fabricar

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de cá

Numa terra cheia de fábricas abandonadas cujo recheio namorámos pela janela, uma delas labora ainda, e bem. Com um armazém cheio de lãs portuguesas e fios com belíssimas cores, produz para exportar, em grande escala. O problema que enfrenta quem quer colocar pequenas encomendas é sempre o mesmo: para menos que uma tonelada de produto nem vale a pena ligar as máquinas.

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17 comments » Write a comment

  1. Ai que maravilha! Fico sempre fascinada com estas coisas que descobres. Obrigada pela partilha, Rosa.
    Beijinhos e saudades de vos visitar :-)*

  2. Eu trabalhei muitos anos em meio industrial e sei bem do que eles estão a falar. A produção industrial é isso mesmo. O custo de ‘set up’ de um equipamento é muito elevado e dilui-se ao longo de horas de laboração para que o trabalho seja rentável. Estamos a falar de consumos de energia elevados no momento de arranque (muito mais do que em laboração contínua), estamos a falar do próprio set up do produto a fabricar, da mão de obra aplicada no arranque que não é necessária durante o resto do tempo, etc, etc, etc. Quantidades pequenas pedem outro tipo de equipamentos e são naturalmente mais caras. Claro que o tecido industrial enfrenta agora este exacto desafio, pois o mercado pede flexibilização da produção, quantidades pequenas com requisitos variados que mudam de cliente para cliente. É necessária uma completa adaptação das linhas produtivas e dos equipamentos industriais, bem como das metodologias de trabalho utilizadas para se implementar uma gestão da produção flexível, ou o que chamamos de mini fábricas. E a maioria do tecido industrial português não sabe nem está preparado para esta nova realidade.

  3. O fecho de tantas fábricas de têxteis País fora é deveras lamentável. O meu marido nasceu numa zona (Castanheira de Pêra)onde quase toda a gente trabalhava nas fábricas de lanifícios, mais de 5 só nas franjas da Vila. Agora só uma funciona. Eu tenho a sorte de ter uma Sogra que muito guardou e agora tenho peças de roupa para a família toda feitas com tecido de lã Woolmark, muiiiiiitos cobertores de lã e muitas amostras de flanela de lã em cores e padrões irresistíveis. Tudo numa qualidade que hoje raramente se encontra. É uma pena.

  4. O mesmo se passa noutros sectores da nossa indústria, como por exemplo, a cerâmica. As grandes fábricas fecharam ou estão a fechar, porque têm uma grande carga de ordenados e impostos e não conseguem competir com o custo dos produtos que os chineses trazem da sua terra e que os nossos governantes, tão amavelmente, autorizam a importação.
    As pequenas produções saiem mais caras, mas, se calhar, será a via para relançar algumas empresas, apostando num design de cores e modelos nossos (talvez fazendo reviver as coisas bonitas que temos por cá…)e numa divulgação dentro e fora do nosso país como produto de qualidade e duração. Produzamos pouco mas bom…

  5. Talvez através de associativismo conseguisses fazer encomendas para ti e para outras retrosarias tradicionais. Food for thought …

  6. Pois num país onde ninguém consegue investir é normal que muita coisa de valor (cultural/histórico) fique ao abandono. Já agora qual é a fábrica que ainda resiste??
    Continuação de bom trabalho

  7. Olá Rosa, leio o seu blog diariamente. Através dele venho conhecendo coisas maravilhosas sobre Portugal. Estive na sua loja no sábado pensando em te conhecer, mas vc não estava. Infelizmente não foi nada planejado, por isso não avisei. Mesmo assim fiquei feliz por ver, ainda que rapidamente, a Retrosaria. Parabéns por seu trabalho.

  8. Durante metade da minha vida acordei, nas férias, ao som dessas e outras máquinas. Costumava cantar os seus ritmos que pareciam músicas. Um dia todas se calaram.

  9. A unica coisa que me ocorre é “compre o que é português, mas tem que ser pelo menos uma tonelada”. Estou farta e só me apetece começar a comprar apenas produtos ingleses ou alemães e por aí vai…
    Nos ultimos tempos andando à procura de coisas (portuguesas) que sempre useui, simplesmente não as encontro nas prateleiras dos supermercados. Curiosa procuro o balcão e invarialvelmente a resposta é que importado são mais procurados (?!)
    E isto vai das lãs aos simples sacos de assar no forno Silvex portugueses.
    Não encontrado explicação para tamanha insensatez en tempos de crise, acabo perguntando:
    Para onde exportam eles? Que mercado têm as lãs/fios portugueses?

  10. Uma sugestão: e se a sua encomenda for junta a outra maior (às que exportam)? Tal não implicaria ligar as máquinas só para a sua encomenda e eles produziriam mais.

  11. Claro está que, desde que o grande cliente não peça exclusividade do produto, a fábrica pode sempre que tem uma grande encomenda, através de listas de contactos perguntar a pequenos compradores, que já se mostraram interessados, se pretendem uma quantidade pequena de um determinado lote.
    Para isso em vez de produzir 12000 peças faz 12100 e já lhe compensa quer em termos de produção quer em termos de ter sempre mais umas vendas…
    Talvez no fim do ano note a diferença e também tenha o seu produto a ser consumido a nível nacional.

  12. E já agora com a quantidade de pessoas novas que conheço hoje em dia que pegaram em retrosarias se calhar uma associação a nível nacional pudesse vir a dar um outro impulso ao negócio.

  13. Olá!!
    Quando vi estas fotos decidi comentar, pois trabalho no escritório de uma fábrica têxtil em Castanheira de Pera, uma das que conseguiu sobreviver durante todos estes anos. Embora não seja de cá (Lisboa), decidi vir morar para esta linda zona de Portugal, no meu caso moro numa aldeia no concelho de Pedrógão Grande, muito pertinho de Castanheira, e isto aqui é de uma beleza invejável. Tenho orgulho em fazer parte desta enorme equipa que constitui a ALBANO MORGADO SA, sei que veio visitar as nossas instalações. Não sei se estas fotos serão de lá, mesmo que não sejam fico contente por ver trabalho português de qualidade, só é pena não existirem mais fábricas com as nossas condições e mais jovens interessados em aprender esta arte^_^
    Beijokas da Ana

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