Monthly Archives: July 2011

mosteiro de s. vicente de fora

sewing madonna

arraiolos

Pormenores do museu do Mosteiro de São Vicente de Fora (sem site oficial), onde fui pela primeira vez esta semana (ainda há museus por descobrir, mesmo na minha cidade): uma Virgem a coser enquanto o Menino varre o chão, dedais e cossoiros de fusos do núcleo arqueológico (mal assinalado no percurso mas para mim o melhor da visita), uma lindíssima Joséfa de ÓbidosContinuar a ler…

arrancar. moda em tricot

arrancar

Para si, Leitora
Pela primeira vez no nosso País, uma revista de malha e moda totalmente nacional. A Mulher Portuguesa é, sem sombra de dúvida, das melhores do mundo em aptidão manual. As pequenas maravilhas de trabalho artesanal que nascem (por vezes, tão discretamente) das suas mãos habilidosas merecem mais encorajamento, mais elogio e renome.

Em 1985 nascia assim a primeira revista de tricot feita (e não apenas traduzida ou adaptada) em Portugal, por iniciativa da então jovem empresa Arrancada – Fiação da Arrancar (entretanto falida?), especializada em fios de fantasia e da Fisipe, produtora de fibras sintéticas. Foi certamente uma publicação bastante cara, envolvendo concepção de figurinos, instruções por escrito e sessões fotográficas com modelos também portugueses. Com uma tiragem de 25000 exemplares, a qualidade dos conteúdos vai aumentando de número para número até ao último que pude consultar (Outono/Inverno 1988-1989), em que as peças apresentadas não ficam atrás do que se via nas revistas de moda da altura. Continuar a ler…

convívio

a família de visita

a foto

Ao Domingo a família sobe a serra e junta-se aos pastores. Trazem-se mantimentos, trocam-se as roupas, convive-se e conversa-se tarde fora. Há cobertores e velhas capas no chão para sentar e para tapar as crianças mais pequenas, que fazem a sesta abrigadas pelas pedras. Entregamos fotografias da subida, que nos ganham a estima das mulheres. Come-se um bolinho, melhor ainda com uma fatia de queijo da serra do ano passado, já rijo (para mim ainda melhor que o amanteigado), bebe-se um copo de tinto do garrafão. A hora da partida é dada pelas cabras, que sentem chegado o tempo da refeição do fim da tarde. O rebanho põe-se em marcha sozinho, os pastores acompanham. Continuar a ler…

t ∞

a choupana

a casa

Sabia que os pastores iam ficar um mês e meio a dormir na Serra, mudando de lugar a cada duas ou três semanas, mas não sabia como. Já víramos a minúscula choupana, a que na brincadeira chamam a cabana do amor, tínhamos ouvido falar do frio e do mau tempo (difíceis de imaginar numa tarde de calor como a do dia da subida) mas o que vimos surpreendeu-me. Encontrámos um enorme penedo transformado em casa. Não foi ideia dos três homens que lá estão agora usarem-no: é já conhecido dos mais velhos e julgo que ocupado todos os anos. Cada reentrância, cada encontro entre o penedo e as pedras que o rodeiam se transformam nestes dias em arrumação, em cozinha, em suporte dois em um para a antena do rádio e para o espelho que usam para fazer a barba, elemento mais surrealista de toda a instalação. Num estreito vão entre o penedo e o chão ouvi dizer que dormiram uma vez quatro homens para se abrigarem do frio. No curso de água gelado que corre ao lado lavam a louça e demolham o bacalhau que, garantem, fica só espinha se o deixarem mais do que umas horas. Para os banhos ocasionais deixam água em alguidares ao sol, mas pouco aquece. Há uma tenda de campismo que mal se aguenta contra a força do vento e um tractor novo para levar a choupana quando mudarem de poiso. Continuar a ler…

lá em cima

miguel

pedro

Três semanas depois da subida, fomos ver os pastores à hora do descanso depois de uma noite de temporal, em boa parte passada a reunir as ovelhas espantadas pelos trovões. O contraste entre a ideia de uma rotina facilitada pela existência de carros e telemóveis e a realidade do andar madrugada fora às escuras com a roupa gelada encostada à pele faz-nos perceber que a vida do pastor não é de facto assim muito diferente da que levou o seu avô. Continuar a ler…

wip hairport

primeira vez

e

Onde eu corto o cabelo há mais de dez anos, onde a E. corta há mais de três e onde a A. se estreou hoje antes que o cabelo lhe chegasse às pernas. Vivam as mãos sábias da Sabine. Se forem ter com ela, digam que vão da minha parte. Continuar a ler…

cowork lisboa

cowork lisboa

Lx factory

Se eu não estivesse tão bem instalada na Rua do Loreto, se o meu trabalho implicasse estar mais tempo sentada à secretária, se estivesse a escrever uma tese, se passasse demasiado tempo em casa ou tivesse gente de menos à volta mudava-me já para a Cowork Lisboa na Lx Factory. Continuar a ler…

tu podes, assim tu queiras

tu podes

Uma espécie de Keep calm and carry on à portuguesa, numa pequena gravura popular encontrada hoje por acaso ao folhear mais uma vez a minha revista extinta preferida (Terra Portuguesa, dirigida por Vergílio Correia e Sebastião Pessanha nos inícios do século XX). Vou adoptar.

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rita

da inez

ana rita

As belas mantas. Chegou ao fim mais um mês de mantas de retalhos aos quadrados, feitas pela Rita, pela Inez e pela Ana Rita. Tão diferentes entre elas como das dos cursos anteriores ( e ), todas – digo eu que sou suspeita – a merecerem rasgados elogios. Em Setembro há mais. Continuar a ler…

o alfaiate

alfaiate

alfaiate

Fomos à procura do alfaiate que fez os casacos dos pastores porque, depois de experimentar o do Pedro, decidi mandar fazer um à minha medida. A morada que tínhamos era o nome da aldeia, Folhadosa. Encontrámo-lo a trabalhar no seu atelier, por detrás de uma porta pequenina, numa quelha da largura de um corredor: António José (“Tozé” no cartão de visita), alfaiate diplomado, com tanto trabalho em mãos que só no Outono terei a minha encomenda pronta. Mas na visita não resisti a um colete em burel e riscado com estrelas recortadas… Continuar a ler…