baltar

tamanqueiro

tamanqueiro

Apesar de não terem a qualidade das da Diane, não resisto a mostrar algumas fotografias que tirei em Baltar na oficina do Sr. João, tamanqueiro. Fomos recebidos sem a estranheza habitual por sermos de fora, o que é natural num artesão que recebe visitas frequentes e encomendas às quais não tem mãos para dar resposta (recentemente um visitante japonês quis comprar várias centenas de pares). O Sr. João não tem ajudantes nem aprendizes. O filho que aprendera o ofício morreu e os jovens de hoje querem empregos certos a ganhar logo um bom ordenado. Mas fazer tamancos não é como fazer carros de bois, ou outras artes que o progresso tornou obsoletas. Os moradores destas aldeias, como o Sr. Júlio e muitos outros que vimos passar, continuam a preferir os tamancos ao calçado moderno por protegerem melhor da humidade e do frio. E os que o Sr. João faz são tão bonitos, com a sua sola de amieiro e as tiras de pneu a aligeirar o passo, que nem na cidade parecem estranhos (estreei hoje os que de lá trouxe). Talvez os austríacos pudessem importar o Sr. João e o seu património imaterial por preservar… Read more →

rossão

brezas

casa

No Rossão, o Sr. Júlio, cesteiro, convidou-nos a entrar em casa. Na cozinha, onde nas noites de inverno vai fazendo as brezas e outros cestos, vimos as ferramentas em urgueira (madeira de urze), queijos caseiros do leite das suas vacas e ainda as meias cor de laranja que trazia dentro dos tamancos, feitas pela mulher a partir de uma camisola desmanchada. Read more →

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beiroa love

É uma técnica que já conhecia dos livros há bastante tempo e que já pensara em experimentar depois de ver alguns exemplos muito bonitos. No ano passado descobri que o entrelac (é o nome mais comum) também faz parte do repertório de pontos praticados tradicionalmente em Portugal (até agora só conheço exemplos da zona de Montemuro) e decidi que mal chegasse a beiroa castanha ia finalmente aprendê-lo. Apesar de demorado é bastante simples e o resultado é lindo.

Os livros das imagens são: 裏も楽しい手編みのマフラー, um dos meus livros japoneses de tricot preferidos, e The Knitter’s Handbook, um excelente manual de técnicas e pontos. E o taleigo é irmão destes.

fazer é saber

tapeceiros

tapeceiros

CORREA, Vergílio (ed.), Livro dos Regimentos dos Officiaes mecanicos da Mui Nobre e sempre Leal Cidade de Lixboa (1572). Coimbra: Imprensa da Universidade, 1926.

A minha leitura mais interessante de ontem (quem diria que os fazedores de colchas – noutras páginas – eram uma categoria profissional tão importante na Lisboa do séc. XVI que tinham regimento próprio?), e dois links para pensar:

Vienna apprenticeships: um mini documentário da Monocle (encontrado via Craftism) sobre o sistema de aprendizado austríaco, que ocupa 40% dos jovens após a conclusão do ensino obrigatório (aos 15 anos). A Áustria tem uma população pouco mais pequena que a portuguesa e a terceira taxa de desemprego mais baixa entre os jovens em toda a Europa.

A Recipe For Educational Mediocrity: de como a universidade parece ter-se tornado o oposto do que devia ser.

tingir

tingir

ruiva

A minha paleta de beiroas tingidas com corantes naturais vai crescendo aos poucos. Como não tenho balanças em casa não consigo dar receitas exactas do que já fiz, mas posso dizer que:

1. A segunda meada a contar da esquerda foi tingida com líquenes oferecidos pela Alice iguais aos que usei aqui mas mordentada (acho que durante tempo de menos) com alúmen. A cor ficou distribuída mais uniformemente mas bastante pálida. Tanto quanto sei, para obter cores mais interessantes a partir dos líquenes, estes têm de ser fermentados durante muito tempo (o agente usado tradicionalmente neste processo é urina). Num apartamento não me está a parecer possível fazer experiências assim tão radicais.

2. A terceira meada foi tingida com cascas de cebola e vinagre. A receita mais simples de todas é: pedir à merceeira da rua para nos guardar as cascas das cebolas (em casa demora muito tempo a conseguir uma quantidade suficiente por muito estrugido que se faça). Pôr as cascas e a lã num tacho com água suficiente para a lã estar totalmente submersa e aquecer muito lentamente. Voltar a lã de vez em quando para homogeneizar a tintura mas com muito cuidado para não feltrar. Deixar no lume mínimo umas duas horas sem que a água ferva. Juntar vinagre para fixar a cor (mesmo assim durante a lavagem da lã a seguir à tintura saiu bastante tinta).

3. A meada da direita foi mordentada em alúmen durante umas horas, depois lavada e a seguir tingida com cascas de cebola da mesma maneira que a anterior. O resultado foi absolutamente surpreendente. O alúmen é uma substância conhecida desde a antiguidade e encontra-se à venda por exemplo na Drogaria Central, na Baixa. Como não é tóxica nem cara, esta experiência de tintura caseira com casca de cebola é boa para fazer com crianças.

A seguir vou experimentar a Garança ou Ruiva, que a Maria Adelaide me ofereceu há dias. Read more →

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