a romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

Ainda não sei quantas são as aldeias em volta da Serra da Estrela onde os pastores continuam a fazer questão de levar as ovelhas em romaria, mas a Folgosa da Madalena é certamente uma das que levam o acontecimento mais a sério. Estivemos lá no ano passado e voltámos na semana passada para ver correr os rebanhos em torno da capela. Para sair bem, o rebanho tem de pegar: as primeiras ovelhas têm de alcançar as últimas da roda, fechando o círculo e continuando a correr até o pastor dar ordem de inversão de marcha. A seguir, o processo repete-se no sentido contrário. Enquanto as ovelhas correm, o pastor e os ajudantes vêm cumprimentar os que estão na assistência. Quanto mais elegante for todo o processo, quanto mais bonitas e mais obedientes as ovelhas, mais elogios se ouvem e mais satisfeito e orgulhoso sai o seu dono.
Mais fotografias aqui.

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas

romaria das ovelhas - bode enfeitado

pêras e cabeçadas

o bode enfeitado

o bode enfeitado

o bode enfeitado

Os últimos adereços do bode são a cabeçada e o chocalho. As cabeçadas são feitas a partir de fitas ou tecido vermelho e decoradas a gosto do autor com aplicação de mais fitas, bordados ou borlas. Encaixam no focinho e atam-se no alto da cabeça com dois pares de atilhos. Os chocalhos dos bodes são o orgulho do pastor. Chamam-lhes a loiça grande e são usados apenas nos dias de festa e durante a transumância. São objectos valiosos e muito estimados, alguns com várias gerações de uso e outros acabados de trazer de Alcáçovas, onde a Chocalhos Pardalinho continua a fazê-los um a um, à mão, com os desenhos e iniciais que cada pastor encomenda.

o bode enfeitado

pêras e cabeçadas: lavores masculinos

o bode enfeitado

o bode enfeitado

Depois de feitos os furos, as pêras ou bolras (borlas) já podem ser seguras aos cornos dos bodes. As mais antigas eram presas com tiras em couro e as mais recentes são-no com abraçadeiras de plástico. Na colecção do Miguel há de umas e de outras, feitas por várias gerações de pastores. Depois de as borlas estarem postas, os cornos são enfaixados com fitas de cetim. No fim é preciso coser as pontas das fitas para que não se soltem.

(Deve ter sido há muito, muito tempo que um pastor se lembrou pela primeira vez de enfeitar os animais com pompons…)

o bode enfeitado

o bode enfeitado

pêras e cabeçadas: os furos

preparar o bode

preparar o bode

Sair de Lisboa Domingo de manhã rumo ao Fundão, para a meio da tarde irmos ao encontro dos pastores com quem há dois anos subi à serra. Fomos vê-los preparar os últimos bodes e cabras para a romaria dos animais em honra de São João, na Folgosa da Madalena, porque este ano o rebanho foi a rigor.
Para segurarem firmemente uma fileira de borlas (ou pêras) gigantes, os cornos têm de ser furados. O processo é rápido e indolor, mas segurar um bode vigoroso e fazer-lhe quatro pares de furos simétricos com um berbequim não é para qualquer um. Read more →

fernão joanes (4)

joaquim vendeiro

ti zé camilo

tosquiada

Em Agosto prometemos voltar a Fernão Joanes para assistir à festa da Senhora do Soito e filmar uma tosquia feita pelos especialistas sobreviventes na arte de bordar ou enramar as ovelhas, o Ti Zé Camilo e o Ti Aristides. No tempo em que era pastor e tosquiador, o Ti Zé Camilo não via enfeitar as ovelhas nem assistia à festa. No segundo Domingo de Maio, data em que esta se realiza, estava ele no Alentejo. Era lá, pelas bandas de Portalegre, que começavam os seus dois meses de trabalho a tosquiar ovelhas, avançando para norte de rebanho em rebanho até chegar novamente a casa. Sempre à tesoura, a maioria era tosquiada rapidamente, de um lado ao outro. Mas pelo menos o carneiro tinha um tratamento especial: era enramado, como os cajados e tantas outras peças de arte pastoril, com motivos geométricos cuidadosamente bordados com a ponta da tesoura. O tosquiador fazia-o por brio, em competição com os restantes, às vezes contrariando o patrão que queria um serviço rápido, outras vezes recebendo da dona da casa uma compensação especial pela obra criada.

bordaleira

ti aristides

ti aristides

Não resisti à pergunta óbvia da origem dos motivos usados e o Ti Zé Camilo não se atrapalhou: vêm das cuecas das raparigas. Depois da risota geral corrigiu: dos saiotes que as raparigas da sua juventude usavam, com as suas barras de rendas e biquinhos. Já se sabe que os bordados e as rendas emprestam desenhos uns aos outros, e este não é excepção.

