botas de vilão

botas da madeira

botas da madeira

Uma das poucas coisas que comprei na Madeira foi um par de botas de vilão, ou botas chãs. Com mais ou menos alterações (as minhas são de pele mas têm a sola numa borracha rija e muito fina a imitar couro), este modelo de bota é ali produzido e usado há pelo menos duzentos anos. Em 1821, William Combe descrevia assim o trajar dos madeirenses: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). Se forem de facto tão duradoiras como são confortáveis vão fazer-me muita companhia nos próximos tempos.

One of the few things I bought in Funchal was a pair of traditional madeiran boots. This type of boot has been in use in Madeira for at least two centuries and subject to very little change (mine have thin rubber soles instead of the traditional leather ones). In 1821, William Combe mentioned them when describing the usual dress of the native inhabitants: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). If they are in fact durable as they are pretty and comfortable I am sure I will be wearing them a lot.

botas da madeira
Imagem de William Combe, A History of Madeira, 1821.

o cordão da campaniça

forca de fazer cordão

campaniça centenária

Foi numa viola campaniça centenária que vi o cordão antigo que me levou finalmente a estrear a forca de fazer cordão que comprei há uns anos, encomendada neste site. O cordão que se faz com este utensílio é diferente dos tipos mais conhecidos. Raro hoje em dia, foi comum noutros tempos, como se vê pelo da fotografia e pelas forcas alentejanas que existem no Museu de Etnologia e no de Arqueologia (apesar de esta última estar mal catalogada). Também o Hernâni Matos tem pelo menos uma na sua belíssima colecção de Arte Popular. Em Inglês a técnica chama-se luceting, e é fácil encontrar instruções online. O resultado é idêntico ao do tricot de dedos feito apenas em dois dedos, mas a forca permite um trabalho mais rápido e delicado. Read more →

alforges do baixo alentejo

alforge

alforge

Há cinco anos não sabia grande coisa sobre alforges mas cheguei a casa com um. Entretanto tornaram-se uma das minhas peças têxteis preferidas e já são muitos os que moram comigo. Ontem tivemos o privilégio de ver e fotografar uma colecção informal de alforges antigos do Baixo Alentejo, reunidos pela mão do Pedro Mestre em Sete, terra que há poucas décadas era ainda de cardadores e tecedeiras. Os alforges foram levados da Península Ibérica para a América, onde sobrevivem com o nome espanhol (e transmontano) de alforjas, decoradas com as cores e os padrões das populações indígenas. Read more →

são joão das ovelhas

são joão das ovelhas

a loiça

Ontem de madrugada o rebanho que acompanhei há um ano serra acima na companhia da Diane voltou a partir na rota da transumância. Dias antes tínhamos estado na Folgosa da Madalena para assistirmos e filmarmos a romaria do São João das Ovelhas. É uma festa de pastores para pastores, sem turistas à vista, em que os rebanhos, em passo de corrida e acompanhados pelos donos, desfilam à vez em volta da capela da aldeia, três voltas num sentido e três no outro (para os animais não ficarem tontos). Vêm a pé de várias aldeias, e repousam tarde fora nos campos vizinhos até o calor abrandar. É nessa altura que chegam à Folgosa, onde as famílias os esperam, e a festa acontece. Quase todos trazem os bodes enfeitados com a loiça grande, os chocalhos maiores e mais valiosos, e alguns mantêm o hábito (que vi finalmente ao vivo depois de um ano de espera) de os decorar com as pêras e cabeçadas sobre as quais escrevi antes. Não sei se há por cá outros pastores tão orgulhosos como os da Serra da Estrela, sempre aprumados nos seus casacos de raxa e de cajado na mão. Eu emociono-me sempre que os vejo. Read more →

mantas de fitas

mantas de fitas

mantas de fitas

Tem 6 casas onde tecem mantas de retalhos, urdidas com lã e tecidas com retalhos que juntam pela cidade e por casas dos alfaiates. Em cada casa, três, quatro teares.
João Brandão (de Buarcos), Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552.

