Deutsche Bauern in Ungarn

Deutsche Bauern in Ungarn

Não resisto a mostrar aqui algumas ilustrações de um livro que herdei inesperadamente, depois de hesitar durante vários dias por achar que talvez fosse demasiado politicamente incorrecto fazê-lo. O livro (Deutsche Bauern in Ungarn) pertencia a uma minha tia-avó, que o recebeu como prémio do liceu pelo seu aproveitamento na disciplina de Alemão, e as imagens (bem como a qualidade gráfica e de impressão da obra) são, quanto a mim, indiscutivelmente admiráveis. A hesitação deveu-se ao facto de ter percebido que a autora, a artista austríaca Erna Piffl, especialista em desenho etnográfico, esteve ao serviço do regime nazi. Pode-se gostar dos desenhos da mesma maneira depois de o saber? Não tenho a certeza. Mas deixar por isso de os mostrar já me estava a parecer um acto de censura.

Sobre o tema, para quem domine o idioma, veja-se o site do Bundesinstituts für Kultur und Geschichte der Deutschen im östlichen Europa.

Deutsche Bauern in Ungarn

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Deutsche Bauern in Ungarn

Erna Piffl, Deutsche Bauern in Ungarn. Mit einführenden Beiträgen von Arthur Haberlandt und Ernst Rieger. Verlag Grenze und Ausland. Berlin, 1938.

17 comments » Write a comment

  1. Bom dia Rosa,

    Estou de acordo que poderia ser censura, mas, de facto, depois de se saber não é possivel ficar indiferente, nem gostar da mesma maneira.
    De qualquer forma, obrigada!

  2. Desfruta o livro sem problemas! Não te esqueças de que grande parte das pessoas que esteve ao serviço do regime nazi, foi porque não tinha outra opção. Beijinhos

  3. Livro lindo, pena eu não perceber nada de alemão, a artista podia ser nazi, mas não deixava de ser uma belissima artista por isso, fizeste bem em publicar estas fotos, caso contrário estarias a ser como eles.

    Adoro o teu Blog, parabéns.

    Beijocas ;)

  4. Por razões de trabalho ando bastante interessada na arte de Regimes de Ditadura, porque cheguei à conclusão que a tentação da maioria das pessoas é censurá-la. Houve excelentes artistas que fizeram obras de grande qualidade e julgo que o nosso dever é olhar para as obras sem por aquilo que são. Até porque para quem estuda esses artistas torna-se muito difícil encontrar informação. Parabéns e obrigada pela tua decisão!

  5. Compreendo a tua hesitação.
    Quanto a mim, gosto igualmente na mesma mesmo tendo esse conhecimento.
    Quantas obras não aprecio eu e sei lá que gente está por detrás delas? Sem que um regime tenha feito a cabeça desse mesmo alguém por vontade própria ou por medo do mesmo.
    E quantos e quantos regimes similares estão acontecer agora neste mesmo momento em outros países e vamos contribuindo comprando artesanato deles por exemplo? E o petróleo por exemplo. Dá pano para mangas.
    O contrário também é verdadeiro, se uma alguém que admiremos muito que seja alguém que vivam “em odor de santidade” se fizer uma grande trampa e a publique não temos que parabenizar ou gostar, ou temos?
    E de qualquer forma é mais uma maneira de lembrar o inaceitável que muitos actualmente querem apagar dos livros de história.
    Bem, e não vamos nós a medieval ou para trás, certo?
    Ou seja, para mim o livro é um tesouro, o papel é lindo e as ilustrações são lindíssimas.
    SP

  6. Devias pôr a data do prémio e da edição, e localizar o prémio (liceu ou escola alemã?). Estava-se em pleno nazismo ou já durante a guerra (?) – o confronto entre regimes autoritários e liberais passava por cá, sob a prudência calculista de quem esperava para ver e negociava com os dois lados. A propaganda alemã estava muito presente, mas também a americana e a inglesa. Não é que me lembre, mas os seus vestígios e influências permaneceram.
    Este folclorismo era internacionalmente comum no seu tempo, e sem identificação directa com a direita, mas os alemães associaram-no ao culto da raça ariana e da “pureza” das suas tradições, com as consequências que se conhecem (e o apoio da França de Vichy). Depois, no Ocidente, deitou-se fora o bebé com a água do banho, enquanto na Europa Oriental ele continuou a ser apreciado e oficializado.

  7. É bom não esquecer o mal que os regimes ditatoriais fizeram ou fazem,o esquecimento não é a melhor forma de que se não voltem a repetir. Os artistas são veículos da propaganda desses regimes mas não se pode nem se deve ficar indiferente à qualidade das obras.

    Para se poder ser crítico tem de conhecer o lado negativo das coisas e este conhecimento servirá para que possamos saber o lado que devemos escolher e envidar esforços para que as barbáries não se repitam

    Fez muito bem em publicar e partilhar connosco esse belo exemplar.

  8. Concordo, acho que fizeste bem em partilhar, nao é mao para nos conhecer a “verdade” , o que é que fazia esta mulher. A informaçao, a educaçao e a historia sao a base de um futuro melhor…

  9. não podemos confundir a obra com a vida dos seus autores…

    veja-se o caso de picasso, um misógino que glorificava a mulher nas suas obras…

  10. Não se preocupe com o fato dela ter trabalhado para o regime nazi. Como falaram acima, nem todos que o fizeram foi por opção, mas por falta de. Digo por experiência familiar, então não deixe seu corãção julgar quem não pode mais se defender (e talvez nunca tenha podido).
    Bjs e parabens pela coragem de enfrentar seus receios em prol de algo mais belo!

  11. Já foi tudo dito.
    Mas não queria de deixar a minha opinião (que vale o que vale): eu considero-me uma pessoa de valores, que foram criados pelos que rodeiam, pelas situações que vi e vivi e pelo processamento que lhes dei. Não sou, nem de perto, parecida com as minhas irmãs e temos 5 anos entre a primeira (eu) e a última (a 3ª). Fomos, em termos de núcleo familiar e próximo, influenciadas de igual modo, obviamente que o processamento deve ter sido diferente…
    Considero-me uma pessoa de pensamento livre (dentro do possível) mas não sei se corajosa o suficiente para não sucumbir ao medo, e principalmente se já tivesse a minha filha…
    As gravuras são lindas, a autora… não sou eu que a posso julgar.

  12. Rosa,

    Pensa que muita da etnografia e antropologia produzida serviram para sustentar regimes políticos e ideiais duvidosos. No entanto terão o seu mérito se forem abordados com o máximo distanciamento e objectividade.

  13. a vida está cheia de contradições. Adiante. em 37, 38, a burguesia portuguesa era maioritariamente pró-alemã, com algumas honrosas excepções. e os regimes ditatoriais europeus da época sempre foram ‘modernos’, tendo todos sem excepção demonstrado qualidades para congregar os melhores artistas do tempo…

  14. Olá Rosa,

    Acho que as ilustrações são magníficas, independentemente da história por detrás da artista. Não podemos mudar a história e, na minha opinião, temos de fazer as pazes com ela e aceitar que aconteceram muitas coisas de que não gostamos: só o título já é testemunho da filosofia alemã da época. Posto isto, acho fabuloso herdar um documento histórico destes e agradeço a divulgação.

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