pressão toda que imagino ter-lhe dado origem) deu-me vontade de ir comprar o livro dela outra vez. Sobre o que escrevi ontem, queria acrescentar (entre muitas outras coisas que se poderia dizer): 1. que se agora somos pós-feministas ou lá o que é que se nos pode chamar, é porque houve feministas propriamente ditas que nos abriram o caminho. Daqui as saúdo. 2. que, ideologias à parte e para ambos os sexos, aprender a coser e a fazer tricot é ou pode ser tão útil e interessante como aprender geografia e a prova dos nove. 3. que da minha história familiar aprendi que ser escolarizada, culta e politicamente activa é compatível com fazer os bordados mais bonitos. 4. que (em resposta à Susana) também acho perversa a competição surda entre as mães (nos jardins e nos blogs), a ver quem faz mais bonito e mais biológico. 5. que a mãe ou o pai que estão em casa com os filhos, a fazer com eles o que os educadores nos infantários fazem com os dos outros, estão (como eles) a trabalhar. E muito.

com ou sem cabeça

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Encomendei o The Gentle Art of Domesticity, da Jane Brocket só depois de ter lido esta crítica negativa. Nunca tinha sido seduzida por um blog em forma de livro mas, com o conteúdo visual do Yarnstorm, a possibilidade de o poder folhear longe do computador foi razão suficiente. E o livro é mais do que o blog. Não emito opinião sobre a opção de vida da autora, porque me parece ridículo fazê-lo, mas toda esta história da domesticidade não deixa de me incomodar um bocadinho, e confesso que uma introdução de cariz mais crítico ou histórico ou sociológico teria tornado (para mim) o livro ainda mais apetecível. Este post vem a propósito de umas linhas da página 11 em que se diz, sobre as gentle arts (ou ouvrages des dames, lavores ou aquilo que se lhes queira chamar): They have not been taken up by any government department and regulated and repackaged with health and safety messages and warnings. They are a matter of individual and personal choice. Percebo a ideia de afirmar que hoje em dia a prática das ditas gentle arts seja absolutamente livre e voluntária. Aliás, concordo inteiramente com a Jane quando ela afirma que é libertador o facto de não ser preciso skills, qualifications, training or equipment (já tentei explicar a várias pessoas que a criatividade que eventualmente tenha nestes domínios decorre em muito de ter estudado numa área bem diferente). Já a primeira frase fez-me saltar para ir buscar à estante uma pérola da literatura técnica do Estado Novo (ler alguns excertos mais abaixo), de onde se depreende exactamente o contrário, e querer vir aqui lembrar que o exame da quarta-classe das nossas mães incluiu uma prova obrigatória de Lavores Femininos, e que esta mesma disciplina (que os rapazes não frequentavam), as perseguia até no Liceu, gostassem ou não. Foi há muito pouco tempo e não convém esquecer.

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fitas

elephants yeah

A próxima fita está para breve. Tem elefantes, bichos particularmente dados a galões, tecidos e bonecos de pano.

Para breve também (não tem nada a ver mas fica a sugestão para quem estiver perto de Évora na quinta-feira), os (ex?-)Casino em palco.

blog action day

hoje só lixo, originally uploaded by *L.

Ainda na continuação deste post e dos comentários que suscitou:

Levo sempre sacos de casa para o supermercado, mas como hei-de evitar aqueles sacos pequenos para a fruta e legumes e as outras embalagens?

Os sacos transparentes também podem ser reutilizados, apesar de não ser assim muito prático andar com um monte de saquinhos de um lado para o outro. Podem fazer-se ou comprar-se sacos leves e reutilizáveis para os substituir (como estes) mas, pensando bem, na maior parte dos casos o seu uso pode ser evitado. Levando uma cesta ou um saco extra para os transportar, quase todos os vegetais (tirando os mais pequeninos) podem ser arrumados e pesados sem ser preciso um saco para cada um. Afinal, já havia idas ao mercado (para não falar nos vegetais propriamente ditos) muito antes da invenção dos plásticos. Quanto às outras embalagens excessivas, é uma questão de optar pelas marcas e lojas que não recorrem a elas.

Uso os sacos do supermercado para pôr o lixo. Há alguma solução mais ecológica?

Os sacos da maioria dos supermercados são tão finos que é preciso usar dois ou três para acondicionar decentemente o lixo doméstico. Por outro lado, comprar sacos do lixo não biodegradáveis é incentivar a produção de ainda mais sacos. O ideal seria os supermercados recorrerem apenas a sacos biodegradáveis que fossem vendidos (para controlar o seu consumo) e suficientemente resistentes para acondicionar o lixo. Para o conseguir, nada como pressionar os responsáveis.

Aqui fica uma possível carta a enviar (eu já o fiz) aos supermercados e outras lojas em que fazemos compras habitualmente, a adaptar e editar a gosto:

Ex.mos Srs.,

Sou cliente habitual do [nome do supermercado] e venho apresentar-vos algumas sugestões cuja aplicação em muito melhoraria a vossa imagem junto dos consumidores enquanto empresa empenhada na protecção do meio-ambiente e, pessoalmente, me daria razões para continuar a fazer compras nas vossas lojas:

1. Introduzir uma pequena taxa sobre os sacos de compras que actualmente o(s) vosso(s) estabelecimento(s) cede(m) gratuitamente aos clientes, à semelhança do que acontece por exemplo nos supermercados da marca Minipreço.

