da baixa

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Custa vê-los fechar, um a seguir ao outro. Os grandes armazéns de tecidos, com os seus balcões de muitos metros e prateleiras a perder de vista, parecem já não servir senão para fazer sonhar com um tempo que não se conheceu. No Porto no mês passado já não pude entrar no Simão Matos & Filho da Cândido dos Reis (ouvi dizer que vai ser transformado em bar) e em Lisboa desapareceu sem aviso o Depósito da Covilhã. O das fotografias descobri-o na semana passada, tão lindo quanto moribundo.


da baixa

23 comments » Write a comment

  1. Conheço muito bem a sensação de ver prateleiras como essa!

    Trabalhei até há pouco tempo numa loja de tecidos em plena baixa lisboeta, que ainda se encontra a funcionar e donde saí por saber exactamente o fim que vai ter.

    Ainda sinto no meu nariz o cheiro dos panos novos, acabados de chegar e nas minhas mãos a maciez e frescura dos linhos com que trabalhei.

    Saudade, muita saudade…

  2. É realmente uma pena Rosa… estive na Simão Matos & Filho 1 dia antes de fechar… para além de se perderem os tecidos, perdem-se também estes espaços maravilhosos, os móveis antigos, os balcões de madeira… quem me dera ter aqui na loja um balcão desses! A minha loja ideal teria antigos móveis de mercearia e armários cheios de gavetinhas de todos os tamanhos… sonhos a realizar!

  3. É mesmo mesmo muito triste.

    Normalmente as pessoas que trabalham nestas lojas mais antigas, percebem imenso do assunto. Aqui onde moro, ainda existe uma assim( a única loja de tecidos da vila). Quando lá vou, fico sempre admirada com o preceito ao cortar o tecido. É quase uma ciência

    (a primeira fotografia, embora triste, é lindíssima)

  4. Ohhhh, qué pena!!!! no dejeis que esto ocurra. Aquí en España ya no queda nada, todo se destruyó, se convirtió en horrorosos locales con pretension de nosequé, carentes de personalidad, sin historia alguna, sin gusto, sin amor, olvidandose de todo aquello que nos construye, de la historia que nos hizo ser lo que somos… Aprovechad!!!

    Parabens por vuestro trabajo a tod@s.

  5. é uma pena continuar a ver lojas tão características da nossa cultura desaparecerem assim, sem aviso, sem quê nem porquê. as fotos, especialmente a última, estão deliciosas.

  6. Olá Rosa,

    É uma grande pena mas não deixo de sentir que os donos das lojas (os empresários, os patrões) têm uma grande quota de responsabilidade. É certo que os tempos mudaram mas a verdade é que o tecido empresarial português tem muita dificuldade em acompanhar os tempos e tornar o produto que vendem apetecível às novas gerações. Já ouvi coisas (ditas pelos próprios empresários) como “a juventude quer é ir para a boîte dançar”, sem ter a mínima noção de que há bastante juventude que para além de dançar também gosta de comprar produtos de qualidade.

    Enfim, esperemos que a tendência mude antes de que fechem todas as lojas…

    Mais um comentário: as fotografias estão muito bonitas!

  7. É triste, mas o que percebi em algumas situações que conheço é a resistência em acompanhar a evolução dos tempos modernos. Por vezes a “ajuda” chega a horas mas a concordância com mesma já vem tarde.

    Mas tenho pena, muita mesmo. Perde-se valores muito importantes.

  8. Fico triste ao ver que cada vez mais estas lojas maravilhosas tenham este rumo, é verdade que os tempos mudam e as necessidades também, “e os interesses da juventude são outros” dizem os entendidos, tenho 23 anos, acho que ainda entro no título de” jovem”, e o amor que tenho pela minha cultura, pelas coisas especiais que nos tornam portugueses é transcendente, orgulho-me de ser portuguesa, e acho que casas destas, que tanto caracterizam um país, uma cultura, não deveriam acabar assim.

    É inadmissível chegar a este ponto e não acho que seja só a crise um factor destes acontecimentos, talvez seja o desinteresse de alguém superior, e não se fala só de lojas cheias de personalidade e histórias para contar, do comercio e os seus produtos tradicionais, fala-se de edifícios antigos, ruas etc.

    Mais simples seria se o problema fosse só mesmo o estado em que o país se encontra e de todas as dificuldades pelas quais está a passar, não querendo ser radical, nem ofender ninguém, não estamos numa época fácil é verdade, etc., só pretendo dizer que por más decisões trazem consequências ainda piores, e que para se chegar a este estado de certeza que o problema é bem maior do que aparenta ser.

    Na minha opinião o desinteresse actual de certos jovens, passa também pela mensagem que se deixa transmitir, se realmente existisse um maior interesse por coisas tão simples como a nossa cultura as coisas não tomariam esta dimensão.

    Lisboa (e não só, todo o país) precisa de novos projectos que a revitalizem, que traga de novo á vida a sua tradicionalidade. É evidente que projectos destes já existam, mal seria se assim não fosse, o grande problema é que quem deveria se interessar por estas proposta não se interessa. Enfim, sinto-me revoltada e inútil por não saber realmente o que posso fazer para este cenário mudar de uma vez.

    Á parte desta minha revolta lol as imagens são maravilhosas Rosa :) beijinhos

  9. Fico pensando se somos nós que queremos reter nas mãos um passado que quer partir…

    Lastimo muito a perda de lugares tão cheios de história e tradição. Na minha cidade, que é muito jovem, pouquíssimas construções antigas temos, e como sofro quando mais uma se vai. Dói ver uma parte da alma da cidade desaparecer.

    Será que é um excesso de saudosismo, um apego ao passado ?

    Prefiro acreditar que é uma vontade de preservar a História e as Tradições.

  10. É um desespero.

    Se em Lisboa e Porto elas fecham,mas algumas ainda resistem,quem vive na Província vê-se impedida de criar.

    Por sua “culpa”,comecei a costurar.

    Há dias corri as retrosarias todas de Faro e não consegui comprar 1cm de galão de algodão,fui a Olhão 10km de Faro,à procura de velhas retrosarias,restavam duas.

    Numa só encontrei meia dúzia de artigos,todos sintéticos e sem graça.Na outra,completamente descaracterizada, tive de insistir que procurassem no fundo da loja, artigos “velhos e fora de moda”,descobri relíquias,mas foi preciso ser eu a entrar na contra loja e descobri-los,entre uma parafernalia de coisas sem graça. São velhos ninguém os procura disseram.

    Hoje, fui a uma retrosaria na Cova da Piedade perguntei pelos velhos metros de madeira,fiquei a saber que estão proibidos, agora só podem usar metros em metal,a madeira encolhe e o cliente fica prejudicado.Ao contrário dos de madeira, sempre feitos em Portugal, estes são pavorosos e são espanhóis.

    Alguém, alguma vez se sentiu roubada pelo tecido ter sido medido por um metro de madeira?

    Isto é mesmo verdade?

    Estou incrédula.

    Ana

  11. Aqui em Roma uma dessas também está fechando. Era uma atividade administrada há várias gerações. Sai de lá com 15 tipos de tecidos diferentes e me dá pena pensar que este verão não estarão mais por aí

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