bucos

Mortiga Cardigan by Mosgos

Mortiga Cardigan by Mosgos

Mortiga cardigan por Eglė Bazaraitė, feito com Bucos

Eglė Bazaraitė é uma lituana a morar em Portugal. Vem de um país em que se faz malha a sério e por cá descobriu a lã de Bucos na Retrosaria.

Bucos é uma aldeia junto a Cabeceiras de Basto, ponto de paragem obrigatória nos roteiros da lã portuguesa. As suas mantas de tear e meias de grades já no início dos anos 90 integravam aquele que é ainda o melhor roteiro do artesanato do norte do país (Artesanato da Região Norte ed. Instituto do Emprego e da Formação Profissional, 1991). Com o apoio local da câmara, junta de freguesia e do Museu das Terras de Basto, foi criado o projecto Mulheres de Bucos que procura manter vivos os trabalhos da lã levando as mulheres a trabalhar juntas algumas horas por semana na criação de produtos para venda num espaço próprio, a Casa da Lã. Em 2010, a câmara de Cabeceiras convidou um grupo de estudantes do Porto para registar o trabalho destas mulheres em imagens e vídeo (vídeos disponíveis através do projecto Memória Media). Mais recentemente, também a Alice Bernardo tem registado pormenorizadamente o trabalho das mulheres de Bucos, e são dela sem dúvida as fotografias mais bonitas acessíveis online. Read more →

mantas de fitas

mantas de fitas

mantas de fitas

Tem 6 casas onde tecem mantas de retalhos, urdidas com lã e tecidas com retalhos que juntam pela cidade e por casas dos alfaiates. Em cada casa, três, quatro teares.
João Brandão (de Buarcos), Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552.

Uma prática com certamente muito mais de quinhentos anos de história, a de fazer mantas de retalhos, ou trapo, ou tirelas, ou fitas, como lhes chamam na Aldeia das Dez, na Serra do Açor, onde fomos conhecer o tecelão, poeta e escultor Viriato Gouveia. Com oitenta e três anos que não se lhe vêem nem no rosto nem nos gestos, contou-nos histórias da carestia de linha de algodão durante a Segunda Guerra Mundial e do reflorescimento da produção de mantas a seguir a 45 e até aos anos 70, quando entraram em irreversível declínio. As mantas do Sr. Viriato, e do pai com quem aprendeu a tecer, sempre foram urdidas com linha e tapadas com fitas (tecidos rasgados à mão ou cortados com tesoura) que quem encomendava as mantas entregava ao tecelão. Read more →

museu regional de montemor-o-novo

museu regional de montemor

museu regional de montemor

Imagens da sala das profissões do Museu Regional de Montemor-o-Novo. São lindos os muitos taleigos à vista e extraordinário o objecto da segunda imagem, provavelmente obra de um albardeiro mas que não conseguimos saber o que era. A tesoura antiga de tosquia (agora por lá já se tosquia à máquina), de aros protegidos por pedaços de cortiça, é idêntica à que trouxemos da feira de velharias local há duas semanas. Read more →

talêgos

taleiguinho

d. maria cristina

Em Montemor-o-Novo vivem várias fazedoras de taleigos (ou talêgos como lá se diz, sem o i que também é roubado aos bêjos). Uma delas é a D. Maria Cristina, em casa de quem estivemos a gravar a sua história (o vídeo fica para depois), a ver meias centenárias e lenços de namorados alentejanos (engana-se quem acha que são coisa só minhota).

A melhor colecção de imagens de taleigos antigos disponível online é certamente a do grupo do Flickr, alimentada por várias pessoas que reparam neles nos museus, nos ranchos e em casa das avós.

A pedido de várias famílias, o workshop de aprender a fazer taleigos regressa também à Retrosaria já no dia 23 de Junho.

ensinar a lã

ensinar a lã

Depois da experiência transmontana, resolvi fazer na Retrosaria um workshop sobre o ciclo tradicional da lã em Portugal. Com frascos de lã de várias raças e fusos de alguns dos sítios por onde tenho passado tentei contar como se fez (e faz ainda) o caminho da ovelha ao novelo e ensinar os primeiros passos na criação de um fio de lã. Pelo meio vimos e comentámos alguns dos vídeos do projecto Lã em Tempo Real que tenho vindo a desenvolver com o Tiago Pereira.