2. Incentivar os clientes a trazerem de casa sacos de compras reutilizáveis, em pano ou noutros materiais, através da sensibilização do pessoal que trabalha nas caixas registadoras.

3. Optar por plásticos 100% degradáveis (d2w) ou oxi-biodegradáveis, tanto para os sacos de compras como para os sacos transparentes da fruta e legumes e outras embalagens (de vegetais, charcutaria, etc.) usados nas vossas lojas.

4. Optar por plásticos 100% degradáveis (d2w) ou oxi-biodegradáveis para os sacos de lixo da vossa marca própria.

5. Incluir no website da vossa marca uma secção que informe os consumidores acerca da política da vossa empresa no que diz respeito às questões ambientais.

Os cerca de 150 sacos de plástico por pessoa produzidos anualmente acarretam graves consequências para o meio ambiente: para além de a sua produção implicar o consumo de combustíveis fósseis e a emissão de gases poluentes, cerca de 90% destes sacos acabam a sua vida em lixeiras, como lixo ou como contentores de desperdícios (fonte: Wikipedia).

A distribuição gratuita de sacos de plástico, que é prática do [nome do supermercado], é já proibida em países europeus como a Bélgica, Irlanda e Dinamarca, sendo cada vez mais sinónimo de atraso em termos de consciência ambiental.

Com os meus melhores cumprimentos,

[Nome]

Sugestões para melhorar o texto são bem-vindas.

No âmbito da iniciativa Blog Action Day, ao clicar nos anúncios da coluna da direita durante o dia de hoje estará a doar alguns cêntimos à Quercus.

verde que te quero verde

Amanhã, dia 15, é o Blog Action Day. A iniciativa é fácil de explicar: os autores de blogs que decidirem aderir vão escrever sobre a protecção do Meio Ambiente. O quê e sobre quê é à escolha de cada um. Quem quiser poderá também usar publicidade no blog para angariar fundos e doá-los a uma instituição ambientalista. A ideia é pôr o maior número de pessoas possível a pensar sobre o assunto e levar quem tem pensado pouco a mudar. Mesmo que seja só de lâmpadas.

Para além da Rita, que já mo confirmou, quem mais aderiu?

de cor (wip friday)

log cabin

log cabin

Desta vez não o vi. Aliás não o vejo há anos. Um edredão de seda e penas, fofo e nobre, digno de uma princesa. Já deve ser uma antiguidade. Não me lembro ao certo dos padrões e mesmo das cores já não tenho a certeza. Só do cheiro, do toque e do privilégio de o ter partilhado algumas vezes.

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shop update

#718

Três Dois novos bonecos e dois novos slings na loja. Um deles é em malha polar, já a preparar o Inverno e, por falar em slings e tempo frio, aproveito para explicar que o sling se veste por baixo do casaco, e não por cima. Não só é muito mais confortável como faz com que o bebé fique protegido do frio pelo nosso casaco (a mim deu-me imenso jeito nos primeiros meses um casaco de malha de grávida, que fechava por fora do sling).

Queria agradecer todos os comentários ao post anterior e chamar a atenção especialmente para os testemunhos da Isabel Ventura e da Conceição Ferreira. Num refere-se o hábito de levar crianças pequenas para o campo em gigas (cestas) e no outro (tcharam!) a forma como na beira litoral as mulheres seguravam os bébés com auxílio do xaile. Em Portugal e em pleno século XX! Sinceramente, é por isto que me dá gosto ter um blog. Se alguém tiver imagens antigas ou modernas destas práticas e quiser partilhá-las, por favor entre em contacto comigo, aqui nos comentários ou por email. Obrigada!

baby slingBaby sling

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porta-bebés

medieval babywearing

Livre d’astrologie, França, séc. XIV (pormenor) e S. Cristóvão, séc. XIII (proveniência desconhecida).

Desde que, com o nascimento da A., me tornei fã incondicional de slings, tenho passado horas a olhar para imagens das muitas formas tradicionais de transportar bebés junto ao corpo. Vêm da África subsariana (), da América Latina (), de todos os cantos da Ásia (), mas há-as de proveniências muito mais variadas do que à partida se espera. De uma região para outra variam sobretudo os materiais, que vão da simples tira de pano às mochilas/alcofas de tecido, verga ou cabedal ( ).

E na Europa? Longe das cidades e dos filhos dos operários atrelados às pernas das mesas (pormenor deste livro de que não me hei-de esquecer facilmente), na Europa pré-industrial, quando a família ia trabalhar, o que fazia aos bebés?

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botas

outono

Agora que os sapatos estão apertados e que a estação mudou, nada como umas botas da mesma proveniência. Falta aprender a dar os laços nos cordões, esses fechos pré-históricos que as crianças, habituadas aos sapatos que respiram e outros no género, já nem sabem bem o que são.