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  1. Excelente artigo!
    Parabéns, uma vez mais Rosa, pelo trabalho de sensibilização desenvolvido e pelo “exemplo” que deveria ser assumido por aqueles que buscam a Excelência além-fronteiras e se “esquecem” do que existe cá dentro, tantas vezes votado ao abandono e ao esquecimento.
    Citando o sociólogo Pedrinho Guareschi: “a cultura é a alma de um povo. … Um povo sem cultura é um povo alienado, dominado e morto”.

  2. O conteúdo do artigo é fantástico, especialmente no que se refere ao saber fazer.
    Acho que este reconhecimento das artes de mãos como ocupação dos tempos livres e até forma de empreendedorismo, poderá exactamente conduzir a uma aproximação que quem sabe estas técnicas (em vias de desaparecerem) a um público mais vasto.
    A Rosa é a pessoa ideal, para fazer essa oferta nos seus workshops.
    Não será despropositado dizer que as técnicas antigas por estarem em desuso acabam por ser de uma grande originalidade.
    E que uso lhe dariam os aprendizes mais criativos?
    Gosto do futuro!

  3. Como sempre, excelente e mais uma vez o dedo ma ferida.
    Portugal tinha excelentes condições para se desenvolver, falando apenas na área das lãs, e competir com outros países. Durante anos e anos não se investiu em conhecimento e tecnologia, agora estão numa desvantagem atroz em relação a países também chamados “periféricos”, muito mais que nós na verdade.
    Parabéns pelo artigo

  4. Gostei muito do artigo, Rosa.

    Concordo em absoluto que Portugal deveria especializar-se em nichos de mercado e apostar em produtos de qualidade, em vez de tentar competir com a China ou a Índia.

    Por outro lado, achei interessantíssima a tua pergunta de como se cruza a mentalidade das aldeias com a das cidades — talvez um caminho seja através desta tendência emergente de pessoas urbanas começarem a mudar-se para o campo, em busca de uma vida menos frenética. É possível que estes urbanos olhem para os recursos e para o “saber fazer” rurais e se interessem por eles a ponto de os fazer desenvolver e integrar na realidade contemporânea.

  5. Muitos parabéns sim pelo artigo mas sobretudo pelo seu trabalho,porque voçê têm trabalhado bastante ao longo de todo este tempo ,já lhe sigo a alguns anos e realmente voçê é uma grande artesã.Bjs

  6. Parabéns pela divulgação do que é português. Temos de investir no que é nosso. Neste momento ando em férias pelo sul de Espanha e, em Tarifa, o ponto mais ao sul da Europa e de onde se vêm as montanhas do Norte de África, ao longe, encontrei uma pequena loja de “souvenirs” da cidade, em que a dona da loja é que fazia os pequenos azulejos de corda seca e serigrafava as t-shirts que vendia com o nome de Tarifa, em vez de os comprar aos chineses. Uma loja rara mas uma boa aposta no investimento local. Um exemplo que podia ser seguido?

  7. Olá Rosa, gostei muito do artigo. Permita-me dizer, no entanto, que nem todas as pessoas de 30 anos das aldeias desejam ir para a cidade. No meu meio, que tenho trinta anos e vivo numa aldeia, ninguém quer.
    Acho muito bem que, como diz a Concha num comentário acima, os urbanos se interessem pela ruralidade, assim seja uma opção de vida constante e não apenas uma moda. É que o saber fazer da ruralidade também vem muito da permanência que esta implica.
    Beijinhos desde Marvão

  8. Catarina, claro que sim, e ainda bem! A ideia que queria expressar (a falta de espaço num artigo nunca permite dizer tudo como se quer) era a de que é preciso que desperte cada vez mais nas comunidades rurais a vontade de preservar (e aprender e praticar) uma série de saberes manuais/oficinais que as camadas mais jovens em geral ainda têm tendência para não considerar motivadoras ou interessantes.

  9. Pois, eu sou uma dessas pessoas de trinta e tais anos que sempre quis sair da aldeia e que apesar de saber fazer algumas coisas tem uma relação de amor/ódio a certos ofícios.

