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da tia lina

quadradinhos

Na família da minha mãeuma mulher que tenho particular pena de não ter conhecido. Irmã da minha bisavó, a sua memória persiste tanto pelo percurso pessoal de exilada política durante a ditadura como pela dieta excêntrica de chá, torradas e alcachofras que consta serem tudo o que ingeria nos últimos anos de vida, como ainda pelas muitas peças que coseu ou bordou ao longo da vida, algumas das quais sobrevivem a uso nas nossas casas ainda hoje. Descobri numa das últimas idas ao Porto as caixas em que coleccionava recortes de jornal sobre a história dos tapetes de Arraiolos e das colchas de Castelo Branco, projectos de bordados e figurinos de revistas. A manta de retalhos das fotografias foi feita pela tia Lina entre os anos cinquenta e sessenta (a julgar pelos desenhos dos tecidos), provavelmente no Brasil, e os tecidos de viscose que usou seriam provavelmente de mostruários pertencentes ao meu bisavô, mas isso é uma parte da história que ainda tenho de investigar mais a fundo.

pormenor

13 comments » Write a comment

  1. fabulosa! e tão bem que fica nessa bela janela. Houvesse festa e passasse a procissão para as gentes admirarem cada quadradinho de memória da prendada senhora :)

  2. Adoro colchas de retalhos, quanto mais gasta e mais antiga melhor.
    Nossas vidas são cobertas por retalhos que simbolizam tudo que herdamos, mas somos nós que costuramos e juntamos estes pedaços.
    A colcha certamente é repleta de histórias e significados.
    Amei!

  3. Also my nanny and my aunts sewed and embroidered for over their life.
    My mother worked for an important shop of embroid in Florence,
    It’s “Caponi”.
    Do you know it?
    she has embroidered the story of our family.

  4. Pingback: TamTam » Salir

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