meias dos balcãs

meias gregas

meias gregas

Comprei aqui estas meias tradicionais balcânicas, provavelmente turcas. Tive umas em criança, que usei até à exaustão como pantufas, e há uns anos, quando comecei a fazer meias, fascinaram-me as técnicas e padrões usados nesta região. É interessante ver como recentemente passou a ser possível encontrar este tipo de peças à venda online, seja através de empresas que promovem o património etnográfico de regiões específicas, seja em páginas criadas por pessoas que encontram novos públicos para o que sempre viram fazer e usar em casa.

Para aprender, o melhor livro é a meu ver o Ethnic Socks and Stockings de Priscilla A. Gibson-Roberts, de que aqui se conseguem ver com detalhe algumas páginas. É aliás um dos meus livros de tricot preferidos, com técnicas raras e claramente explicadas. Os fios a usar devem ser finos, de lã e apropriados para jacquard. Read more →

o cordão da campaniça

forca de fazer cordão

campaniça centenária

A nossa ida ao Alentejo no início da semana teve como principal objectivo a preparação da campanha de crowdfunding para a realização de um documentário sobre a viola campaniça. E foi numa campaniça centenária que vi o cordão antigo que me levou finalmente a estrear a forca de fazer cordão que comprei há uns anos, encomendada neste site. O cordão que se faz com este utensílio é diferente dos tipos mais conhecidos. Raro hoje em dia, foi comum noutros tempos, como se vê pelo da fotografia e pelas forcas alentejanas que existem no Museu de Etnologia e no de Arqueologia (apesar de esta última estar mal catalogada). Também o Hernâni Matos tem pelo menos uma na sua belíssima colecção de Arte Popular. Em Inglês a técnica chama-se luceting, e é fácil encontrar instruções online. O resultado é idêntico ao do tricot de dedos feito apenas em dois dedos, mas a forca permite um trabalho mais rápido e delicado. Read more →

alforges do baixo alentejo

alforge

alforge

Há cinco anos não sabia grande coisa sobre alforges mas cheguei a casa com um. Entretanto tornaram-se uma das minhas peças têxteis preferidas e já são muitos os que moram comigo. Ontem tivemos o privilégio de ver e fotografar uma colecção informal de alforges antigos do Baixo Alentejo, reunidos pela mão do Pedro Mestre em Sete, terra que há poucas décadas era ainda de cardadores e tecedeiras. Os alforges foram levados da Península Ibérica para a América, onde sobrevivem com o nome espanhol (e transmontano) de alforjas, decoradas com as cores e os padrões das populações indígenas. Read more →

fia 2012

manta

manta

Estas duas mantas alentejanas não estavam à venda na FIA deste ano. Eram decoração num stand de promoção a alguma coisa de comer ou beber do Alentejo. Nem estava lá a Mizette Nielsen com as de Monsaraz, nem a Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola. A representação da tecelagem alentejana este ano ficou a cargo do Carlos Rosa e das suas três belíssimas mantas de lã fiada à mão. Há cada vez menos artesãos rurais na FIA, e fazem falta. Também os pavilhões internacionais ficaram reduzidos a um, sem grandes surpresas relativamente à edição anterior. O meu stand preferido, de onde no ano passado tinha trazido umas lindas tulmas, é o do projecto argentino Marias Mosca.

são joão das ovelhas

são joão das ovelhas

a loiça

Ontem de madrugada o rebanho que acompanhei há um ano serra acima na companhia da Diane voltou a partir na rota da transumância. Dias antes tínhamos estado na Folgosa da Madalena para assistirmos e filmarmos a romaria do São João das Ovelhas. É uma festa de pastores para pastores, sem turistas à vista, em que os rebanhos, em passo de corrida e acompanhados pelos donos, desfilam à vez em volta da capela da aldeia, três voltas num sentido e três no outro (para os animais não ficarem tontos). Vêm a pé de várias aldeias, e repousam tarde fora nos campos vizinhos até o calor abrandar. É nessa altura que chegam à Folgosa, onde as famílias os esperam, e a festa acontece. Quase todos trazem os bodes enfeitados com a loiça grande, os chocalhos maiores e mais valiosos, e alguns mantêm o hábito (que vi finalmente ao vivo depois de um ano de espera) de os decorar com as pêras e cabeçadas sobre as quais escrevi antes. Não sei se há por cá outros pastores tão orgulhosos como os da Serra da Estrela, sempre aprumados nos seus casacos de raxa e de cajado na mão. Eu emociono-me sempre que os vejo. Read more →