cavalgante

É a terceira camisola que desenho. Desta vez para o nosso fio Mondim mas na sua versão tingida em Paris pela La Bien Aimée que vai ser lançada este fim-de-semana no famoso Edinburgh Yarn Festival. Para garantir que as contas batiam certo, que isto de imaginar uma camisola em seis tamanhos diferentes para mim ainda não é coisa pouca, experimentei usar uma folha de cálculo. Foi um processo moroso mas muito interessante, que permitiu por exemplo perceber a priori com alguma exactidão quantos metros de fio seriam necessários para tricotar cada uma das medidas. O processo não estaria completo sem a colaboração de um grupo de test knitters que despistaram (espera-se que todas) as minhas distracções e gralhas. As instruções já estão disponíveis online, em Português e em Inglês, através do Ravelry.

arbusto

Saiu em Setembro, no número 6 da revista finlandesa Laine. Foi a segunda vez que desenhei uma camisola (a primeira foi esta) e a primeira que tive de planear em todos os tamanhos. Nasceu de um convite das editoras e foi a oportunidade perfeita para trabalhar o fio que lançáramos pouco tempo antes, a Brusca, feita de lã de três raças portuguesas: merino branco, merino preto e saloia (uma das minhas preferidas). Não acertei à primeira nos pormenores do desenho, que começou por ser mais complicado, mas sabia que queria incluir estes borbotos. Lembravam-me pequenos frutos silvestres mas também me faziam pensar na misteriosa Diana de Éfeso. Ao longo destes meses tem sido delicioso vê-la interpretada de tantas maneiras. Esgotada a revista, publiquei as instruções no Ravelry (a versão em Português e à portuguesa vem já a seguir).

ovelhas portuguesas

ovelhas portuguesas

Há tantos anos desejado, viu a luz do dia no Fundão, onde fui falar* sobre o que ando já há quase dez anos a fazer com lã e à portuguesa. Um mapa das nossas raças de ovelhas, ou de ovinos como dizem as instituições, ou de gado lanar (lanar, atenção), como se dizia há não assim tanto tempo. Nasceu inspirado pelo outro, editado nos anos 80 pela então Direcção Geral de Pecuária (hoje DGAV), raridade que muita curiosidade desperta na parede da Retrosaria. E também nasceu porque numa fábrica de (e no museu dos) lanifícios encontrei (só) o cartaz das raças britânicas, porque numa boa queijaria alentejana vi (só) o das francesas e porque não faz mal a ninguém aprender o nome destes dezasseis bichos para os reconhecer da janela do carro no próximo passeio. Está aqui.

O desenho é da Joana Estrela.

*nas Jornadas de Inovação e Valorização das Raças Autóctones.