a língua de fora já!

Todos ao Museu de Arte Popular amanhã!

Conto convosco! Divulguem e venham ajudar. Tragam uma cadeirinha, um casaco e muita energia:

Amanhã, Sábado, comemora-se o Dia dos Museus. Por isso, resolvemos festejar o Museu de Arte Popular, um museu fechado que queremos ver vivo, reaberto, renovado.

Após a aprovação na semana passada, em Conselho de Ministros, da instalação do Museu da Língua no edifício do MAP, esta é a nossa última hipótese de protestar contra uma decisão arbitrária, leviana e culturalmente injustificável.

Assim, a partir das 12h00 de sábado, diante do Museu de Arte Popular, voluntários e voluntárias bordarão colectivamente um Lenço de Namorados gigante, declarando a sua estima ao Museu de Arte Popular. Quando a noite cair, suspenderemos o resultado na fachada do Museu.

Junte-se a nós. Fornecemos os materiais mas precisamos de mãos. Se não sabe bordar, não faz mal: esta é a ocasião de experimentar. Traga os amigos, a mãe, a tia, as crianças – o importante é mostrar que há quem não se conforme com o fim anunciado do Museu de Arte Popular.

A Língua de fora, já! Pelo Museu de Arte Popular, bordar bordar!

Organizadoras:

Catarina Portas, empresária A Vida Portuguesa / Quiosque de Refresco

Rosa Pomar

Joana Vasconcelos, Artista Plástica

Raquel Henriques da Silva, Professora de História de Arte, FCSH Universidade Nova de Lisboa

(imagem: Decoração mural da sala de Entre Douro e Minho, por Tomás de Mello (Tom) e Manuel Lapa)

PS: no Facebook, estamos aqui.

munições

museu de arte popular

Museu de Arte Popular

Para muitas pessoas da minha idade o Museu de Arte Popular já é só aquele edifício abandonado em Belém com uns curiosos bois à porta. Outros lembram-se de lá ir em visita de estudo ou de passear pelo vizinho Mercado do Povo.

Mesmo entre quem trabalha na área do design e dos novos artesanatos, pouca gente conhece a história única deste museu, e só por isso se justifica que não se ouçam já mais vozes em desacordo com a decisão governamental (já tomada e destomada várias vezes) de instalar no edifício do Museu de Arte Popular um suposto Museu da Língua Portuguesa.

Não vou alongar-me muito sobre o porquê de esta decisão ser absurda porque outros já o fizeram muito melhor do que eu conseguiria. Recomendo a quem queira informar-se um pouco estes textos da Prof. Raquel Henriques da Silva e este outro da Sara Figueiredo Costa. Pelo meu lado, pego na razão mais óbvia: Lisboa tem de ter um museu digno onde famílias, alunos, investigadores e turistas possam conhecer a arte popular portuguesa, sem que a obsessão com o politicamente correcto acabe por funcionar como um perverso mecanismo de censura. Neste momento, e de há muito tempo para cá, isso é totalmente impossível: no Museu do Traje os únicos trajes populares à vista são as miniaturas vestidas numa pequena colecção de bonecas dos anos 40. O Museu Nacional de Arqueologia guarda o espólio etnográfico recolhido por José Leite de Vasconcelos bem longe do olhar dos visitantes. Finalmente, no Museu Nacional de Etnologia que para além do seu próprio espólio esconde as colecções pertencentes ao Museu de Arte Popular, as Galerias da Vida Rural não têm sequer um horário normal de abertura ao público. A MatrizPix dá-nos apenas um vislumbre do que deveríamos ter direito a ver exposto.

Não é por acaso que quem, como eu, se começa a interessar por exemplo pelas tradições têxteis, dá por si a passar horas a fio nos sites de museus estrangeiros, e a tricotar meias Turcas em vez de meias da Serra d’Ossa (estas últimas condenadas a desaparecer em breve). Também não é por acaso que os designers ou empresários que querem integrar motivos populares no seu trabalho irremediavelmente acabam por pegar no galo de Barcelos ou nos lenços de namorados. É que por cá não há grande hipótese de terem visto outras coisas.

Está planeado para amanhã um acontecimento em defesa do Museu de Arte Popular. Mais detalhes já já a seguir.

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◲◱

mini

O half log cabin é um padrão que não aparece com frequência no patchwork popular português, mas de que gosto muito. Principalmente nas suas versões afro-americanas, como esta ou esta. Acho-o interessante sobretudo quando é interpretado de forma bastante livre e cada bloco é pensado individualmente em vez de ser igual aos do lado. Para os meus, o que faço é cortar a olho três tiras de largura diferente de cada um dos tecidos e trabalhar a partir daí.

No caso deste, não fiquei muito satisfeita com a opção de acolchoar com linhas diagonais (que interferem com a leitura do patchwork), mas estou contente com a conjugação das cores e dos padrões. Os tecidos são todos da Retrosaria, claro.

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singer 306k

heavy metal

A minha nova velha máquina de costura é uma Singer 306k feita em 1961, trazida do mesmo sítio que estes retalhos. Ainda não a experimentei (porque precisa de ser bem limpa, afinada e instalada) mas estou ansiosa e, pelo que tenho lido online, convencida de que nos vamos tornar grandes amigas. Há muito que pensava trocar a minha máquina de plástico por uma de metal, e esta surgiu-me no momento certo. Por sugestão da Rita, vou levá-la a passear a Santarém para ser tratada por um especialista, porque infelizmente a Singer portuguesa há muito que deixou de se interessar pelas máquinas que fizeram o nome da marca e em Lisboa não é fácil encontrar assistência de qualidade.

Se alguém tiver experiência com este modelo, as sugestões são bem-vindas.

konec

pojd'te pane

Vasco Granja tinha razão: pode ser-se culto visualmente. Uma cultura visual rica pode conduzir a um gosto pelas coisas bem feitas e bem desenhadas, imaginativas e belas. Uma cultura visual rica pode dar-nos um mundo melhor, e isso pode começar a um sábado de manhã, com uma selecção de obras de arte muito diferentes umas das outras.

Faço minhas estas palavras do Rui Tavares, na Crónica sem dor do Público de hoje.

E agora vejam um excerto de Potkali se u Kolina, realizado nos anos 60 por Bretislav Pojar e Miroslav Stepanek, da magnífica série Pojd’te Pane (um êxito cá em casa):

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de papel

o elfo imaginário

o elfo imaginário

A E. prepara os seus espectáculos com cada vez mais cuidado. Os últimos a que assisti foram O fantasma rei da Índia e O Elfre (sic) imaginário. As representações vão aos poucos ganhando consistência mas o que a entretém durante mais tempo é transformar a casa numa sala de espectáculos, construir a bilheteira e o bar e instalar a sinalética.

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