fazer é poder

ela

ela

Há um mês que Posso ir coser à máquina? é a primeira frase que diz quando entra na loja. As amigas que vêm passar o dia com ela não se escapam aos seus workshops e todos os dias pede mais uns restos de tecido para as suas experiências. Têm-me perguntado se não tenho medo que fure um dedo e respondo que a ensinei a desligar sempre o interruptor antes de enfiar a agulha e que da única vez que me magoei na máquina tinha mais vinte anos do que ela. Hoje disse que ia fazer uma boneca enquanto eu dava um salto à Baixa. Et voilà. Read more →

sector secundário

candeeiro

fios

livro de amostras

Desde miúda que adoro visitar fábricas. Nos anos 80, sem sair de Lisboa, fui com a escola primária ver fazer açúcar, bolachas e conservas de peixe em indústrias entretanto extintas ou deslocadas. Nestes dias que passámos fora fomos conhecer uma empresa têxtil em plena Serra da Estrela. Vimos máquinas centenárias, um lindíssimo livro de amostras e os teares em que que ainda se fazem feltro de lã e óptimas fazendas. Prevejo um Inverno bem fornecido na Retrosaria. Read more →

direito ao trabalho

biblioteca nacional

Foi pelo Rui Tavares que soube que a Biblioteca Nacional ia fechar para obras. Foi um tanto ou quanto ridículo, porque eu vinha de passar o dia na BN, onde ninguém nem nada me chamara a atenção para o facto, pelo que lhe garanti que devia estar enganado. Só na semana seguinte dei com umas folhas discretamente pousadas no balcão das devoluções que explicavam o encerramento. Nunca me tinha ocorrido que a BN fosse encerrável, talvez por (por defeito de formação) a conceber mais como um órgão de soberania do que como um simples equipamento. Tal como o Rui, sempre defendi que as bibliotecas se fizeram para estar sempre e o mais possível abertas, tanto para os leitores presenciais como (cada vez mais) para todo o mundo, através da digitalização e catalogação eficaz dos seus espólios (aqui em Lisboa tenho passado ainda mais horas na Biblioteca Pública de Nova Iorque do que na BN). Salvaguardadas as enormes distâncias, vejo fazer obras integrais em grandes supermercados e agências bancárias sem um único dia de portas fechadas: os clientes podem estar menos confortáveis mas preferem não perder o acesso aos serviços, e quem gere evita enormes prejuízos. Acho sinceramente que é uma questão de prioridades. Por muito que leia as explicações e os argumentos para o fecho, estou convencida de que o problema reside em ter-se partido do princípio de que o encerramento era possível. Se a prioridade fosse garantir a abertura ininterrupta a obra seria provavelmente diferente, talvez mais lenta, mas acredito que igualmente possível.

Grupo no Facebook contra o encerramento por 10 meses da Biblioteca Nacional.

biblioteca nacional

Fotografias (ambas do Arquivo Municipal de Lisboa):
Artur Goulart, Biblioteca Nacional, construção, 1961 e Eduardo Portugal, Panorâmica do bairro do Campo Grande [antes da construção da BN e cidade universitária], 1945.

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