o mundo mudou

publico

Não me consigo habituar ao novo Público. Não gosto do espalhafato fruta-cores do novo design, aquele P de cor indefinida na capa não me diz nada, abomino a nova Pública, tomada de assalto pela Xis (suplemento cujo anunciado fim tinha entendido como um bom prenúncio). Desagrada-me o encher de páginas com imagens desfocadas, feias e inúteis, vou ter ainda mais saudades dos tempos em que o jornal dava trabalho aos melhores ilustradores e mesmo de algumas boas fotos de arquivo que às vezes repetia. O que eu quero de um jornal não é um suplemento gordo de variedades que tanto podiam ser publicadas hoje como daqui a quinze dias, sao mesmo as notícias. De preferência a preto e branco, preto no branco, com um grafismo menos à jornal gratuito e uma paleta menos TVI. De preferência com menos erros de concordância e menos escrita light.

Desde que me lembro que tomo o café com leite a ler o Público. Lia-o em casa dos meus pais e li-o na minha primeira casa, li-o de cigarro na mão à mesa do café, li-o quase todos os dias até esta mudança. Foi nas suas páginas que os meus bonecos apareceram impressos pela primeira vez, foi nele que (graças ao Ar.Co e ao Salão Lisboa) cheguei a publicar algumas ilustrações, foi o cabeçalho do Henrique Cayatte que a E. aprendeu a reconhecer e soletrar quando ainda usava fraldas. Nenhum dos jornais alternativos me convence. O meu café com leite está órfão.

uma casa portuguesa

uma casa portuguesa

Se, no ano passado, era difícil entrar na loja da Catarina e sair de mãos vazias, agora que o projecto Uma Casa Portuguesa se instalou no Chiado apetece ir ter com cada turista e dizer-lhe que não pode mesmo deixar de ir à Rua Anchieta (número 11). A variedade de produtos à venda é muito maior do que no último Natal e há uma exposição comemorativa dos 70 anos da Viarco para ver mas, acima de tudo, o espaço, magistralmente recuperado, é um verdadeiro ex-libris de uma Lisboa já extinta.

Read more →

páscoa

soltar o passarinho

Tantos e tão bons comentários depois, estamos de regresso do Porto onde como no ano passado e em todos os antes dele soltámos passarinhos, procurámos os ovos de chocolate e abrimos prendas ao almoço como se fosse Natal (ainda estou para saber de onde vem esta tradição familiar). Entre o deslumbramento da novíssima geração e o desnorte dos que de tão velhos se tornaram crianças fomos dezanove à mesa. Mesmo com os apertos no coração gosto sempre deste tempo cíclico, como o da E. quando me diz que quando ela for muito grande e eu for muito pequenina é ela quem me vai trazer na barriga. Parece-me bem, não a desminto.

Page 3 of 912345...Last »