abril 2004
30 de abril, 2004

(não tem boca porque nem as bonecas estão sempre a sorrir)
o meu professor de latim do liceu (o único padre que admirei na vida) escreveu uma vez carpe diem no quadro, em resposta a um aluno que dizia não ter preparado a lição por falta de tempo (na verdade só eu e a sofia é que as preparávamos quase sempre). depois desenhou um segmento de recta que representava o nosso dia e começou agitadamente a riscá-lo com traços em forma de relâmpago. perdeu-se a falar do tempo e de tudo o que podíamos fazer com ele de uma maneira que nunca lhe tinha visto nem voltei a ver.
quando a e. adormece a seguir ao almoço começa a minha roda-viva. naquela hora e meia de mil trabalhos mais ou menos insignificantes lembro-me muito dele.
29 de abril, 2004

28 de abril, 2004

27 de abril, 2004

é quase estúpido o gozo que me dá recuperar e usar de novo os envelopes em que os livros me chegam.
26 de abril, 2004

fico horas a olhar para ela. nada me parece mais perfeito que as proporções do seu corpo pequenino e a graça dos seus movimentos.
25 de abril, 2004

o andré carrilho é o melhor ilustrador português. provavelmente até mais que isso.

30 anos do 25 de abril.
24 de abril, 2004

23 de abril, 2004
há já uns meses que não libertava um, mas hoje é um dia especial.
(e continuo ufana do meu livrinho voador)
22 de abril, 2004

21 de abril, 2004


- foi quando os escravos...
- foi quando... acabou... a diplomacia!
(os pequeninos usaram unanimente as palavras guerra e rosas).
o único salazar que conheciam era a personagem do harry potter.
depois conversei com eles e desenhámos. vão passar uma semana a olhar para aquelas imagens e a comentá-las, como fazem sempre. do que se lembrarão na próxima quarta-feira?
20 de abril, 2004
que estava com a minha irmã em ny, perto do rio, junto a um prédio branco no meio do nada (estava nevoeiro). em volta do prédio havia canteiros cheios de plantas e entre as plantas havia uns tufos brancos que ela queria ir ver de perto, porque não tinha percebido que eram as orelhas de cães (muitos muitos cães) que esperavam, sentados e contentes entre as plantas, prontos para nos desfazerem em pedacinhos. os cães eram lindos e macios, do tamanho e feitio de pastores alemães mas brancos e com olhos azuis. arfavam em silêncio. quando lhe expliquei, uma onda de medo passou-lhe pelo corpo. tão forte que eu também a senti. e os cães também. pedi-lhe que pensasse depressa em coisas boas enquanto eu própria ficava cheia de medo. uma onda de pensamento em coisas boas percorreu-nos a ambas e sossegou os cães. depois fomos embora, pelo nevoeiro.
19 de abril, 2004

tantas quantos os meus anos
(gosto muito desta)
18 de abril, 2004


there was this time when i had to run away.
i will always love new york for having loved me back.

numa fotografia da querida galamander.
(parece que alguém passou pela loja a encomendar um igual. parecido, talvez)
17 de abril, 2004

um de linho, um de seda, um de lã.
16 de abril, 2004
agarrada a nós, põe-se de pé e solta-se, com um ar triunfante. balança uns segundos e deixa-se cair, a rir, certa de que a seguramos a tempo.
(um homem muito barbeado, esfoliado, hidratado e desodorizado é uma coisa horrível. estranhamente ou não, antes de ser mãe não tinha assim tanta certeza)


disse-me que era um favor que lhe fazia. que há uns dez anos que ninguém pede para comprar viés nem grega nem rendinhas de algodão. que agora é só fitas de cetim, elásticos e umas linhas para ponto de cruz. que levasse senão ia tudo parar ao lixo um dia destes.
e eu trouxe, agradecida.


mary vellan, nursery toys. london and new york, 1956.
a mulher dele era professora de lavores femininos. não sei se era tão má pessoa como ele. espero que não. dos livros que lhe pertenceram, que vi a correr, trouxe este.
15 de abril, 2004

anda burriquinho que te tangerei
vamos a castela ver o nosso rei
ver o nosso rei e a nossa rainha
anda burriquinho para casa da madrinha
11 de abril, 2004


10 de abril, 2004



09 de abril, 2004

não pudemos ir apanhar sol.
e tenho o nariz entupido.
08 de abril, 2004

tive de mudar de lugar no combóio (agora nos combóios não se pode abrir a janela). por causa do cheiro a velho, a branco, a preto, a rio, ao pequeno-almoço da véspera, a falta de banho, a brise, a alho, a óleo de côco.

07 de abril, 2004

ela: cheia de febre (a minha irmã, uma vez quando ainda mal dominava a fala, disse a uma tia nossa que recuperava de uma operação: estar doente é ser muito pobrezinho). recebeu uma prenda do t. (obrigada, magui).
eu: irritada com um site simpático mas que usa e abusa de imagens minhas, das colheres e de muitas outras pessoas. irritada em geral.
04 de abril, 2004

luxo: ontem comprei duas revistas. à hora da sesta estive a lê-las.
02 de abril, 2004
hoje vou ter de recusar um desafio de trabalho excepcional e irrepetível.
para me consolar, espreito aqui e aqui as coisas buni® da anna torma (descoberta via tania). faz-me pensar numa fátima mendonça com agulhas.
01 de abril, 2004

há tanto tempo que não punha nada nas colheres...
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