A prática de bordar as ovelhas raramente foi referida na bibliografia que conheço. Aliás a principal referência é a que aparece na Cartilha do Tosquiador, onde é considerada uma prática condenável. Mais recentemente, há imagens (sem texto) de uma tosquia semelhante à que vimos ontem no livro A Transumância e Fernão Joanes. Sonhos Transumantes (Guarda, Câmara Municipal da Guarda e Junta de Freguesia de Fernão Joanes, 2004).

ti zé camilo

ti zé camilo

vila verde de ficalho

hino da restauração

soleira

Com uma semana de atraso, porque entretanto já estivemos no Douro Litoral, algumas imagens das comemorações do 1º de Dezembro em Vila Verde de Ficalho. O dia começou cedo e gelado, com o pequeno almoço de fatias fritas na Sociedade Recreativa 1º de Dezembro, de onde os homens saem às 8 horas munidos de bandolins, banjos, violas, bombo e caixa para passarem toda a manhã a percorrer as ruas (todas as ruas) da vila ao som do hino da Restauração (composto em meados do século XIX). Ali está-se mesmo ao pé da fronteira, tão perto que muitos trabalham e casam do lado de lá, tão perto que, entre modas e cantigas, ao fim da manhã todos cantavam la virgen se esta peinando. Manhã fora anda-se e toca-se, primeiro para poucas caras ensonadas à janela, depois para cada vez mais pessoas. Pára-se para comer e beber, saúda-se em formatura o posto da guarda, a junta de freguesia, o centro de dia. No ano que vem o dia da Restauração não é feriado. Como será?

mulheres de bucos

mulheres de Bucos

mulheres de Bucos

As Mulheres de Bucos vieram à Retrosaria no âmbito da programação da MPAGDP para a Festa no Chiado. A sala foi pequena para todos os que as vieram ver e ouvir. Na fila da frente, um rapazinho desenhava à vista a dobadoira. Entre cantigas, as mulheres enunciaram as fases da lã numa língua para elas óbvia mas estranha a quase todos os ouvidos urbanos: estoquear, amolentar, desguedelhar, cardar

O lindo cartaz do evento foi feito pela Catarina Sobral.

The Women of Bucos came from Minho to sing and show their work Retrosaria. They are a group of talented spinners, weavers and knitters from a small village in the north of Portugal (Bucos) who have learned their skills from their mothers and grandmothers. Once a week they meet at Casa da Lã to work together and keep the tradition alive.

mulheres de Bucos

festa no chiado

fernão joanes (3)

rebanho

enfeitar o rebanho

Quando falam das suas ovelhas, os pastores e pastoras de Fernão Joanes gabam sempre os grandes cuidados que lhes são (ou, na maioria dos casos, eram) prestados: contam como lhes faziam regularmente a cama com giestas frescas, como lhes moldavam os cornos com a ajuda de água a ferver para ficarem mais bonitos, como as bordavam durante a tosquia (havemos de voltar na altura certa para ver isto ao vivo), desenhando-lhes à tesoura motivos sobre todo o corpo. Trazer um rebanho bonito e bem tratado era e é motivo de orgulho por estas paragens. E pelo menos uma vez por ano, na festa que se celebra no segundo domingo de Maio, os animais eram lavados (sim, lavados) e vestidos a preceito para receberem a benção na capela de Nossa Senhora do Soito. Mesmo depois de ver as pêras e cabeçadas usadas pelos bodes do outro lado da serra, as ovelhas enfeitadas de Fernão Joanes não podem deixar ninguém indiferente.

The shepherds and shepherdesses of Fernão Joanes always took great care of their sheep: they shaped the sheep’s horns to perfection with the help of boiling water, and drew complex geometric motifs on their bodies during shearing (we will return in may to film this). Once a year, on the second Sunday of May, the animals were bathed and embellished to receive the priest’s blessing in the chapel of Our Lady of Soito.

d. carmen

d. ângela e a ovelha mocha

Fernão Joanes

Page 2 of 1012345...10...Last »