  10. Ola Rosa,
    Antes de mais deixa-me dizer que admiro bastante o teu trabalho.
    Mas a tua aparente “proximidade” com o mundo rural, não deixa de ser um pouco elitista.
    Dizeres que o gosto pelo que é tradicional é uma nova tendência valorizada apenas pela “cidade”, falar de mentalidade da cidade versus mentalidade da aldeia, etc… é uma visão bastante desfazada e limitada da realidade.
    Não interpretes mal este desabafo, mas acho ridículo pessoas aparentemente tão bem informadas fazerem declarações tão absurdas Sei do que falo porque sou e vivo na aldeia.
    Não há mentalidade da cidade e mentalidade da aldeia. O que há é gostos diferentes, que têm de ser respeitados.
    Sim, há empresas de produtos tradicionais” mal geridas. Sim, há artesãos que não têm a quem ensinar a sua arte. Mas não há também cafes / lojas mal geridos??
    Só um desabafo…

    • Soraia, na entrevista não falo de mentalidade do campo ou da cidade, o que tento expressar é que da minha experiência é mais fácil encontrar pessoas da minha idade a querer aprender a fazer meia ou a fiar na cidade do que nas aldeias que conheço. Só que o conhecimento e a tradição dessas técnicas existe é nalgumas aldeias, e as tais pessoas da cidade acabam por ir aprender com livros estrangeiros ou no YouTube… O que faz sentido também não é tanto que sejam umas miúdas da cidade (mesmo que com anos de vida no campo) como eu a ir para as aldeias procurar quem as ensine, mas que essa iniciativa parta das próprias comunidades que detêm essa herança cultural, que sejam elas próprias a valorizá-la. E naturalmente há bons exemplos de situações assim, felizmente.

  11. Rosa
    Tenho encontrado, por aqui, pessoas com um saber-fazer único e dispostas a ensinar. Poucas pessoas jovens, é certo, dispostas a aprender. Mas isso talvez se possa explicar pelo facto desse saber fazer estar associado, nos esquemas mentais desses jovens, a objetos que se tornaram banais, desatualizados ou que ilustram gostos ultrapassados.
    Ensinar-lhes as técnicas e mostrar-lhes outras formas, para além das tradicionais, de eles aplicarem essas técnicas. Isso exige estratégia. Que nada tem a ver como alguns cursos de formação profissional que desmotivam quem ensina e quem aprende. E não têm retorno.

  12. Olá!
    sou uma “menina” nascida e criada na cidade, com pais que não trabalharam “na terra” para ganhar ordenado, mas apenas o fizeram na infância pq os seus pais viviam do mundo rural como meio de subsistência. Vieram para a cidade para estudarem e conseguirem algo mais que uma vida de sobrevivência (principalmente o meu pai, cujos pais eram mesmo muito pobres). E tal como o meu pai assim fez… a aldeia praticamente já não existe.
    Acerca das pessoas não quererem viver nas aldeias, pois as pessoas querem também ter algum desafogo na vida (não falo em bens superfulos, mas ter uma casinha, electrodomésticos, poderem alimentar-se bem e com variedade…, proporcionar estudos aos filhos (onde cada vez mais fecham escolas em meios pequenos, depois como os levamos à escola a 20 ou 30km? de carro… e dinheiro para carro e combustivel?) tudo isto coisas simples… podia viver de tricotar (que até tricoto bemzito, modestia à parte) mas quem me compra meias, casaquinhos de bebé ou outras peças, a um preço justo, contando com lã de qualidade e das horas que eu tricoto? se cobrar 1€ por hora de mão de obra + o preço das lãs provavelmente ninguém me compra as peças… e assim como eu terei rendimentos???
    Gostaria sim de viver numa aldeia, mas teria de trabalhar numa vila ou cidade… e aí está a grande dificuldade em fixar habitantes nas aldeias: simplesmente não há trabalho em quantidade suficiente que dê sustento a uma família para ela se fixar… Os meus avós viviam em aldeias. Os meus pais vieram para a cidade (conseguiram estudar) para ter uma vida melhor. E tiveram! E eu não desejo nada a vida q os meus avós tiveram, vivendo em aldeias. Para eu ter redimento para me sustentar, tenho de trabalhar, vivo onde tenho trabalho: na cidade!
    Desulpem-me o desabafo, mas nas aldeias pouco há mais do que uma vida de sacrifício na agricultura, vida de sobrevivencia, q tenho duvidas que alguém deseje. Excepto uma pequeníssima fracção da população que já pode exercer a sua profissão “de cidade” em casa, por email e telefone, sortudas essas pessoas!!
    Bjcas!

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