do azeite

Não vou escrever sobre os malefícios da cultura intensiva e super intensiva da oliveira porque não sei suficiente sobre o assunto (recomendo por exemplo a leitura deste relatório de 2009 sobre a Andalusia) mas não podia deixar de trazer para aqui um apelo que faço respeitante a uma consequência muito concreta desse tipo de exploração e que foi motivado por estas notícias:
Recolha mecânica de azeitonas mata milhões de pássaros na Andaluzia. E no Alentejo? (Público, 22 de Dezembro de 2018).
Como milhares de aves estão a morrer no Alentejo (Expresso, 24 de Fevereiro de 2019).
Informe sobre el impacto generado por la explotación del olivar en superintensivo sobre las especies protegidas en Andalucía (Junta de Andalucía).
Exijamos aos produtores do azeite que compramos que nos garantam que pelo menos por isto não são responsáveis enviando-lhes esta mensagem (personalizada a gosto) por email ou através das redes sociais:

Ex.mos Srs.,
Face às notícias referentes à morte de inúmeros pássaros durante as apanhas de azeitona realizadas durante a noite, venho pedir à vossa marca que tranquilize os consumidores garantindo publicamente que os vossos azeites são produzidos SEM recurso a apanhas nocturnas ou outras práticas que tenham estes trágicos resultados.
Pessoalmente, não voltarei a adquirir azeite da vossa marca antes de ter essa garantia.
Com os meus melhores cumprimentos,

Algumas marcas por onde começar: Azeite Gallo, Pingo Doce, Oliveira da Serra.

vizinhas novas

a abelha-mestra

Começámos há três anos com um jasmim oferecido pela Páscoa e dois pés de alecrim trazidos de mão amiga no Alentejo. Um ano depois tínhamos feito acontecer uma horta e comíamos os primeiros ovos caseiros. Mas nunca me ocorreu que poderíamos vir – no centro de Lisboa – a ser adoptados por um enxame de abelhas. Quem sabe se nos escolheram porque lhes cheirou a alecrim e a terra sem venenos nem adubos ou se o enxame estava só tão cansado (de onde teria vindo?) que calhou pousar na “nossa” figueira?

enxame de abelhas

Enquanto as batedoras, baralhadas, entravam pelas janelas do prédio e assustavam os vizinhos, começámos a dar voltas à cabeça para encontrar alguma coisa que pudesse ser rapidamente transformada numa colmeia apetecível. Depois de algumas pesquisas rápidas no telefone (de que tamanho tem de ser a caixa? o que pôr lá dentro para as convencer a ficar? é perigoso fazer isto sem perceber de abelhas?) e um telefonema para a pessoa que conhecemos que mais sabe do assunto, arriscámos. Escolhemos uma caixa de madeira grande e cilíndrica na qual abrimos uma entrada estreitinha e pusemos uma vela de cera pura de abelha, vestimos só porque sim umas gabardinas e ao fim de uns minutos tínhamos uma colmeia algo ridícula com um enxame aparentemente instalado lá dentro.

colmeia improvisada

Depois de cair a noite levámos com cuidado as nossas novas vizinhas para o fundo do quintal e virámos a entrada da sua nova casa para nascente, como é suposto. Na manhã seguinte, mal os primeiros raios de sol começaram a aquecê-la, deram início à sua rotina de abelhas. Pergunto-me se vão procurar flores ao Jardim Botânico ou a Monsanto e se vão manter-se por aqui muito tempo ou procurar instalações de melhor qualidade. Para já parecem satisfeitas.

Ilustração de A Abelha Mestra, de Esther Lemos e Iliane Roels. Lisboa, Verbo (colecção Animais em Família), s. d.

colmeia