sapataria

rua direita, viseu

rua direita, viseu

Em Viseu, na Rua Direita, durante os Jardins Efémeros. Uma sapataria onde um corredor estreito esconde andares repletos de sapatos semi-esquecidos. Sapatos portugueses anteriores à moda dos sapatos portugueses (os Green Boots são a minha última descoberta) que fariam as delícias de muitos hipsters ou uma espécie de parque temático sem certificação da ASAE de onde elas as duas não queriam vir embora.

rua direita, viseu

rua direita, viseu

rua direita, viseu

rua direita, viseu

para fazer meia

para fazer meia

para fazer meia

Num dos dias do Barroso prometi a uma mulher fora do vulgar um saquinho para levar as meias. Foi no fim da conversa, depois de uma manhã cujos frutos estarão em breve na Lã em Tempo Real. A D. Benta trazia o trabalho guardado num saco de plástico, estimado e até remendado por ter o tamanho e feitio ideais para o efeito: nem grande nem pequeno demais, e com uma alça mesmo jeitosa para ficar no braço quando se faz meia em pé ou em andamento. Já passaram umas semanas, mas ontem encontrei finalmente o tecido e o momento certo para o fazer. Espero que ela goste.

(o tecido é daqui e as minhas meias na fotografia são as da concha)

para fazer meia

para fazer meia

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

Na aldeia de Gralhas (Montalegre), os rebanhos de ovelhas e cabras continuam a ser apascentados de forma comunitária. O trabalho de levar para o monte e vigiar todos os animais, o dia todo, é partilhado entre todos os proprietários, à razão de um dia de trabalho por cada dez cabeças de gado. Chama-se vezeiras a este sistema e já muito se escreveu sobre ele. Estivemos em Gralhas uma manhã, cedo que chegue para ver formar o rebanho, subir ao monte e conversar sobre lã, mesmo se o nosso propósito desse dia era ouvir cantar:

Mulheres de Gralhas: “Rua abaixo, rua acima” (MPAGDP)

Ana Rabuda chama o rebanho (Lã em Tempo Real)

Para ler: As culturas do trabalho no Barroso: A Vezeira, por Daniela Araújo.

a vezeira em gralhas

a vezeira em gralhas

wiksten tank

wiksten tank

wiksten tank

Tenho poucas blusas de verão que não tenham sido feitas por mim (na verdade tenho poucas blusas de verão mesmo somando as que foram e as que não foram feitas por mim). As de que mais gosto são esta e esta, que continuam óptimas depois de vários anos de uso intensivo. Foram feitas por um livro japonês, com o molde que se aprende a usar no workshop Coser para vestir. Esta manhã experimentei finalmente um dos moldes da Wiksten, algo que queria fazer desde que eles apareceram. A autora, Jenny Gordy, esteve há poucas semanas na Retrosaria, onde se abasteceu de Beiroa e outras coisas. Comecei por este tank (a primeira remessa que recebemos esgotou instantaneamente), feito num tecido antigo de algodão que encontrei em Castro Verde. Rematei o decote com viés de algodão, como costumo fazer, porque me custa imenso estragar quase um metro de tecido só para cortar uma tira. Sigo para pelo menos uma Tova, talvez num destes.

wiksten tank

o início

A

A

A prova de que o workshop de Sábado à tarde foi mesmo bom é ter vindo para casa com uma vontade incontrolável de fazer hexágonos de crochet. Talvez a coisa me agrade tanto por ser uma espécie de encontro entre a malha e as mantas de retalhos. Vem aí uma manta (a não ser que eu consiga fazer um casaco parecido com este). Estou a usar a Beiroa em quase todas as suas cores. A minha mãe estranhou ver-me só com uma agulha na mão – crochet?! – e depois lembrou-se deste quadro, que lhe pareceu a inspiração ideal.

…e o melhor site de crochet (e não só) que conheci nos últimos tempos: Ganchitos.

