carnaval

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Desta vez estava preparada para a ouvir pedir-me um fato de princesa disney, mas anunciou-me há uns meses que decidira mascarar-se de fada chinesa e que só precisava de umas sabrinas novas. Ainda pensei que, nos dias que correm, a opção não fosse politicamente correcta mas demos ambas o assunto por arrumado. Ontem fomos comprar as ditas sabrinas e trouxemos um irresistível pijama de esqueleto dos saldos. Tão irresistível que pela hora do jantar a fada chinesa tinha sido substituída pela fada esqueleto. Não me ocorreu interferir ou contrariá-la e esta manhã lá foi, feliz, de pijama preto, asas, sabrinas, luvas e varinha cor de rosa, tal e qual como queria. Quando a fui buscar estava cabisbaixa. Todas (mesmo todas) as meninas estavam vestidas de fadas, princesas-fadas, fadinhas, rainhas ou belas-e-o-monstro (que é feito das noivas do Minho, palhaços, mulheres da Nazaré, índias, bruxas, joaninhas e outras que tais?). Desatou num pranto sobre ser igual e ser diferente, que se tinha arrependido, que queria estar de saia e que o esqueleto tinha sido uma péssima ideia. Tentei consolá-la com um vago discurso sobre as vantagens de ser original e de ter imaginação, mas sem grande resultado. O pior de tudo, disse-me em segredo, foi não ter ouvido dizer às outras crianças que estava bonita. Mas estava.

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