beiroa beanie

gorrinho

I’ve just finished a new version of Bruno’s beanie, this time using a simple Fair Isle motif and one of my favourite shades of Beiroa.

There is now a downloadable pdf with the pattern in English (charted and written down), for those who asked for it – remember I knit Portuguese style, which means all circular work is purled (not knitted).

Download pattern

PS: as instruções em Português estão aqui.

receita de natal

lord mantraste
patinho mantraste

A Feira de Natal da Retrosaria já vai no seu terceiro dia (os convidados deste ano são: Jubela, Zélia Évora, DoSemente, Lord Mantraste e By Stro). Entre visitas, meadas e muita conversa, uma amostra que tinha de fazer transformou-se de um dia para o outro num gorro à marinheiro (o Bruno chama-lhe tapa-carecas). A receita é esta:

Uma meada de Beiroa cor 685
20g de Beiroa cor 409
Um pedacinho de beiroa cor 573

Umas agulhas circulares de 5mm x 40cm (ou conjunto de 5 agulhas de 5mm x 20cm)
Umas agulhas circulares de 6mm x 40cm (facultativas)
Um conjunto de 5 agulhas de 6mm x 20cm
Uma agulha para rematar

Notas: o fio é trabalhado dobrado.

Montar 80 malhas com a cor 685 nas agulhas mais finas.
Trabalhar circularmente 26 voltas em canelado *2 malhas de liga, duas malhas de meia*.
Com as agulhas de 6mm, trabalhar 4 voltas em liga.

Motivo: este motivo foi retirado do livro 150 Scandinavian Knitting Designs de Mary Jane Mucklestone e tem 9 malhas de largura por 8 carreiras de altura.

Para trabalhar este motivo ou outro motivo com 9 malhas de largura:
Aumentar uma malha no início da volta (81 malhas) e trabalhar em liga as 8 voltas do motivo em jacquard. Matar uma malha no final da 8ª volta (80 malhas).

Para trabalhar um motivo com 4, 8 ou 10 malhas de largura não é necessário fazer quaisquer ajustes.

Uma volta em liga.

Diminuições:
*6 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*5 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*4 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*3 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*2 malhas de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*1 malha de liga, um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.
*Um mate simples*. Repetir de * a * até ao fim da volta.
Uma volta em liga.

Cortar o fio, deixando uma ponta com cerca de 20cm de comprimento. Com a agulha de rematar, passar o fio por dentro das 8 malhas remanescentes. Rematar as pontas de fio pelo avesso do gorro.

gouveia

tecer em gouveia
tecer em gouveia
tecer em gouveia

Não sabendo, passa-se por Gouveia sem conhecer o tecelão residente. A sua oficina não está no roteiro urbano da cidade porque esta como muitas outras cidades tem uma noção de património perigosamente ultrapassada. A visita vale a pena mesmo que não se seja particularmente ligado ao tema. O Sr. João tece as suas toalhas de pé, sem o habitual assento ou apoio para as costas, numa espécie de dança sobre os pedais ritmada pelo trabalho do chicote e o bater da queixa. Obrigada Ana Rita por me teres levado até lá.

Contactos:
C. Comercial Outeiro – Loja 7
Gouveia

fiar nos açores

spinning wool

Na Lomba da Maia, em São Miguel, fia-se a lã na roda, mas a roda é aquilo a que no continente chamamos geralmente caneleiro (ou rodilheiro se estivermos em terras de Miranda) e que na maioria das vezes não é usado senão para encher as canelas para o tear. Tecnicamente um caneleiro desta tipologia (há outras) é uma roda de fiar de tipo 1 em ponto pequeno – o mecanismo é exactamente o mesmo mas para o operar há que estar sentado numa cadeira baixa. Fiar numa roda assim tão pequena acaba por não ser (julgo eu) muito mais produtivo do que fiar no fuso, mas ainda assim remete para uma relativa especialização da actividade. Comparadas com as do Continente, as rodas açorianas têm uma diferença de razão certamente secular: os fusos são integralmente feitos em madeira e não em ferro, o que permite que um bom carpinteiro (e há muitos) possa construí-las do início ao fim. A minha vem a caminho.

Mais rodas de fiar portuguesas.

Panos da Terra: um novo blog, totalmente aconselhado a qualquer pessoa que tenha lido este post até ao fim.

ovelhas daqui

sheep

Nos inícios dos século XX, de todas as ilhas dos Açores era em São Miguel que havia mais ovelhas. Actualmente são tão poucas que só se encontram com esforço. A sua criação não constitui uma actividade económica, a sua carne desapareceu das ementas e memórias e a sua lã acaba frequentemente no lixo. Aqui não há rebanhos: as ovelhas existem sobretudo porque ajudam no maneio dos terrenos comendo plantas que as vacas, por serem mais selectivas, deixam para trás. Umas e outras, diga-se, acabam o dia a ruminar a dieta de pasto cheio de fertilizantes complementada com rações importadas de milho transgénico, que esse é um retrato das ilhas ao qual é cada vez mais difícil fechar os olhos…

mosaico hidráulico 2.0

mosaico hidráulico
mosaico hidráulico

Há oito anos, que foi quando comecei a fotografá-los regularmente, mostrei aqui o mosaico hidráulico mais bonito das lojas do Bairro Alto. Era na Casa Varela, ao cimo da Rua da Rosa. Nos meses e anos seguintes assisti à destruição de muitos destes pavimentos neste bairro e noutros. Porque era feio, porque era velho, porque era proibido. Continuou a acontecer, mesmo depois de entrar tão obviamente na moda, continua a acontecer agora, mesmo quando as revistas estrangeiras e os caçadores de tendências já olham para ele: o lindo chão da Casa Varela, que fechou entretanto, foi – inacreditavelmente – uma das vítimas mais recentes.

