padaria aberta

#mosaicohidráulico

Ainda não lhes tirei fotografias à altura, mas as minhas botas de ceifeira encomendadas ao Mestre Rosa ficaram prontas no fim do Verão. Vêm pela perna acima e demoram mais a calçar e a descalçar do que quaisquer outras que me lembre de ter tido nas últimas décadas. Rijas nos primeiros dias, fizeram-se-me aos pés entretanto. Já andaram muitos quilómetros e foram passear a Évora esta semana. Foi lá que vi o mosaico da fotografia de baixo. O de cima é de uma linda padaria ao fundo da Rua de Campolide e é um dos mais bonitos de Lisboa.

A Ervilha Cor de Rosa no Portugal Inspira-nos e no Pinterest.

sete em um

gola beiroa

Era para ser só uma experiência de tricotar a cores com as sete beiroas novas mas acabou por resultar numa gola pequenina, mesmo ao tamanho da A. Fica a receita, para quem quiser experimentar ou variar sobre o tema:

Materiais:

Beiroa nas cores 695, 409, 567, 557, 595, 729 e 625
Conjunto de 5 agulhas de 3.5mm x 20cm
Conjunto de 5 agulhas de 4mm x 20cm
Dois alfinetes de fazer meia
Uma marca
Agulha de ponta redonda para os remates

Execução:

Canelado: Com a cor 695, montar 112 malhas nas agulhas de 3.5 com o método de montagem à portuguesa (fio ao pescoço) ou outro que produza uma margem elástica, distribuindo as malhas pelas quatro agulhas. Introduzir uma marca para assinalar o início/fim da volta e verificar que as malhas da montagem não ficam torcidas.
Trabalhar 10 voltas em canelado 3×1 (3 malhas de liga, 1 malha de meia).

Padrão: Com as agulhas de 4mm e colocando um alfinete de fazer meia em cada ombro, trabalhar o padrão sempre em liga. Na primeira volta, acrescentar duas malhas, uma no início e outra no meio da volta (114 malhas). Esta primeira carreira é trabalhada da seguinte forma: *5 malhas com a cor 695, 1 malha com a cor 409*. Repetir de * a * até ao final da volta.

Nota importante: para o padrão ficar com um aspecto uniforme, é essencial suspender cada cor sempre no mesmo alfinete, por exemplo: começar com a cor 695 no alfinete do lado esquerdo e a cor 409 no do lado direito. Quando a cor 695 deixa de ser usada, passar a nova cor (567) no alfinete do lado esquerdo, mantendo a cor 409 do lado direito. Ao retomar o trabalho depois de uma pausa, passar os fios no mesmo alfinete em que se encontravam antes.

Depois de completar o padrão, trabalhar uma volta lisa em liga com a cor 625, matando duas malhas (uma no início e outra no meio da volta) (112 malhas).

Canelado: Com as agulhas de 3.5mm, trabalhar 10 voltas em canelado 3×1 (3 malhas de liga, 1 malha de meia).

Rematar usando uma técnica de remate que produza uma margem elástica (por exemplo esta).
Rematar as pontas de fio soltas.

Para uma gola de adulto convém montar um mínimo de 124 malhas, aumentando para 126 a seguir ao canelado.

This tiny cowl was purled from the inside, portuguese style, using two knitting pins to hold the yarn (one on each shoulder). The yarn is Beiroa, shades 695, 409, 567, 557, 595, 729 e 625, knitted on 3.5mm (rib) and 4mm (pattern) double pointed needles.

Instructions: CO 112 st on the 3.5mm needles using shade 695 and *p3 k1* 10 rounds. With 4mm needles, start following pattern, increasing 2st on the first round (114 st). Purl one round with shade 625 after finishing the pattern, decreasing to st (112 st). With 3.5mm needles, *p3 k1* 10 rounds. Cast off.