Uma prática com certamente muito mais de quinhentos anos de história, a de fazer mantas de retalhos, ou trapo, ou tirelas, ou fitas, como lhes chamam na Aldeia das Dez, na Serra do Açor, onde fomos conhecer o tecelão, poeta e escultor Viriato Gouveia. Com oitenta e três anos que não se lhe vêem nem no rosto nem nos gestos, contou-nos histórias da carestia de linha de algodão durante a Segunda Guerra Mundial e do reflorescimento da produção de mantas a seguir a 45 e até aos anos 70, quando entraram em irreversível declínio. As mantas do Sr. Viriato, e do pai com quem aprendeu a tecer, sempre foram urdidas com linha e tapadas com fitas (tecidos rasgados à mão ou cortados com tesoura) que quem encomendava as mantas entregava ao tecelão. Read more →

museu regional de montemor-o-novo

museu regional de montemor

museu regional de montemor

Imagens da sala das profissões do Museu Regional de Montemor-o-Novo. São lindos os muitos taleigos à vista e extraordinário o objecto da segunda imagem, provavelmente obra de um albardeiro mas que não conseguimos saber o que era. A tesoura antiga de tosquia (agora por lá já se tosquia à máquina), de aros protegidos por pedaços de cortiça, é idêntica à que trouxemos da feira de velharias local há duas semanas. Read more →

Benjamim Pereira

Benjamim Pereira

Antes de voltar aos posts sobre Trás-os-Montes e o que lá fizemos na semana que passou, uma inadiável referência à privilegiada conversa que tivemos anteontem no Minho com Benjamim Pereira (já aqui por várias vezes referido), um dos grandes protagonistas da etnografia portuguesa do século XX e um apaixonado pelas tecnologias tradicionais que conheceu por dentro e soube por isso descrever como ninguém antes pudera.

Para ler: Entrevista a Benjamim Pereira: “Uma aventura prodigiosa”. Read more →

mestre rosa

mestre rosa

Um pulo ao Alentejo antes de seguir para Trás-os-Montes para irmos à Ovibeja filmar e estabelecer novos contactos (matéria para outro post). Não podia desperdiçar a oportunidade de ir a Santa Clara de Louredo, mesmo ali ao lado, encomendar umas botas de ceifeira ao Mestre Rosa. Soubera da sua existência por ter elogiado os sapatos da Ilda, com as suas franjas e cordões amarelos, no dia em que o coro das Rosinhas veio cantar ao nosso quintal. Logo nos foi feito o convite para uma visita e se trocaram contactos. O Mestre Rosa, como o Mestre Simão que a Diane conheceu, é um dos sapateiros sobreviventes no Baixo Alentejo. Trabalha ainda por encomenda na sua minúscula oficina e prometeu-me as botas com que sonho há anos.

Galeria portuguesa: uma entrevista recém-publicada.

Café Portugal: um artigo de Sara Pelicano sobre o projecto Lã em Tempo Real. Read more →

o ciclo da lã ao vivo

o ciclo da lã

Há vários anos que os meus posts sobre cultura popular e história têxtil suscitam comentários a sugerir que organize workshops fora de Lisboa ou simplesmente a dizer quem me dera ir contigo. A estreia vai ser daqui a poucas semanas, no início de Maio, e no melhor sítio do país para perceber que ainda há quem fie e teça como sempre se fez e sem ser só em recriações folclóricas ou para turista ver: Duas Igrejas, junto a Miranda do Douro. A Ti Paula vai ser uma das várias mestras e eu vou sobretudo contextualizar e ajudar com base na minha experiência do assunto acumulada um pouco por todo o país, do Alentejo aos Açores. A iniciativa é da Associação Aldeia e o programa é excepcional não só pelo local mas também por ser tão completo. As inscrições já estão abertas. Read more →

Page 4 of 11« First...23456...10...Last »