tecidos que falam (2)

October 8, 2008, 2:53 pm.

Kumasi, Ghana

Eliot Elisofon, Cloths on display, for sale at the market. Kumasi, Ghana, 1959 (imagem do Smithsonian Institution Research Information System).

Mais algumas imagens para ilustrar a história dos tecidos que falam. Nas últimas semanas tenho passado horas a olhar para fotografias de África. À medida que se reconhecem mais padrões as imagens ganham novas hipóteses de leitura. É viciante. Aqui ficam mais alguns bestsellers:


Precious beads make no noise

Precious beads make no noise

Precious beads make no noise, um de vários tecidos/provérbios alusivos ao valor do silêncio. Imagens: Ivory Coast (1989), Angola, Seydou Keïta, Untitled (Mali, anos 1950) e Gana (2007).

snail

You have taken me as cheap and easy as the snail (imagens: Fellani woman, Mali e Umbrella and chitenges, Zâmbia). Talvez se possa traduzir por qualquer coisa como levaste-me à certa.

the eye of the rival

L’oeil de ma coépouse ou I am not afraid of my rival’s eye, é usado como desafio de uma mulher à sua co-esposa ou à amante do seu marido (a poligamia é um traço cultural presente em muitos destes países africanos – ver Un panier de crabe nommé polygamie). Nas fotografias estão uma versão antiga do padrão (Seydou Keïta, Untitled, Mali, anos 1950) e outra contemporânea (Burkina), em que o tecido olha literalmente para o interlocutor de quem o veste.

gramophone

Grammophone record. Procurem-se imagens de celebrações e danças no Gana ou na Nigéria e este pano aparece quase sempre. Representa um disco de vinil e é usado em ocasiões festivas ou alegres. É o caso das das imagens: Church XV e Eliot Elisofon, Musicians and dancer in the courtyard of the shrine house. Besease, Ghana, 1971 (imagem do SIRIS).

Further reading:

Egbomi Ayina, Pagnes et politique.

Les pagnes qui parlent: kit pedagógico para atelier escolar sobre a história dos panos africanos, com documentário incluído. Gostava de ver!

  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • StumbleUpon
  • Tumblr
  • Twitter
  • Reddit
  • ThisNext
  • MySpace

12 Comments

  • ruteparedes says:

    Rosa

    como uma apaixonada de tecidos africanos com família em moçambique, adoro a tua pesquisa e recolha.

    Estou fascinada e agradecida pela tua iniciativa.

    bjs

    rute

  • Zelia says:

    :)

    Tecidos que nos ensinam…. :)

  • mary says:

    I like “precious beads make no noise” and Seydou Keita´s photographs are amazing. I like everything about this series.

  • linda, linda foto, a primeira. apetece ver com uma lupa todos os pormenores. :)

  • Luisa says:

    Chitenges? Chitas? Fomos nós que levámos o nome ou eles que no-los deram?

  • arch190 says:

    I’m very impressed by those fantastic snail earings!!

    but also by all these wonderful africans prints.

    bom dia : )

  • sara says:

    De facto, os brincos em forma de caracol, mais parecem braceletes… Mas que fotografias fabulosas! Estamos a adorar esta tua análise/exposição. Obrigada!

  • Suzanne says:

    Rosa, que colecção tão arrebatadora que tens criado! As imagens deste post são especialmente cativantes.

  • Maria João says:

    Rosa,

    Desde que leio o teu blog tenho vindo a reparar mais nas coisas que me rodeiam, como por exemplo o mosaico hidráulico.

    Ontem a passar na rua vi uma senhora vestida com tecidos africanos. Tive pena de não ter a máquina comigo e pus-me logo a pensar no significado do tecido. Há na verdade tecidos lindissimos, como estes que dás a conhecer.

    Obrigada pela partilha.

    MJ

  • Ana says:

    Olá Rosa, no fim de semana passado estive a ver esta exposição … lembrei-me do post!

    The Essential Art of African Textiles: Design Without End

  • Lori says:

    gorgeous, inspirational images!

  • lAURENTINA says:

    Olá ,

    descobri este blogue num passeio pela net…e qual não é o meu espanto dou com coisas da minha terra!!!

    Casei-me o ano passado e o meu vestido de casamento foi feito em Moçambique e em capulana pela Carla Pinto, do http://www.ideiasametro.net/.

    Tenho uma colecção de capulanas antigas de fazer inveja

    Padrões dos anos 60/70/80 que já não aparecem.

    Só tenho pena que se tenha deixado passar TANTOS ANOS para se dar valor ao que se fazia e faz em Moçambique…

Trackbacks / Pingbacks

Leave a Reply