Mas, uns metros acima, no Príncipe Real…
O tempo dirá se é tendência passageira e demasiado gentrificada ou chega para ganhar raízes e abrir os olhos de quem vai a tempo para a preservação dos pavimentos antigos, mas a verdade é que há cada vez mais espaços novos a optar por este chão. Uma parte dele, suspeito, vem de Marrocos, onde muitas empresas vão buscá-lo por ser mais barato, e também há imitações (?!). Mas por cá há fabricantes novos, fabricantes sobreviventes e outros que reencontraram uma vocação antiga. Vale a pena conhecê-los e apoiá-los:

Somor, em Montemor-o-Novo.
Mosaicos d’Alcaria, na Vidigueira.
Artevida, em Fronteira.
Projecto Mosaico, em Sintra
E, claro, o Sr. Lúcio Zagalo em Estremoz.

(des)contexto

the killing sweater copy
Springfield, Novembro de 2014. Camisola em fibras sintéticas idêntica à que é usada pela personagem Sara Lund na série dinamarquesa The Killing. A camisola original, em 100% lã e inspirada por motivos tradicionais das ilhas Faroe, foi concebida por Gudrun & Gudrun.

anthropologie viana
Scrolled Vines Apron (Style No. 7532601482556). Avental da marca Anthropologie com motivos de bordados de Viana do Castelo.

But can I have it both ways? If I want to ditch narrow nationalist associations in favour of a more diverse and fluid and culturally relative idea of knitting and design, why does this (…) still inspire in me a sensation of mild offence?

Kate Davies, knitwear and cultural relativism.

Para pensar.

knitsonik stranded colourwork sourcebook

knitsonik

A Felicity Ford, aka knitsonik, é uma de várias mulheres britânicas que admiro pela relação intelectual que têm com o tricot. Não escrevem posts particularmente cor de rosa e não passam a vida a apregoar a domesticidade (seja lá o que isso for, mas que normalmente – e sem tom pejorativo – inclui bolos e decoração), o que não significa que não tenham uma presença online esteticamente cuidada. O que publicam não é para percorrer na diagonal e fazer um rápido like, é mesmo para ler. É interessante e deu trabalho, tem informação e opinião. Ora a Felicity lançou há poucas semanas, depois de um bem sucedido processo de crowdfunding, um livro que reflecte bem esta maneira de estar na vida e na malha. Apesar de ser de leitura extremamente acessível e de se poder ler de fio a pavio ou só olhar para as imagens, é um livro cuidadosamente concebido e escrito, daqueles que certamente sobreviverão bem à passagem do tempo. Propõe ser um manual para transformar as nossas paisagens e objectos de todos os dias (uma estrada, um edifício, um gravador) em padrões de jacquard e apresenta um belíssimo método para o fazer. O processo resulta na construção de amostras progressivamente afinadas até chegar ao resultado ideal, que pode depois ser aplicado em todo o género de peças (no livro são dadas instruções para umas perneiras e umas longas luvas sem dedos).

Felicity Ford, Knitsonik, Stranded Colourwork Sourcebook, 2014.

Mais knitsonik ♥: Shetland Wool Week Song (a letra está aqui) e Comparing the sounds of combing Estonian wool and Cumbrian wool in Mooste, Estonia, aqui.

rua da rosa
jamieson & smith

Lisboa é uma cidade infinitamente inspiradora para quem pensa em padrões. Dos óbvios azulejos e mosaicos aos tons e linhas de uma casa esventrada. Os fios são Jamieson & Smith.

ver

cantigas de santa maria
visitação

Dentro de uma redoma de vidro, um dos livros que mais gostava de ver com todo o tempo do mundo: o códice rico das Cantigas de Santa Maria compiladas por Afonso X. O facsímile está fora do meu orçamento e online só se encontram pedacinhos. Quando há tantos anos se viaja nos detalhes das suas iluminuras (os padrões das roupas, as algibeiras, as ovelhas e a lã, etc., etc.), parece uma provocação vê-lo assim.

A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha. Na Gulbenkian até 25 de Janeiro.

Por passar à porta quase todos os dias fui adiando a visita. Fui ontem, no último dia, ver a exposição comemorativa dos 516 anos da Santa Casa da Misericórdia. A sequência de sinais de expostos, cuidadosamente organizados e contextualizados pelos registos de entrada dos bebés na instituição, é uma viagem no tempo de uma força invulgar. Entre eles, a minúscula meia rendada de um bebé deixado na roda em 1848.

Visitação. Na galeria de exposições da SCM (Igreja de São Roque). Terminou a 2 de Novembro.

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