um gorrinho

gorrinho


Era para ter sido mais um par de mini calças mas só depois de um serão a fazer o canelado reparei que tinha montado 20 malhas a menos, de maneira que acabei por fazer um gorro. O modelo foi improvisado mas ficou com umas proporções simpáticas, de modo que partilho aqui as instruções. Trabalhado com um fio mais grosso e agulhas de 5mm, a mesma receita produz um gorro de adulto:

Tamanho: até aos 3 meses

Materiais:
Cerca de 35g de João na cor 911
Cerca de 15g de João na cor 401
Conjunto de 5 agulhas de dupla ponta de 2.5mm
Conjunto de 5 agulhas de dupla ponta de 3.5mm
Marcas para tricot
Agulha de ponta redonda para rematar

Execução:
Montar 88 malhas com o fio azul nas agulhas de 2.5mm e trabalhar 32 voltas (7.5cm) em canelado (1 malha de liga, uma malha de meia).
A partir deste ponto todas as malhas são trabalhadas em liga.
*Com as agulhas de 3.5mm e o fio branco, trabalhar 2 voltas, passando o fio azul pelo avesso.
Com o fio azul, trabalhar 2 voltas, passando o fio branco pelo avesso.
Repetir a partir de * até ter trabalhado um total de 11 riscas (6 brancas e 5 azuis).
Com o fio branco, trabalhar 1 volta, colocando uma marca na agulha a cada 8 malhas.
*Volta seguinte: trabalhar até 2 malhas antes da marca, 2 malhas de liga juntas. Repetir esta instrução até ao fim da volta.
Volta seguinte: trocar de cor e trabalhar uma volta inteira sem diminuições.
Repetir desde * até restarem apenas 11 malhas nas agulhas. Retirar as marcas.
Cortar o fio do trabalho, deixando uma ponta com cerca de um palmo de comprimento. Com a ajuda da agulha de ponta redonda, passar o fio por dentro das 11 malhas restantes, puxar suavemente para fechar o gorro e rematar pelo avesso.

gorro

o ciclo da lã

ciclo da lã
ciclo da lã

di·dác·ti·co |át|
(grego didaktikós, -ê, -ón, apto para ensinar)
adjectivo
1. Próprio da didáctica.
2. Que tem por fim instruir (ex.: unidade didáctica).
3. Que facilita o ensino ou a aprendizagem; que serve para ensinar ou aprender (ex.: jogos didácticos).
4. Que procura educar ou ensinar (ex.: discurso didáctico).

“didáctico”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013.

Antes de mais, a lã não tem um ciclo. É verdade que muitas vezes por comodismo hoje em dia se fala em ciclo da lã, mas a expressão não faz grande sentido a não ser que estejamos a pensar na biodegradabilidade da dita e na sua eventual transformação em nutrientes que fazem crescer o pasto que as ovelhas vão ingerir para depois darem mais lã, mas parece-me rebuscado. De qualquer forma, se se quer ser didáctico convirá pensar no assunto.
A lã tem origem, histórias, caminhos, processos e variadíssimos usos e, de há alguns anos a esta parte, tem felizmente muitas pessoas interessadas na cultura que a rodeia. Sobre a lã em Portugal podem entre outros percorrer-se os posts deste blog, os do da Diane, o Saber Fazer da Alice Bernardo, o meu Lã em Tempo Real, pode-se visitar o The Flying Fleece ou mesmo ler a tese da Joana Sequeira. E, antes de escrever um livro didáctico sobre o assunto, pode-se ir ver como outras pessoas o fizeram noutros tempos, ler este livro infantil de 1976 ou procurar inspiração nos carimbos Agatha dedicados à lã (sem ciclo) há uns 30 anos.
Mas também se pode, pelos vistos, não ir ver nada disso e publicar na mesma um livro didáctico sobre o ciclo da lã. Foi o que fizeram Cristina Quental, Mariana Magalhães e Sandra Serra, que por exemplo confundem e ensinam a confundir uma roca com uma roda, não olharam certamente com atenção para nenhuma delas e também não sabem bem onde é que a Bela Adormecida afinal se picou. É pena.

de coruche

meias de maioral
coruche

No Sábado estive em Coruche para apresentar o meu trabalho no âmbito da Bienal de Artes que está em curso. Foi uma apresentação ao ar livre, com um público surpreendentemente interessado e participativo, sem o habitual projector e écran, pelo que levei comigo uma série de peças especiais para mostrar (na fotografia tenho na mão uma barreta da ilha de São Miguel – falo delas no meu livro). Associada a esta participação está patente em Coruche até Domingo uma exposição intitulada Espaço Malhas (junto ao mercado) onde, entre outras coisas que justificam o passeio, é possível ver uma verdadeira raridade dentro das malhas portuguesas: vários pares de Meias de Maioral, uma especialidade Ribatejana totalmente caída em desuso há várias décadas. Sobre estas meias, também referidas no livro mas sobre as quais aprendi muito entretanto, vou ter oportunidade de falar mais em breve.