A

A

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na retrosaria

tricot 2

tricot 2

Uma das boas coisas que acontecem na Retrosaria é dizerem-nos tantas vezes que os nossos workshops são diferentes.
Ontem também estive do outro lado. De manhã ensinei truques de malha e à tarde fui aluna da Rita (a mesma Rita que fez as ilustrações do meu livro). Foi a estreia do workshop de Crochet 2, em que se aprende a fazer rosetas ou motivos de crochet (aquilo a que nos EUA se chama granny squares e cá não tem nome mas quase toda a gente da minha idade reconhece de uma manta de casa da avó). Para mim, que nunca tinha tentado avançar no crochet para além do mais básico, foi uma revelação. As cores da Beiroa, que foi o fio que usámos, agora parecem-me ter sido inventadas para isto.

crochet 2

crochet 2

crochet 2

a subida à serra

transumância

transumância

Pedro,
Este ano não tirei tantas fotografias da subida à Serra como da outra vez. Metade do tempo porque fui com o cordeiro do Sr. António ao colo, depois porque quando já está muita luz e calor é mais difícil fazer boas imagens e também, claro, porque os caminhos antigos são mais bonitos do que a estrada que tomámos este ano. Mas foi na mesma um dia inesquecível. Foi bom ver as mulheres e filhas dos pastores a fazer a caminhada e perceber que a Grande Rota da Transumância despertou nelas e em muitos outros a vontade de conhecer mais de perto o vosso trabalho. A E. e a A. também não se vão esquecer deste dia. Até porque levaram muito a sério os seus elogios às borlas (elas chamam-lhes pompons) e continuam a fazê-las umas atrás das outras – quando o Pula precisar de mais, é só dizer! O Tiago ainda não teve tempo de editar as filmagens desse dia, mas eu aviso quando estiverem online. Entretanto, também há muitas imagens aqui e aqui, não sei se já viu.
Até breve (espero) e um grande abraço para si e para o Pula.

transumância

transumância

transumância

fia 2013 – a vez dos cestos

fia 2013

fia 2013

fia 2013

Uma pausa no atrasado relato das últimas viagens para registar a ida à FIA, que abriu ontem. Ano após ano, é um ritual que só falha se estiver longe de Lisboa. A edição de 2013 é dedicada aos cestos, com uma exposição a não perder. A variedade e qualidade dos cestos (e cadeiras, berços, esteiras e outras coisas feitas com fibras vegetais entrelaçadas) portugueses de produção artesanal ainda é magnífica. E os cestos continuam a ser em geral bem feitos, surpreendentemente baratos e, sobretudo, muito úteis para pôr coisas dentro como dizia o Joanica Puff. Nesta FIA há muitos e bons cestos à venda e alguns vieram comigo para casa. Um deles foi uma condença [sic] destas.

Mais sobre cestos:
Toino Abel: um projecto já com vários anos de divulgação e venda de cestas de junco (as melhores para transportar as máquinas de costura para os workshops).
Uma página do catálogo dos Armazéns Grandella de 1933 (adorava ver as outras) fotografada pela Alexandra, que nos dá um vislumbre da vida urbana pré-plástico.
…e a história de Jane Birkin e a sua condessa algarvia, que já é bem conhecida.

cestaria
Cestaria portuguesa no Museu de Arte Popular. Fotografia sem data proveniente da MatrizPix.

os pompons

pompom

pompom

Este ano a Câmara de Seia tomou a iniciativa de integrar a transumância que fiz em 2011 na recém-nascida Grande Rota da Transumância. Todos os que quiseram puderam acompanhar uma parte do caminho, entre Seia e o Sabugueiro. A A. e a E. também vieram e aguentaram o calor e os quilómetros pelo meio da serra como gente grande. Depois de tanto ouvirem falar de pêras e cabeçadas e depois da estadia em Fernão Joanes, onde as ovelhas em Maio parecem árvores de Natal, quiseram ir a rigor. Passámos a manhã dos preparativos a fazer grandes pompons coloridos, com beiroa de muitas cores e estes engenhos deliciosos. Read more →