gorro de bucos

a+bucos

bucos

Um gorro para adulto ou criança de lã de Bucos que se faz num serão. É feito pelo avesso, em liga, como manda a técnica portuguesa:

Materiais:

80g de Bucos (100% lã) cor mescla
Conjunto de 5 agulhas 6mm
Uma agulha de coser malhas (para os remates)
Uma marca

Execução:

Montar 76 malhas distribuídas pelas 4 agulhas (19 malhas em cada agulha). Introduzir uma marca na agulha da mão direita, para assinalar o início/fim das voltas.
Trabalhar 12 voltas em canelado (2 malhas de liga, 2 malhas de meia).
Trabalhar 17 voltas em liga.

Confirmar o número de malhas em cada agulha (19) e redistribuí-las se necessário.
*Trabalhar todas as malhas da agulha da mão esquerda com excepção das duas últimas. Trabalhar juntas as duas últimas malhas da agulha da mão esquerda e passar a malha resultante para a agulha que ficou livre, que é agora a nova agulha da mão direita.* A marca pode agora ser retirada das agulhas.
Repetir de * a * até sobrarem apenas duas malhas em cada agulha.
Cortar o fio deixando um comprimento de cerca de 20cm e, com a agulha de coser malhas, passar o fio por dentro das 8 malhas restantes, puxando-o de forma a fechar o trabalho.
Rematar as pontas de fio, passando-as sob as malhas do avesso do trabalho.

A simple beanie hat made with Bucos using the portuguese knitting method (circular knitting is always purled, with the wrong side facing the knitter):

80g Bucos (100% wool) mescla
Set of 6mm double pointed needles
Marker
Tapestry needle

Cast on 76 stitches and join in the round. Place a marker to indicate the beginning of the round.
Work 12 rounds of ribbing (*Purl 2 Knit 2*).
Purl 17 rounds.
Make sure you have 19 stitches on each needle. Remove the marker.
*Purl all but the two last stitches on the left hand needle. P2TOG and slip resulting stitch to the new right hand needle*. Repeat from * until only 8 stitches remain. Break yarn and, using the tapestry needle, thread through the remaining stitches. Pull tight to close. Weave in yarn ends.

lã em movimento

bucos na estrela
Foto: Vânia Vargues

No passado Sábado as Mulheres de Bucos vieram a Lisboa mostrar o seu trabalho integradas, a meu convite, na iniciativa IKEA HOTTËL. Nesse dia eu estava muito mais a norte, mas a E e a A puderam relembrar o que têm aprendido noutros passeios.

Dia 1 inaugura em Guimarães a exposição/concurso Contextile. A Lã em Tempo Real estará lá e aqui fica o convite para quem quiser ir espreitar.

Last Saturday the Mulheres de Bucos (spinners and weavers from Bucos) were in Lisbon showing their work, as a part of a small project I have been developing for IKEA. I was in Galicia working on something else and couldn’t be there, but E and A were.

Contextile opens in a few days, in Guimarães, and Lã em Tempo Real will be there.

fiar na madeira

Na Madeira, subimos do Funchal por dentro de uma névoa cerrada em direcção a Ribeiro Frio. Íamos ao encontro (com ajuda dos amigos) da D. Maria Isabel, que faz barretes de vilão com a lã das suas ovelhas, que são – julgo eu – da raça churra madeirense (só vi a raça referida aqui e não vem mencionada no meu site de referência habitual). No vídeo de cima, a D. Isabel descreve a tosquia e a lavagem da lã.

Ver como se fia num sítio novo é quase sempre ocasião para surpresas. Já fora assim na ilha do Pico, onde vi fiar com um fuso leve e esguio apoiado numa cadeira, e assim foi também desta vez. O fuso da D. Maria Isabel, feito em urze, era longo e pesado, sem o sulco helicoidal (a rosca no topo da haste) habitual nos fusos portugueses. O fuso é apoiado no chão e a lã é preparada para a torção num movimento cuidado dos dedos da mão esquerda sobre o joelho (segundo vídeo). O vídeo abaixo mostra o processo de torcer dois fios juntos para criar o grosso fio retorcido que é usada nos barretes. Como diz a D. Isabel, não é que seja coisa reles de fazer, mas dá um pedaço de trabalho.

We left Funchal towards the mountains and through thick fog. We were going to Ribeiro Frio to meet D. Maria Isabel, spinner and maker of the traditional knitted hats stil worn by some farmers and shepherds. The first video above shows D. Isabel with her wool carders describing the process of shearing and scouring the local wool – two tasks which are still done entirely by hand.

Seeing how hand spinning is done in a place I have never visited before is always a time for surprises. In Pico island we saw a woman spinning on a supported spindle, something I had never witnessed in Portugal before. The spindle from Pico was short and made from a lightweight wood, very unlike the one used by D. Isabel: this one, made of heather wood, was long and heavy and rested directly on the ground. Unlike most portuguese spindles, it didn’t have the screw-shaped incision along the top section of the shaft. The carded wool is held in the left hand (as usual) and the drafting is carefully done on the knee, a detail which was also new to me (second video above). The video below shows the process of plying two strands of yarn together (rotating the same spindle counterclockwise) to create the thick 2ply used to knit the hats.

botas de vilão

botas da madeira

botas da madeira

Uma das poucas coisas que comprei na Madeira foi um par de botas de vilão, ou botas chãs. Com mais ou menos alterações (as minhas são de pele mas têm a sola numa borracha rija e muito fina a imitar couro), este modelo de bota é ali produzido e usado há pelo menos duzentos anos. Em 1821, William Combe descrevia assim o trajar dos madeirenses: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). Se forem de facto tão duradoiras como são confortáveis vão fazer-me muita companhia nos próximos tempos.

One of the few things I bought in Funchal was a pair of traditional madeiran boots. This type of boot has been in use in Madeira for at least two centuries and subject to very little change (mine have thin rubber soles instead of the traditional leather ones). In 1821, William Combe mentioned them when describing the usual dress of the native inhabitants: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). If they are in fact durable as they are pretty and comfortable I am sure I will be wearing them a lot.

botas da madeira
Imagem de William Combe, A History of Madeira, 1821.