For an adult size version, cast on at least 124 st, increasing to 126 at the beginning of the pattern.

seamless raglan sweater #3

camisola nova

camisola nova

Quando andava no colégio, aí pelo quinto ou sexto ano, uma das minhas colegas trazia muitas vezes vestidas umas camisolas de malha feitas pela mãe. Do que me lembro eram lisas, de cores vivas à anos 80, e tinham um pormenor que todos gabavam e invejavam: bolsos em forma de luvas, feitos numa cor contrastante e aplicados sobre o corpo, mesmo a jeito para aquecer as mãos. Na altura já fazia malha há uns anos mas só tricotei a primeira camisola um pouco mais tarde, numa altura em que estava a crescer tão depressa que quando a terminei tive de a oferecer à minha prima Mariana porque já não me servia. As camisolas que a mãe da minha colega Joana fazia ficaram-me sempre gravadas na memória e acho que terão sido uma das razões que me levaram a querer fazer malha cada vez melhor. Entretanto a seamless raglan sweater da E. já está pronta (ravelry) e a uso. Não tem bolsos em forma de luvas, mas quem sabe se ainda lhos faço. Levou três meadas de Beiroa 688 e um bocadinho de Beiroa 539, mais um decote em V que não está nas instruções mas foi fácil de improvisar.

beiroa

beiroa

beiroa

Primeiro veio a branca, com o seu veio castanho pelo meio. Tricotei-a, tingi-a, fi-la andar por aí. Juntou-se-lhe depois a preta. Há pouco menos de um ano chegaram as primeiras cores, quase todas tranquilas, como se tivessem saído de um tapete de Arraiolos.
Este ano a paleta é outra, com quatro cores cores muito vivas e três mais tranquilas, todas pensadas para serem usadas juntas e com uma piscadela de olho aos pantones da temporada. E não, a Beiroa não é o fio mais macio de todos os tempos, nem veio do outro lado do mundo de ovelhas criadas para darem a maior quantidade de lã possível, nem foi quimicamente esfoliada na fábrica para parecer o que não é. Veio aqui mesmo da Serra da Estrela, das ovelhas Bordaleiras que levam boa vida junto aos seus pastores.

Beiroa
Beiroa 2 Ply

aprender para ensinar

aluna e mestra

aluna e mestra

Na semana passada estive uns dias em Bucos para aprender com a D. Teresa Simões os segredos das meias de grades. Estas meias eram até há duas gerações as que por aquelas paragens os homens usavam ao Domingo, por baixo de calças suficientemente curtas para deixar ver os desenhos e por dentro dos socos abertos, que eram o calçado habitual. Enquanto aprendia tirava notas e, para ver se as notas estavam bem tiradas, tricotei depois a partir delas. Tanto papel e caneta fez confusão à D. Teresa, habituada a ler as malhas como quem lê letras e a reproduzir à vista tudo o que vê e lhe agrada, seja uma toalha de renda num altar ou um casaquinho numa montra. À minha maneira primeiro, e depois obrigando-me a fazer à maneira dela, aprendi as grades dos corações e as outras necessárias, mais um mate que nunca tinha visto, e regressei a Lisboa de meias meias feitas para as refazer, pôr por escrito (porque nem toda a gente tem a sorte de ter uma D. Teresa por perto) e poder ensinar em breve.

Last week I spent a few days in Bucos, learning how to knit the local traditional lace socks. These socks were worn with wooden clogs by local men (women wore plain knee-high socks without feet) and reserved for sundays and other special occasions. They were and still are knitted from handspun yarn, worked tightly on five handmade point hook needles, tensioning the yarn behind the neck in the traditional portuguese style. The pattern will be published soon, in collaboration with the museum of Cabeceiras de Basto.

seamless raglan sweater #3

#elizabethzimmermann #beiroa #knitting #malha #tricot

Quatro anos depois das primeiras (esta e esta), vou a meio de uma nova seamless raglan sweater (ravelry), do livro Knitting Without Tears de Elizabeth Zimmermann. Desta vez estou a usar Beiroa, em azul e rosa velho. Depois de muitos meses a tricotar para um longo projecto que há-de ver a luz do dia em breve, é bom voltar a fazer malha para a E. e para a A., que já encomendou uma igual em azul escuro e vermelho.