dos trapos

manta da natália

manta da natália

Tive o prazer de partilhar com a Diane o momento em que de uma velha arca saiu esta manta estrelada (e deixo-lhe a tarefa de a mostrar melhor um destes dias). Não sabemos quando nem por quem foi feita, mas os tecidos não terão menos de cem anos. Não tem recheio nem é acolchoada, e o método com que foi feita não é nenhum dos que vêm nos livros estrangeiros. Ver uma peça assim reforça a minha ideia de que não faz grande sentido usarmos tantas vezes o vocabulário do quilting norteamericano para falar das nossas mantas de retalhos e que era muito mais interessante, por exemplo, descobrirmos se por cá este motivo de estrelas () tem nome. A Natália, que herdou esta manta (e que aparece a fiar no post anterior), chama-lhes simplesmente mantas de trapo. Foi nela que a sua filha se inspirou para fazer esta outra e a Diane trouxe-a emprestada para nos inspirar também a nós.

elas brincaram, nós brincámos

elas brincaram, nós brincámos

16 comments » Write a comment

  1. Pois é, seria certamente muito mais interessante e estimulante usar termos e designações portuguesas.
    Mas todas as vezes que tenho encontrado “fazedoras de mantas de trapos” não consigo obter léxico próprio…
    Aí está uma boa investigação para a tua faceta de historiadora ;)

  2. Do que posso dizer na sabedoria popular açoriana existem dois nomes : trabalhos loucos e mantas de retalhos! Existem igualmente nomes para pontos! bom e lá nem se conhecem expressões como quilting ou patchwork* :d somos muito sábios :p

  3. Pois é, tenho dudas de que cá em Espanha tenham sido utilizadas tambem as palavras em ingles, pois até agora somos muito pouco dados aos anglicismos…aliás, bastante pouco dados a falarem em inglés ainda menos correctamente… e também vou a procurar como é que podem se chamar as mantas entre aqueles que as fizerom sempre.
    Como sempre, peço desculpas pelo meu portugues, que está a melhorar com as leituras dos seus blogues.

  4. Não percebo nada de quilting, mas hoje em dia reparo que se compram os tecidos com a intenção de combinarem numa manta. No tempo da minha avó costureira, faziam-se as mantas apenas com os pequenos retalhos que sobravam de roupas ou outros trabalhos que costuravam. Para mim a beleza estava na combinação de pequenos retalhos que já tinham sido de outras roupas e que surpreendentemente combinavam, e tudo se aproveitava até ao fim.

  5. As minhas avós, materna e paterna, a 1ª da zona do Fundão e a 2ª da zona de Alcobaça, dedicavam grande parte do seu tempo nestas mantas: ainda tenho alguns exemplares e sempre lhe chamaram mantas de retalhos… a noção do quilting só a tive muito mais tarde e por “aculturação” se assim se pode chamar ;)

  6. eu acredito mesmo que estamos a “importar” muita da tradição americana do patchwork… e que estamos a deixar perder a nossa, a das mantas de trapos ou retalhos… mas acho que isso também tem muito a ver com outra questão:a dos tecidos… não é que não hajam tecidos de designers bonitos e apetecíveis…mas se formos à procura dos tecidos portugueses (de florzinhas miúdas, por exemplo…) não os encontramos… pelo menos não com muita facilidade (sem ser as chitas…)o que acaba por colocar outra questão:o artesanato moderno, urbano (ou handmade… ou como quisermos chamar às criações saídas das nossas mãos…) são cada vez mais uniformes…basta um pequeno raide pela net para nos depararmos com centenas de trabalhos feitos com os mesmos padrões…

  7. Há muito que venho cá visitar o blog, nunca comentei mas senti-me tentada da fazê-lo agora.
    Para mim nunca fez sentido comprar tecidos especialmente para fazer uma manta de retalhos, por isso guardo todos os meus farrapos. Uso-os aleatóreamente em quatrados de 10×10, que depois uso para contruir talegos ou mantas. Assim sinto-me satisfeita por evitar o desperdicio.
    Não vi nenhum mail, se não mandava-lhe um exemplo.
    Lamento o comentário ser tão extenso…

  8. boa, Rosa, eu estava pensando muito em como fazer uma estrela (tentei com triângulos, mas ficou muito complicado!) esta forma é perfeita.
    é mesmo bacana procurar pelos vocabulários em português! mas é que há um salto de geracoes que nao costuraram, imagino que só os bem mais velhos poderiam saber esses nomes. Ou quem sabe criar um vocabulário novo aí nas oficinas de “coser retalhos”? divertimento garantido enquanto vocês costuram em conjunto ;)

  9. Oi, Rosa, adorei que colocasse essa questão.
    Concordo totalmente com a Teresa, pois parece-me coisa de louco comprar um tecido inteirinho, cortá-lo em pedaços e juntar novamente !!!
    Não faz sentido algum ! Também não concordo com o uso exclusivo dos termos em inglês, se tivermos nomes na nossa língua. Não tenho nada contra a língua inglêsa, que por sinal acho muito bonita.
    Manta de retalhos parece-me um nome muito bonito, poético até.

    Aproveitando o espaço, gostaria de perguntar se alguem sabe a origem do nome “fuxico”, para as rodelas de tecido franzidas. Minha avó fazia, mas não lembro que as chamasse assim.

  10. sempre lhes chamei mantas de retalhos, aprendi-o com a minha mãe e a minha avó, nunca me identifiquei com a expressão em inglês e nunca percebi porque algumas pessoas a usavam.

  11. Bom dia aqui no Rio de Janeiro, Flora Maria.

    Sobre o fuxico
    diz o blog “Museu da Língua Portuguesa”, que este termo chegou ao Brasil, vindo de África, da língua quicongo, uma língua africana falada pelos bacongos nas províncias de Cabinda.

    Na sua origem diz-se “fuuzya” e significa “mexericar”, “segredar”. A palavra fundiu-se com o brasileiro e ficou “fuxico” com este significado.

    Resta saber se “fuxico” não existiria já no português do Brasil, com o significado de “costura mal acabada, provisória”.

    Aqui no Brasil, principalmente nas cidades do interior, era feito por grupos de mulheres, que se reuniam nas horas vagas, para confeccionar com as sobras de tecidos, toalhas, tapetes, colchas e o que mais a imaginação criasse. Enquanto trabalhavam, também falavam, por isso o nome “fuxico” (fofoca), ou melhor, discutiam sobre seus problemas do dia-a-dia, além de incrementar a renda doméstica, vendendo para amigas os trabalhos por elas produzidos.

    E… vamos ao fuxico, o artesanato não sai de moda.

    saudações brasileiras, abraços, Silvia

  12. Pingback: A Ervilha Cor de Rosa » dos nomes das coisas:

  13. Obrigada, Sílvia, pelas explicações.
    Obrigada, Rosa, pelo espaço no seu blog.

    Beijos

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