passajar

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Depois de se começar a fazer roupa ganha-se um apreço pelo trabalho e pelos materiais envolvidos que muda a forma de olhar para a que se vê nas lojas. Fica-se com mais respeito por quem a cria e faz e com menos por quem vende a preços tão baixos que implicam certamente a exploração de alguém. O passo seguinte (do meu percurso, pelo menos) é ponderar cada vez mais cada compra e comprar menos mas melhor. Depois há que saber compor, que é a parte aborrecida até se aprender a olhar para ela de outra maneira e que implica o domínio de técnicas em vias de extinção, como a de passajar. Neste campo tenho quase tudo por aprender, mas vou fazendo progressos. As pantufas velhas da E. renovadas para a A. com remendos (aliás rambend-uf, que é como ela diz) são um sucesso.

Darning / Passajar:

Caixinha do tempo e contents of the painted austrian box, o meu kit de compor meias e outro de longe mas de conteúdo quase igual.

Rato multifunções (via dite lulu).

Mended, de uma das minhas paragens diárias obrigatórias e Make Do and Mend, para ler e aprender.

Imagem: Unidentified woman darning a sock from a story concerning the Ford Motor Company (pormenor), 1937.

12 comments » Write a comment

  1. Engraçado, ainda ontem a minha Mãe estava a “remendar” umas meias do meu Pai, e queixava-se que os novelinhos de linha de passajar tinham diminuido de tamanho. Conclusão dela, hoje em dia já ninguém passaja a roupa :)

  2. Como sabes, concordo contigo em absoluto, no que à roupa e mão de obra escrava diz respeito…

    O que me choca ainda mais é os comentários à notícia que linkaste (à qual eu tb já tinha linkado em tempos) é o facto de as pessoas não se importarem minimamente com quem faz as roupas nem de onde vêm. É barato? Então não interessa, compramos.

    Os baixos salários em Portugal e o custo de vida não podem ser desculpas para explorarmos terceiros em nome do lucro (Sr.Ortega) e do consumismo (consumidor final).

    Beijos :)

  3. É tarefa árdua não se deixar levar nas ondas do mais fácil e do que está logo ali à mão, mas sabe bem quando percebemos que já não fazemos parte da loucura, porque estamos conscientes dela.

    Gostava muito que o feito à mão, o feito em casa com carinho e o tal respeito de que falas fosse retomando o lugar que perdeu. E ficávamos todas tão mais bonitas!

  4. Aprendi com a minha bisavó… coitadita, já estava tão velhinha (chamávamos-lhe isso mesmo: “Vó Velhina”). Eu tinha uns 7 anitos e adorei a tarefa!

    Hoje em dia se tiver que o fazer, é sempre uma memória presente. Ela dizia: “Uma mulher tem que saber fazer estas coisas”. Não é que se leve à letra, mas há tanto a aprender com o passajar, o reutilizar, o reciclar, o fazer-nós-mesmos…

    Quanto à exploração… estou como a Rita, os comentários são de facto chocantes. É isso, ninguém quer saber.

    Obrigada por lembrares destas coisas Rosa.

  5. Ah! Acho que também se pode chamar de “cerzir” não é? São mesmo palavras que já não ouvimos muitas vezes…

  6. Também eu tenho pensado muito nisto ultimamente – em parte penso mais nisto por agora fazer mais coisas eu própria (o que tornou tudo o que é feito por mim e por outros muito mais valioso) e por ter um filho pequeno a quem as roupas deixam de servir (e arranjo formas de as fazer crescer, reutilizar ou passar para outros meninos).

  7. A minha mãe foi sempre muito criativa e crafty por isso me habituei desde cedo a fazer peças de roupa e também a “renovar” as já muito usadas…

    Uma das primeiras coisas que aprendi a fazer, em costura, foi a remendar meias com esses ovos de madeira…Frequentemente renovo peças de roupa da minha filha e que curioso foi ler este post justamente quando comecei um “acrescento” a um gorro que ficou curto e já não tapa as orelhas :)

    Também, cada vez mais, prefiro comprar menos e bom até porque o bom dá para renovar.

  8. Eu sou filha de uma costureira Rosa. Por isso gostei tanto deste teu post e sei tão bem do que falas. Aos anos que não via um ovo de madeira…vou precisar. bjs

  9. Apesar do consumismo em que vivemos, na minha casa sempre se coseram os buraquitos das meias e quem o faz é o meu marido. No início ficava um caroço autêntico, mas não rompia mais. Agora até usa o ovo e vou-lhe comprara linha de passajar que fica muito melhor. Eu aprendi a fazê-lo com uma costureira que ia semanalmente para casa da minha avó fazer esses trabalhos e ainda bem. Gosto muito de fazer esse tipo de coisas.

    Parabéns por todas estas ideias. Gosto muito de aqui vir.

    isabel

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