
…que ainda não regressaram da floresta. Na Retrosaria.

Quatro anos depois, está de novo a uso. Amanhã termino um novo.
Eu não ia mesmo escrever sobre o assunto, mas ter acordado hoje a pensar nisso fez-me achar que era melhor. Diria que aquele Aqui e Agora foi o pior programa de pseudo-informação da história do canal se tivesse visto outros, mas a verdade é que raramente ligo a SIC (e a televisão em geral) que não seja umas horas mais tarde, para ver uma série ou um filme. Aliás se visse mais televisão provavelmente teria dito logo que não à jornalista Amélia Moura Ramos quando ela me contactou. Em vez disso cedi duas horas de uma manhã de trabalho que teriam sido bem mais proveitosas a fazer outra coisa qualquer (nada, por exemplo) para lhe dar a minha opinião sobre o assunto que a levou a escrever-me (Sou jornalista da sic e estou a fazer uma reportagem sobre a vida privada na net. Li a sua opinião sobre os babybloggers e achei que seria interessante falar consigo.). Infelizmente, só quando vi a peça é que percebi que a intenção da jornalista nunca fora a de vir registar a minha opinião, mas antes a de recolher material para ilustrar o ponto de vista fundado na absoluta ignorância que serviu de premissa a todo o programa. A esta falta de sinceridade soma-se a falta de informação da Amélia Moura Ramos relativamente ao assunto: fui eu que lhe dei a conhecer os únicos outros sites que mencionou na peça e ela própria assumiu espontaneamente em conversa não ter nenhum à-vontade com as novas tecnologias (o que a meu ver é bastante desaconselhável a um profissional dos media) e o receio que tinha enquanto mãe de não poder acompanhar a filha nestes domínios.
Ora tudo isto seria apenas ridículo se não houvesse ainda muitos portugueses info-excluídos, que vêem televisão mas não sabem o que é um browser. Todos esses, que são pais e avós de muita gente, terão ficado ainda mais receosos e desconfiados mas nem um bocadinho mais capazes de proteger os filhos e netos dos tais perigos que lhes foi dito estarem do lado de lá de todos os monitores. Muito menos de os compreender.
Falta-me só dizer que também é por isso que deixei gradualmente de ver televisão: prefiro procurar e ler pessoas que escrevem, muitas vezes de graça, sobre aquilo de que sabem e gostam do que ver um grupo fixo de comentadores e jornalistas pagos para dizer generalidades (e enormidades) sobre qualquer assunto que lhes seja apresentado.

Um monte de coisas novas na Retrosaria. Entre elas, estes magníficos tecidos japoneses de inspiração africana, um com andorinhas mesmo a pedir mais saias com esta, outro perfeito para kimonos e blusas de Verão e mais uma série de novidades.
Levar para Lebução o projecto das meias foi uma decisão ainda mais acertada do que tinha suposto. Por lá tricotar meias sentada na soleira da porta é banal e trazer na mala lã e cinco agulhas é cartão de visita e assunto de conversa num sítio onde apontar a máquina fotográfica a uma parede dá muitas vezes direito a um sobrolho desconfiado. As meias de lã são mesmo do pouco artesanato que se vende na região, mas isso é tema para outro dia. As minhas foram usadas assim que ficaram prontas e gosto tanto delas que já estou a fazer outras. Por falta de experiência não as fiz com as riscas iguais numa e noutra, mas da próxima já sei. A lã, magnífica, é uma Trekking XXL.
Depois de passear por muitos sites sobre o assunto comprei o livro Folk Socks: The History and Techniques of Handknitted Footwear e recomendo a quem queira iniciar-se também.
Uma semana numa das regiões menos turísticas de Portugal, com rebanhos a passar à porta de casa e senhoras a fazer meia na soleira, campos de centeio e matas de castanheiros. Vi muito com os olhos (e o nariz e os ouvidos), e menos com a máquina.


Pôr o sono em dia.
Estamos de partida para uma semana de férias, para lá dos montes. Se vou poder ou ter vontade de aqui vir nos próximos dias ainda é uma incógnita, mas deixo como interlúdio estes links para Liivian Talossa, Heading East e Fine Little Day. Até já!